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quarta-feira, 14 de março de 2012 Postado por P.A.

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Lendas dos Games (XVII)

quarta-feira, 7 de março de 2012 Postado por Tristan.ccm

Lenda 17 - A rádio numérica de Fallout 3


Se você pensa que lendas dos games é coisa só de consoles antigos, está muito enganado. Um exemplo é essa lenda sobre um jogo da geração atual, lançado em 2008. E como todo jogo moderno, Fallout 3 é mais um aluno da "escola GTA", ou seja, nele você pode andar para onde quiser, fazendo o que lhe der na telha.

Essa liberdade toda originou uma lenda, no mínimo, inquietante: seu herói possui um aparelho de comunicação chamado Pip-Boy, e com ele você pode sintonizar várias rádios espalhadas pela cidade (ou o que restou dela, já que o jogo se passa após uma guerra nuclear entre Estados Unidos e China). Uma das rádios mais legais para se ouvir em Fallout 3 é a GNR (Galaxy News Radio), graças às suas músicas animadas e ao seu engraçado DJ, Three Dog, um típico "nigga". Inclusive, uma das missões é ajudar Three Dog a ampliar o sinal de sua rádio, instalando uma antena num local bem alto.


Este é o Pip-Boy, aparelho que deu origem a essa lenda


Mas, devido à liberdade do jogo, você pode decidir por não ajudá-lo. Pode, inclusive, matá-lo. E é aí que a coisa começa a ficar estranha: ele é substituído por Margaret, que aparenta não gostar nem um pouco de seu novo ofício. A lenda começa falando que, num certo momento, Margaret decide "chutar o balde" e a GNR passa a deixar de transmitir, quando você a sintoniza só ouvirá estática... por algum tempo! De tempos em tempos, a rádio volta a transmitir, e com a voz do falecido Three Dog! Só que aqui, ao invés de gírias, o DJ passa a dizer apenas uma sequência de números, que é seguida por alguns toques de código morse.

Isso significa que a GNR se torna uma "number radio", algo que chegou a existir (e segundo algumas pessoas ainda existe). As rádios numéricas, segundo informações, foram muito utilizadas durante as duas Guerras Mundiais e durante a Guerra Fria, com o objetivo de transmitir informações em código para espiões e agentes infiltrados. O estranho é uma number radio transmitindo código morse, afinal até uma criança pode decodificar uma mensagem assim (estudei com uns carinhas que usavam código morse para passar cola nas provas!). E devido a essa facilidade, as pessoas que afirmavam ouvir as transmissões numéricas da GNR começaram a decodificar as mensagens.

As frases aparentemente não faziam sentido, porém a coisa começou a ficar séria quando um dos jogadores decodificou a mensagem abaixo:

"1-2-0-5-5-2-8-2-0-1-0. Do que você está falando? Sentiremos sua falta."

A mensagem tem uma coincidência enorme com a morte do ator Gary Coleman (pra quem não sabe, era o menino do seriado Arnold, aquele mesmo que passava até bem pouco tempo no SBT!). Gary morreu às 12:05 do dia 28/05/2010, ou seja, se você colocar a data no formato americano (mês-dia-ano), a sequência numérica é exatamente hora e dia da morte do ator, junto a uma mensagem de pêsames. Detalhe: Gary morreu DOIS ANOS APÓS O LANÇAMENTO DO JOGO!


Gary Coleman (1968 - 2010), ator cuja morte teria sido prevista em Fallout 3


Ao descobrir isso, o tal jogador foi atrás de mais coincidências. Achou isso:

"9-4-5-4-2-0-2-0-1-0. Acidente no golfo, muitos mortos. Derramamento de óleo aparentemente evitado"

A data aqui é 20/04/2010, exatamente o dia em que a plataforma petrolífera Deepwater Horizon explodiu no Golfo do México, matando 11 operários e causando um dos maiores desastres ambientais da história. E o mais interessante é que, no dia do acidente, a empresa dona da plataforma não admitia o vazamento, exatamente o que diz a mensagem no jogo, que novamente parecia se antecipar em dois anos ao fato.


