
Gênero: Corrida
Fabricante: Eletronic Arts / Road and Track
Lançamento: 1995
Jogadores: 1 player
Sabe quando você se apaixona por uma pessoa depois de conhecê-la há tempos e descobre que antes de vocês ficarem juntos ela mudou algumas coisas nela só pra te agradar (tipo, ela parou de usar aquela camisa que você iria odiar ou passou a se interessar mais por futebol)? Foi exatamente nisso que pensei ao jogar o Need for Speed original
Eu fui apresentado à série com
Porsche Unleashed, no PS1, e gostei um pouco, já que dava pra escolher entre simplesmente todos os carros da marca para correr, tinha até um modo onde você corria na época dos clássicos, inclusive com as músicas da época. Nossa relação, na época, foi mais uma amizade, pois eu não amei realmente aquele jogo. Porém, quando me reencontrei com NFS em
Underground 1 e logo depois com
Most Wanted, a amizade virou amor incondicional, pois o jogo me conquistou com a possibilidade de derrapar à vontade nas curvas e com o equilíbrio entre os veículos (devidamente tunado, um simples Peugeot 206 encarava quase que de igual para igual um Nissan Skyline).

Eis que, após anos de romance com a série, eu descubro que essa minha namorada ouvia Aviões do Forró e usava sandália Croc antes de me conhecer! Sim, porque depois de jogar o primeiro jogo da série eu tenho a dizer que NFS estreou com o pé esquerdo. Em primeiro lugar, cada carro só está disponível numa única cor (num jogo do PSX isso é falta grave, pois se você pensar que Ridge Racer para N64 vinha em cartucho e tinha uma infinidade de cores para cada carro). Dirigir um Mazda RX-7 amarelo-mostarda nunca vai me agradar. Segundo: os carros tem uma diferença gritante de desempenho. Isso significa que se você jogar no modo Duel (o popular X1), basta pegar um carro melhor que o do adversário e correr pro abraço. Terceiro: a dirigibilidade foi pensada para ser realista, ou seja, se você não reduzir antes das curvas vai se arrebentar. OK, eu entendo, mas e se você for como eu, ou seja, adora andar de lado nas curvas, essa “física realista” é uma boa idéia, certo? ERRADO!! Qualquer tentativa de fazer um drift ou um punta-taco nesse jogo resultará em batida e capotagem, uma verdadeira frustração para os “pilotos de fuga”. Quarto: a “curva de aprendizagem” é horrorosa, os estreantes vão penar para chegar em terceiro, e a vitória só virá depois de muito, mas muito treino mesmo.

O mais interessante dessa história toda é que eu senti essa mesma frustração quando joguei Gran Turismo para PS2. Repare que eu falei lá atrás de “física realista” e “curva de aprendizado”, dois termos que a galera que torce o nariz para os retrogames adora. Pois bem, tanto em GT quanto no original NFS, houve tanta preocupação em retratar a realidade que a diversão foi deixada de lado. De que me adianta pilotar um carro que se comporta igualzinho no mundo real se ele não vai me deixar vencer a corrida? De que adianta a física ser realista se a CPU rouba tanto, já que seus adversários jamais cometem erros e são verdadeiros foguetes. Cadê a realidade agora? Nos games da série mais novos que citei, em certos momentos a realidade é ignorada em prol da diversão (como a barra de nitro que recarrega aos poucos em
NFS Most Wanted). Se tivessem feito isso desde o início, não seria preciso mudar. Ainda bem que a série evoluiu, do contrário ou eu ainda estaria solteiro ou teria me casado com outra.
NOTA FINAL: 6,0REALISMO DEMAIS, DIVERSÃO DE MENOS. A TEORIA DA EVOLUÇÃO FEZ UM BEM DANADO PARA ESSA SÉRIE, POIS O PRIMEIRO JOGO É UMA VERDADEIRA LÁSTIMA.