Mostrando postagens com marcador PC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PC. Mostrar todas as postagens

Heretic (PC)

sábado, 12 de novembro de 2022 Postado por P.A.

 
Gênero: Tiro em primeira pessoa


Fabricante: Raven Software


Lançamento: 1994


Jogadores: 1 player





Quando Wolfenstein 3D e principalmente Doom, explodiram nos anos 90 era natural que muitos jogos derivados surgiriam pra aproveitar o hype. A maioria acabou sendo apenas meras cópias baratas, mas Heretic não. O jogo é sim muito inspirado em Doom, inclusive pega muitos conceitos como as fases que precisam de chaves pra abrir portas e até a similaridade na questão das armas serem equivalentes as armas de Doom; mas Heretic possui vida própria e não se limitou apenas em ser o primo pobre de Doom, ele ousou ser uma alternativa diferente para os jogadores que queriam uma experiência nova no gênero de tiro em primeira pessoa. Fabricado pela Raven e distribuído pela iD Software (desenvolvera de Wolf 3D e Doom), o jogo usava a mesma engine de Doom e não apenas isso, mas seu desenvolvimento contou com a contribuição de ninguém mais do que Johnn Carmack e John Romero, criadores de Doom! 
 
Assim como Doom, Heretic  também mostrava um mapa entre as fases!

Deixando de lado a temática espacial do marine que usa armas mundanas para acabar com hordas de demônios, em Heretic a temática é medieval com nosso herói elfo usando armas mágicas para derrotar as criaturas dos mais variados tipos.
Infelizmente o jogo não explica inicialmente qual a história do mesmo. O jogador simplesmente é jogado na primeira fase sem nenhuma explicação. A história só está presente no manual e vai sendo contada em textos após a conclusão de cada capítulo.
Havia uma raça de elfos anciões chamada Sidhe, eles detinham o controle dos Tomos do Poder (livros com capa preta que também são itens usáveis no jogo). Os livros continham a profecia do Armagedom: "Os três vêm das selvas orientais e eles terão domínio sobre todos os que neles crerem. Aquele que tem ouvidos, ouça que os filhos dos Sidhe serão levados diante deles e no dia em que os filhos dos Sidhe não existirem mais, a Terra será perdida para sempre no Abismo."
Eis que o dia da profecia finalmente chegou e os três Cavaleiros conhecidos como os Serpent Riders chegaram, eram eles: D'Sparil, Korax  e Eidolon. 
Eles usaram magias poderosas para dominar os Sete Reinos de Parthoris (mundo de Heretic) corrompendo seus reis e dominando seus exércitos
. Porém os elfos, seres poderosos e imunes ao feitiço dos cavaleiros e sabendo da profecia, não sucumbiram aos cavaleiros e por isso foram considerados Hereges (daí o nome do jogo caso você não tenha notado). 
Depois de controlar as grandes nações, dois dos Cavaleiros deixaram esse mundo. Apenas D'Sparil, o mais fraco deles, permaneceu em Parthoris enquanto seus outros dois irmãos foram em busca de dominar outros mundos.
Uma guerra entre os reinados e os elfos aconteceu e os poucos elfos que sobraram tiveram que fugir e se esconder. Exceto um elfo corajoso, o personagem que nós controlamos. Sozinho ele parte em busca de vingança contra D'Sparil e seu exército de criaturas bizarras jurando que vai derrotar o Serpent Rider e vingar seu povo.

Como outros jogos da época, Heretic inicialmente foi lançado como uma versão shareware: o jogador tinha acesso ao primeiro capítulo inteiro. Caso gostasse do jogo, deveria fazer um registro e comprar a cópia completa do jogo que viria por correio contendo os outros dois capítulos. Anos depois foi lançado uma versão em mídia física vendida em lojas de varejo intitulada de Heretic: Shadow of the Serpent Riders, que continha dois capítulos extras, novos mapas multiplayer e três novas armas.

Como dito anteriormente, Heretic é uma aventura de magias e monstros num mundo medieval. Então o arsenal de armas do nosso personagem será bem variado contendo oito armas, sendo as duas primeiras as únicas que não precisam de munição:  
Staff - um bastão de madeira (o mais inútil);
Gauntlets - luvas que dão choque nos inimigos;
Elvenwad - a arma básica de magia,é similar a pistola em Doom. Um cajado que dispara tiros fracos;
Crossbow - uma besta com tiro e poder similar a shotgun, e provavelmente a arma mais "confiável" e que você usará por mais tempo;
Dragon's Claw - uma luva mágica similar a uma metralhadora leve, não causa muito dano mas é ideal pra metralhar vários inimigos num corredor;
Hellstaff - arma mágica similar a arma de plasma de Doom, causa mais dano e atira mais rápido que a Dragon's Claw. É a segunda arma mais usável do jogo;
Phoenix Rod - um cajado dispara bolas explosivas e poderosas, similar a uma bazuca. Mas seus tiros podem causar dano no próprio jogador se o inimigo atingido estiver próximo;
Firemace - apesar da aparência de  maça de ferro, não é de combate corpo-a-corpo. Lança pequenas bolas na direção dos inimigos. 
 