A plataforma em chamas dias antes de afundar, outra "profecia" de Fallout 3 que se mostrou "verdadeira"


O jogador decidiu publicar sua descoberta no fórum oficial da FalloutWiki, e logo outros jogadores começaram a reportar novas mensagens. Descobriu-se, inclusive, que não havia ali só premonições do futuro, mas também referências a fatos do passado, como por exemplo:

"2-2-1-6-4-1-8-1-8-6-5. Ele está morto e a culpa provavelmente cairá sobre aquele ator, Booth. É melhor que Johnson não me coloque fora do pagamento."

A referência aqui é ao assassinato do presidente americano Abraham Lincoln, que foi morto por John Wilkes Booth (que era ator) em 18/04/1865. O texto dá a entender que Booth foi um bode expiatório e a culpa era de outra pessoa, hipótese que é defendida pela galera das "teorias da conspiração". Outro fato interessante aqui é que o sucessor de Lincoln na presidência foi o seu vice, Andrew Johnson. Será?


Segundo o game, a morte de Lincoln teria sido bem diferente do que aparece nos livros de História...


Com isso, começaram a pipocar na FalloutWiki várias mensagens decodificadas que aparentemente eram transmitidas na GNR. Eis aqui algumas, já com as datas "traduzidas":

19/03/2014, 4:02 - A Rainha morreu hoje. O mundo lamenta, em dias como este, todos nós somos britânicos.


24/12/2022, 4:16 - Você assistiu meu vídeo no Youtube? Eu me filmei chutando as bolas de vagabundos.


27/02/2023, 21:33 - Eu não acredito que a Britney ganhou um Oscar!


Elizabeth II morta? Britney Spears ganhando um Oscar? Segundo Fallout 3, é assim que vai ser!


A mensagem mais inquietante, no entanto, é a que tem a data mais adiantada:

06/07/2027, 1:27 - Eu não acredito que eles finalmente conseguiram. Nada mais resta. Eles foram avisados, mas continuaram a violar os limites da ciência. O som. Eu não aguento mais o som. E a luz, meu Deus! O Universo está lentamente se torcendo ao nosso redor. Eu não vou esperar pela morte. Eu tenho uma pistola no sótão.


Uma experiência científica destruindo o Universo? Este será o fim dos tempos segundo Fallout 3


A fama das mensagens crescia mais e mais, até que um dia a moderação da FallotWiki passou o cerol: apagou todos os tópicos que falavam do assunto, baniu seus criadores e colocou um filtro que até hoje impede qualquer um de postar algo relacionado ao assunto. Será que os programadores sabem de algo e esconderam isso no meio do jogo? Será que alguém está tentando impedir o mundo de saber sobre uma experiência que pode acabar com todo o Universo? E, o mais importante, será que Britney Spears ganhará um Oscar no futuro?

A verdade

Fallout 3 foi lançado em Blu-Ray e DVD. Segundo essa lenda, para ouvir as transmissões numéricas é preciso fazer uma série de coisas no jogo, certo? Nem tanto! Quem manja de programação sabe que um jogo nada mais é do que um programa de computador, e o melhor: ele usa uma mídia fácil de acessar. Como as transmissões de números são FALADAS, elas só podem estar no jogo na forma de ARQUIVOS DE ÁUDIO! Ou seja, pra ouvir as supostas "profecias", basta ripar o jogo e analizar o conteúdo do DVD. E isso já foi feito, pois dezenas de sites disponibilizam o jogo para download. Das duas uma: ou ninguém teve essa idéia (duvido, se eu soubesse fazer isso já teria feito) ou não tem nada disso no jogo.

Outra coisa: como em todo caso de profecia, os acertos só vem DEPOIS do fato acontecer, e alguns dos fatos que ainda não aconteceram tem pouca chance de dar certo: a parte que fala que a Rainha da Inglaterra morrerá em 2014 (a que diz "a Rainha morreu hoje") exigirá que Elizabeth II viva até os 88 anos e quebre o recorde do rei da Tailândia, que atualmente é o governante a mais tempo no poder na história. Só o tempo pode dizer se ela vai conseguir. E, convenhamos, é mais fácil o Corinthians ganhar a Libertadores do que a Britney Spears ganhar o Oscar! Mesmo porque com a vida nada regrada que ela leva vai ser difícil pra ela continuar viva até 2023, quem dirá atuar num filme!

Com isso, das duas uma: ou as tais transmissões simplesmente não existem ou são apenas um easter egg. Embora não haja provas de que elas não existem, tampouco alguém já provou que elas estão lá. E, na minha opinião, fatos dependem de provas. Esperemos até que essas profecias se realizem ou não.


Piores capas de jogos [28]

terça-feira, 6 de março de 2012 Postado por P.A.

E pra quem pensou que eu havia morrido, se enganou! 
Estou de volta e trouxe comigo mais cinco capas bonitinhas pra alegria - ou desespero - de vocês...
Vamos juntos nessa aventura cheia de coisas non senses e ver como a imaginação desses caras ia longe na hora de criar as capas!

King Kong - Atari
Uma capa normal de um jogo do King Kong, com o gorilão no alto do Empire State segurando a pobre e indefesa mocinha em sua mão enquanto aviões atacam o feroz animal e mais abaixo Indiana Jones escala o prédio e...
Espera, como é que é?
INDIANA JONES O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AÍ MEU FILHO?
Na boa, como o Indiana Jones foi parar numa capa do King Kong? E pior, como ele escalou o prédio mais alto dos EUA?
Alguém reparou também que o tamanho da mocinha e do Indiana está um pouco exagerado? Eles são maiores que os aviões.
Sem falar na gigantesca bomba que também está presente na capa... Bomberman também faz uma aparição no jogo do King Kong e eu não sabia?


Ballyhoo - Commodore 64
Venham, venham... O circo chegou e está cheio de atrações e principalmente, aberrações! Afinal, é a população mais feia do planeta toda reunida numa única capa!
Todos são feios nessa capa, desde o vendedor que parece usar uma máscara, passando pelo ceguinho com cara de bad boy à direita e sem esquecer do careca que parece ter levado uma marretada bem no meio da cara. Mas o pior de todos é a criança no ombro do rapaz! Criança assustadora demais; tanto que o pai nem quis pegar no colo pra num ter que olhar pra cara dele; colocou o guri no ombro assim evita contato visual.
Detalhe pra frase abaixo do título: "A sucker is born every minute!" (Um idiota nasce a cada minuto!)
Realmente, e tem que nascer muito idiota pra fazer uma capa dessas.


Cheetahmen II - NES
Cheetahmen era um jogo que vinha no clássico cartucho Action 52, onde haviam 52 jogos de excelente qualidade por um preço melhor ainda. Absurdos 199 dólares por 52 jogos de bosta! E Cheetahmen era um deles.
Claro, não demorou muito e com enorme sucesso e apelo do público, produziram Cheetahmen 2, que acabou não sendo lançado. Algum tempo depois os cartuchos que haviam sido produzidos foram lançados no mercado (sabe-se lá como) e só viraram item de colecionador, porque o jogo é uma bomba ainda maior que o primeiro!
A capa do jogo só reflete o quão lixo ele é. O Cheetahmen da direita parece estar empalhado e os três vilões ao fundo são verdadeiros processos de tão feios... Um cientista magrelo, um gorila e um rapaz com nariz maior que do Rogério Ceni. Mais tenso que isso, só jogar Cheetahmen por mais de 3 minutos!


Virtual Kasparov - Playstation
Eu sei que a intenção dessa capa foi boa... Se tratando de um jogo de xadrez, exige raciocínio do jogador pra vencer, e o rapaz na capa tenta demonstrar que está se esforçando ao máximo pra isso. Pois é, ele tenta, mas não consegue.
Pra quê essa careta de dor? É um jogo de raciocínio e lógica, não de tortura e estupro.
O mais próximo que ele consegue demonstrar com essa cara, é que está sendo enrabado pelo cavalo...


Xenon 2: Megablast - Amiga
Eu acho que não existe capa mais psicodélica que essa!
Um peixe feliz gigante com o olho "estralado", participando de uma baita rave no fundo do mar com 2DJ's e 3 ambientes. Muitas dooorgas na balada!
Imagina o grau dos caras que fizeram a capa! Certamente estavam numa viagem muito louca freak jhow...


E essa foi mais uma parte das piores capas de jogos!
As outras edições:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9
Parte 10
Parte 11
Parte 12
Parte 13
Parte 14
Parte 15
Parte 16
Parte 17
Parte 18
Parte 19
Parte 20
Parte 21
Parte 22
Parte 23
Parte 24
Parte 25
Parte 26
Parte 27

See ya!