Heretic usou a mesma engine de Doom, portanto é natural que ele se assemelhe graficamente. Porém em Heretic o jogo é um pouco mais colorido - exceto algumas partes que são escuras propositalmente pra que você use a tocha, só pra lembrar que ela está lá no seu inventário. Os inimigos são grandes  e detalhados, mas quando você se aproxima bastante, eles ficam bem serrilhados; o que poderia não ser um problema pra época mas que não envelheceu bem. O legal é que cada inimigo tem um pequena animação de morte; os Golems por exemplo, explodem e sai um pequeno fantasminha do corpo. 

A trilha sonora é boa e dita o ritmo de ação do jogo, apesar de tão ser tão memorável como as músicas de Doom. Os efeitos sonoros das armas são razoáveis, eu particularmente não gosto do som dos tiros da Dragon's Claw; os demais são aceitáveis. O destaque mesmo fica pros efeitos sonoros dos inimigos e pros sons que ficam ecoando pelos cenários, com barulhos e grunhidos que criam uma atmosfera sombria dando um ar de tensão o tempo todo.

Em Heretic podemos coletar munição e diversos itens pelo cenário; alguns inimigos quando mortos também deixam munição pras suas armas. Assim como em Doom, o jogador precisa coletar chaves (amarela, verde e azul) para abrir as portas das respectivas cores. Existem inúmeras passagens secretas e botões pra serem acionados que vão abrir portas, o único problema é que quando você aperta um botão só ouve um barulho de engrenagem mas não sabe exatamente o que e onde abriu, por isso terá que voltar e explorar pra ver o que mudou no cenário.

Uma das coisas mais legais que Heretic trouxe foi um inventário, com itens que são coletados pelas fases e podem ser usados quando o jogador decidir; diferentemente de outros jogos que os itens eram usados automaticamente quando o jogador passava por cima. Entre os itens temos o Quartz Flask que recupera 25% da saúde do jogador, uma tocha pra iluminar lugares mais escuros, um anel de invencibilidade que deixa a tela toda dourada complicando bastante a visão do jogador, o já citado Tome of Power que potencializa todas suas armas dando a elas tiros especiais por alguns segundos; um ovo que transforma os inimigos em galinhas e muitos outros itens. Você pode coletar vários do mesmo item pelos cenários e deixar no seu inventário, mas estranhamente quando você passa de fase os itens que tem várias unidades são praticamente zerados deixando apenas uma única unidade. Portanto não economize durante as fases, pode gastar a vontade já que só vai levar um de cada quando passar pro próximo nível!
Todas as informações como a vida do personagem, a quantia de munição da arma em punho, o item selecionado e as chaves que você tem aparecem no HUB  na parte de baixo da tela. Diferentemente de Doom e Wolf 3D, o rosto do nosso personagem não está ali na barra; o jogo inclusive sequer cita o nome do personagem em momento algum, nem no manual. O que acaba deixando o herói sem carisma nenhum.

Os comandos de Heretic são simples, mas eu nunca entendi as teclas escolhidas pra selecionar os itens. As setas movem o personagem, o botão CTRL atira, o SHIFT corre, o ALT faz o personagem andar lateralmente (útil pra desviar dos projéteis inimigos), o TAB abre o mapa, o ENTER usa o item que estiver selecionado e a barra de espaço é o botão de ação que abre portas e ativa botões. Até aqui tudo ótimo, o problema ficou mesmo pros botões que servem pra escolher os itens no menu: as duas teclas ao lado do P no seu teclado, um vai pra esquerda e o outro pra direita na barra de itens que aparece na tela. São dois botões longe dos demais o que dificulta sua vida, principalmente se você estiver desesperado fugindo de inimigos e desviando dos tiros deles e precisar selecionar uma poção pra recuperar sua vida. E as configurações do jogo não permitem mudar os botões. Fica a dica, apertando o botão PAUSE do teclado  o jogo obviamente pausa, mas é possível escolher os itens enquanto a tela estiver pausada, então esse é o melhor jeito de escolher o item do inventário antes de voltar pro tiroteio frenético. Existe um segundo jeito também, segurando o SHIFT e apertando o ENTER ele não usa o item, mas vai mudando pro próximo item cada vez que apertar o ENTER.
 