Final Fantasy (NES)

quinta-feira, 1 de março de 2012 Postado por Tristan.ccm


Gênero: RPG



Fabricante: Squaresoft



Lançamento: 1987



Jogadores: 1 player



Recentemente, falei aqui no blog sobre como um remake pode pegar um jogo que era ruim e deixá-lo maravilhoso. Foi no meme "O que você jogou em 2011", onde falei sobre como Metroid Zero Mission para GBA resgatou para mim um jogo que eu não conseguia jogar de jeito nenhum, no caso o primeiro Metroid do nintendinho. A Nintendo ali refez um clássico do passado usando o que aprendeu ao longo do tempo, corrigindo os erros que, obviamente, toda primeira versão sempre possui.

Pois bem: o primeiro game da série Final Fantasy recebeu da Square o mesmo tratamento. Conheci esse jogo no remake para GBA, intitulado Dawn of Souls (que engloba os dois primeiros jogos). Assim como no caso de Zero Mission, zerei com gosto a versão mais moderna e isso me levou a tomar coragem e encarar a versão original do NES. E foi aí que eu vi que o trabalho da Square teve com esse remake foi bem maior do que o da Nintendo com a estréia de Samus Aran.

O enredo do jogo é bem simples: o mundo está caindo num caos total, pois as quatro orbes elementais (fogo, água, terra e ar) perderam sua energia. Uma profecia antiga falava que isso ocorreria, mas que quatro guerreiros apareceriam para resgatar o poder das orbes, e é exatamente o que ocorre: no comando dos chamados Guerreiros da Luz, o jogador deve derrotar os quatro demônios que sugam os poderes das orbes, bem como o perverso Garland, que os invocou.

Uma coisa que estreou nesse jogo e foi aproveitada em algumas sequências são as classes de guerreiros, que podem ser escolhidas logo no início pelo jogador. E é aí que os problemas começam, pois das classes iniciais a única que permite infligir dano aos inimigos logo no início é o Fighter (Warrior, nos remakes). Os Mages (White, Black e Red) só terão utilidade depois que você comprar alguma magia pra eles. Isso mesmo, comprar! As magias aqui são vendidas em lojas, e não são nada baratas! O guerreiro Black Belt até que pode ser útil, mas o pior de todos é o Thief: ladrões são muito úteis em RPGs, pois são ótimos em roubar itens dos inimigos, certo? E que tal um ladrão que NÃO SABE ROUBAR!? Exatamente, ladrões nesse jogo não roubam nada, e ainda por cima são péssimos na hora de atacar!

Esse sistema de classes completamente desbalanceado torna a aventura muito difícil, mas o calcanhar de Aquiles do jogo sem dúvida é seu sistema de batalha e evolução. Em todo RPG, quando você manda alguém atacar um inimigo e alguém mata ele antes, automaticamente o personagem passa a atacar o inimigo mais próximo, mas aqui se você mandar dois guerreiros atacarem o mesmo cara e o primeiro matá-lo, o segundo ataca o vazio! Some isso ao fato de cada inimigo dar um mísero ponto de experiência cada um e até mesmo o ato de "fazer grinding" se torna uma verdadeira tortura.

Bem, como eu disse antes, joguei a versão original de NES depois de ter jogado o remake para GBA, onde não tinha nada disso do que reclamei até agora. E talvez esse tenha sido o meu erro, pois quem comprou o jogo na época não tinha esses parâmetros de comparação. Talvez os jogadores mais antigos se adaptassem melhor a esse sistema de jogo. Mesmo assim, o fato de praticamente todos os jogos seguintes da série terem recebido as mesmas melhorias que o próprio jogo recebeu em suas versões mais atuais prova que esse sistema de RPG não funciona. Se a série não tivesse mudado, talvez esse jogo tivesse sido mesmo a "fantasia final" da Square.

NOTA FINAL: 5,5
O PRIMEIRO FINAL FANTASY MOSTROU À SQUARE O QUE ELA DEVERIA EVITAR SE QUISESSE EMPLACAR A SÉRIE. SORTE QUE ELES APRENDERAM A LIÇÃO!
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Plantão Museum: Projeto de Lei do Senado nº170 Contra os Games!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 Postado por Azrael_I

Está no ar o Plantão do Museum dos Games! Ok, chega de brincadeira que agora a coisa é séria... Pois é, lá estava eu, reunindo informação para minha próxima postagem, quando me deparo com mais um dos absurdos ridículos saídos da cachola de nossos políticos: o Projeto de Lei do Senado nº 170 de 2006(PLS nº170/06) de autoria do Senador Valdir Raupp (PMDB-RO). "Falar de Lei aqui?! Chaaato... Mas o que tem essa notícia de tão importante, Azrael?" Tudo, se você gostar de jogar videogame - e por que outro motivo estaria neste Blog, se não gostasse?
Tecnicamente, este Projeto visa alterar o Artigo 20 da lei 7.716 de 1989 (obs.: uma lei que fala sobre racismo e preconceito, vejam só...), para incluir, entre os crimes nele previstos, o ato de fabricar, importar, distribuir, manter em depósito (residências, inclusive) ou comercializar jogos de videogames ofensivos aos costumes, às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos.

Traduzindo (principalmente para quem não leu ou entendeu as leis): estão usando palavras pomposas como "ofensa à moral e aos bons costumes" para classificar como CRIME, punido até mesmo com CADEIA, MULTA E SERVIÇOS COMUNITÁRIOS, o simples ato de TER A DROGA DE UM VIDEOGAME!!! Dá licença aí um instante pra eu ir ali no banheiro vomitar...

Como diria um certo músico, "Que país é esse?" "É a P... do Brasil!", responde o povo. Várias vezes, aqui no Blog (aqui e aqui, principalmente), costumamos comentar a respeito da Violência nos videogames, até mesmo como eles realmente (pouco) afetam o comportamento dos jogadores. Mas quererem aprovar uma lei dessas é o cúmulo do absurdo e do exagero. Bicho-de-Sete-Cabeças, como dito no jargão popular. Isso sim é uma violência contra o Brasil! Como assim?

Em primeiro lugar, a tal Lei (que estaria mais para uma Emenda) não é bem clara sobre quais são os "costumes", "tradições" etc.que aborda; para o povo de diferentes partes do Brasil (lembrando que o Brasil, "gigante pela própria Natureza", é um país de povos e culturas bem diferentes em suas muitas regiões), cada costume, tradição, religião e os demais são diferentes umas das outras. COMO CARGAS D'ÁGUA GENERALIZAR ISSO?! É claro, o julgamento de quais jogos seriam então "ofensivos" caberia à Censura dos parlamentares, mas COMO uma coisa dessas pode não ser arbitrária (e injusta)? Como exemplo, mostrar imagens de santos é ofensivo para muitos Evangélicos, enquanto é normal e bem-vindo aos Católicos. Proibiriam então um The Sims que mostra cenas dentro de uma Catedral porque seria "ofensivo" ao povo Evangélico? Por essa nova lei, isso seria totalmente passível e "justo" de acontecer (não quer dizer que VÃO, mas por essa nova lei eles PODEM fazer uma coisa dessas). E jogos que mostram Mitologia, por acaso seriam considerados ofensivos a qualquer religião Cristã?

Resumindo o que quero dizer: pela PLS 170, praticamente QUALQUER TIPO DE JOGO é passível de ser vetado no Brasil (não apenas os games violentos, principal alvo declarado da nova lei), dependendo de que argumentos usassem, imaginem só! Deveriam então resumir as coisas e proibirem de vez os Videogames em nosso país, como fizeram com os Cassinos e Bingos (ironic mode on: ainda mais porque, pelo visto, Videogame vai ser considerado "jogo ilegal", e jogo ilegal fere a moral e os bons costumes... ironic mode off).

Em segundo lugar, vale lembrar que esse tipo de censura vai mexer no lugar que mais dói de muita gente: o bolso. E não falo apenas dos comerciantes e importadores de videogames, mas do próprio Comércio do Brasil, justamente um dos que mais cresce no mundo. Importação, venda, câmbio, fabricação, design, é tudo um mercado multimilionário mundial, do qual o Brasil faz parte. Só o jogo Pokémon Black para o Nintendo DS vendeu mais de 7,1 milhões de unidades em 2011 (fonte: Revista Mundo Estranho nº118), e claro que o Mercado Internacional (não apenas o de videogames) não veria com bons olhos um país com leis tão restritivas a um comércio tão importante; maus olhos = menos investimentos = menos $$$$; isso é Economia básica. Se alguém ainda discorda do impacto que isso pode ter na Economia, deixo aqui as palavras de Moacyr Alves Júnior, presidente da Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games(Acigames):
“Para ter uma ideia do sucesso do mercado de games no Brasil, em 2011 realizamos o dia do Jogo Justo [venda de jogos sem impostos]. Batemos um recorde com cerca de 10 jogos vendidos por segundo, esgotando um estoque de 55 mil games em 3 horas. Esse projeto de lei irá prejudicar diversos setores por conta da falta de conhecimento do senador. (...) Também precisamos considerar dois fatores: uma restrição desta forma constituiria uma violação à liberdade de expressão e também abriria ainda mais as portas à pirataria de games” (Fonte)

Senador Valdir Raupp, Inimigo nº1 dos Games... e do Brasil

O que mais me incomoda nessa história toda não é nem o projeto em si (que, aliás, me incomoda mesmo, me incomoda MUITO, me incomoda DE VERDADE... deixa eu ir ali bater a cabeça na parede pra me acalmar...). O que realmente me deixa indignado é a velocidade com que uma lei INÚTIL dessas está sendo aprovada. Inútil? Claro que sim! Como toda a comunidade gamer está cansada de saber, quando querem proibir um ou mais jogos de serem lançados/comercializados no Brasil, os nossos parlamentares são bem eficientes nisso, sem precisar de droga de lei complementar nenhuma; ou por acaso já se esqueceram que jogos como GTA, Rapelay, Counter Strike, EverQuest e Bully são proibidos há anos de pisarem em terras tupiniquins? Detalhe: Counter Strike e EverQuest foram proibidos justamente na época da publicação do tal PLS nº170, como "amostras grátis" do que seria!
Ou seja, leis restritivas ao comércio, posse e fabricação de games JÁ existem; há REALMENTE necessidade para mais uma lei no emaranhado Código Penal Brasileiro sobre isso?! Temos há muito mais tempo projetos de leis, emendas etc. muitíssimo mais importantes para a sociedade brasileira e que sempre esbarram num "entrave" legal; cito como exemplo a Proposta de Emenda Constitucional nº300, que ficou famosa recentemente devido à  greve dos Policiais e Bombeiros na Bahia, que se já tivesse sido aprovada teria evitado toda a confusão das últimas semanas (vejam só o andamento da coisa, e de quantos entraves tem). Por outro lado, o aumento salarial dos deputados é feito com uma velocidade... Ou seja, quando a coisa LHES CONVÉM, nossos políticos são bem ágeis e eficientes, não é mesmo?

Isso tudo, sem contar que essas leis NÃO CONSEGUEM PROIBIR AS PESSOAS DE JOGAREM; a maior parte dos games proibidos é comercializada livremente no comércio dito "paralelo": pirataria, contrabando e Internet. Depois, vêm as autoridades reclamarem do aumento da pirataria no Brasil...

Em uma época como a que estamos enfrentando atualmente, em que internautas do Mundo inteiro protestam contra a aprovação de leis como a SOPA, PIPA e ACTA e contra o fechamento do site MegaUpload, é uma triste e estranha coincidência que uma lei tão ditatorial quanto essa PLS nº170 esteja em vias de votação no Senado Brasileiro. Ela já recebeu o parecer positivo da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) dia 15 de fevereiro e está prestes a ser votada (apenas a data não foi decidida). E o que se pode fazer a respeito disso? De minha parte eu estou tentando pelo menos divulgar estas informações, já que muitos nem imaginam que uma coisa dessas esteja acontecendo no Brasil.

Eu peço desculpas aos leitores habituais do Museum, uma vez que a proposta primária do Blog é falar a respeito de jogos antigos; entretanto, não se esqueçam que, se aprovada, a PLS nº170 irá afetar QUALQUER UM que tenha em sua posse videogames não aprovados pela Censura, e isto pode incluir até mesmo games antigos (os sebos e lojas que vendam produtos retrô que se cuidem...)! Eu, como jogador e grande fã de videogames me sinto sinceramente afetado e lesado por uma coisa dessas, ainda mais pela pouca capacidade que tenho de agir contra a aprovação de tamanho absurdo. Se tiverem mais sugestões, digam-nas, por favor, vamos tentar salvar o pouco de dignidade que ainda temos neste Brasil...



Se quiserem (e ainda tiverem resistência para) ler mais, cito aqui alguns dos sites que consultei antes de escrever: este, este, este, este, este e este.