Cada inimigo têm diferentes animações pras mortes!
 
Uma coisa que era destacada até pela capa do jogo era o fato que agora você poderia olhar pra cima e pra baixo, diferentemente de Doom. Porém isso não serve pra absolutamente nada no jogo, já que os tiros vão automaticamente na direção do inimigo, independentemente se ele estiver acima ou abaixo de você, desde que ele esteja na sua linha de tiro. E as teclas aqui também estão em posições bem ruins, o PAGE DOWN olha pra cima (pois é!), o DELETE olha pra baixo e o END centraliza a visão. Existe um item que faz nosso personagem voar por alguns segundos e os botões de voo também são ruins: PAGE UP sobe e o INSERT desce. A escolha das teclas foi muito infeliz por parte dos desenvolvedores.

Você pode escolher a dificuldade do jogo, mas no geral a IA é bem trabalhada e em alguns momentos se torna um pouco difícil. Os inimigos  atacam em bandos e sempre que podem tentam te cercar e muitas vezes eles conseguem, principalmente quando você não está esperando e abrem-se passagens secretas ao seu redor cheias de monstros! Tirando D'Sparril que é um pouquinho mais chato de matar, pois ele fica se teletransportando, as lutas com os chefes acabam não sendo tão difíceis, pois quando você vai enfrentá-los vai estar com um arsenal de armas e itens que acaba tornando o trabalho mais fácil do que durante a jornada até eles.

 

NOTA FINAL: 7,5 

HERETIC NÃO TINHA VERGONHA DE SER BASEADO EM DOOM EM VÁRIOS ASPECTOS, POIS MESMO COM AS SEMELHANÇAS ELE CONSEGUE SE DESTACAR, PRINCIPALMENTE COM A IDEIA DO INVENTÁRIO QUE SEM DÚVIDAS ENGRANDECE SUA GAMEPLAY!

Plataforma:


Doom (PC)

sexta-feira, 9 de novembro de 2018 Postado por P.A.



Gênero: Tiro em primeira pessoa


Fabricante: ID Software


Lançamento: 1993


Jogadores: 1-4 players versus







Depois do enorme sucesso de Wolfenstein 3D, a equipe da ID Software queria continuar sua ascensão e já planejava emplacar um novo jogo.
Antes mesmo de começarem a criar o jogo ou definirem qual seria a temática, eles já haviam decidido qual seria o nome: Doom! A ideia partiu de John Carmack, que pegou uma fala de um filme chamado "A cor do Dinheiro", onde Tom Cruise chama carinhosamente seu taco de sinuca de "Doom" (Perdição, em tradução livre).
Depois disso eles resolveram fazer um jogo com temática diferente de Wolf 3D e portanto não queriam mais enfrentar seres humanos. Como eram viciados em Dungeon and Dragons, os rapazes da ID resolveram que seria legal lutar contra os demônios do jogo de tabuleiro que eles amavam!

Um ano antes, os rapazes conheceram Scott Miller; um jovem visionário dono da empresa Apogee Software, que criou um modelo de distribuição de jogos pela internet onde ele liberava uma pequena amostra grátis - como uma demo - e depois o usuário teria que pagar e comprar o jogo completo caso interessasse. Esse modelo ficou conhecido como Shareware!
 O pessoal da ID logo achou que esse seria o melhor jeito de distribuir seus jogos, e fez isso com Wolf 3D e também com o seu novo jogo, Doom!

Doom começou a ser disponibilizado com 5 primeiros níveis como demonstração.
O jogo completo possuía 3 episódios ("Knee-Deep in the Dead"; "The Shores of Hell" e "Inferno") com 9 níveis cada, que foram vendidos por shareware e por correspondência. No ano seguinte Doom recebeu um atualização intitulada de "The Ultimate Doom" que acrescentava um novo episódio ("The Flesh Consumed") e passou a ser vendido em lojas de varejo também!

Em Doom, entramos na pele de um fuzileiro espacial - que era popularmente chamado de Doom Guy, já que não possuía um nome - enviado pra Marte para trabalhar para a Union Aerospace Corporation (UAC). A UAC era um complexo militar-espacial que estava realizando experiências secretas com teleporte entre as luas de Marte - Phobos e Deimos. Como já era de se esperar, algo dá errado e Deimos simplesmente desaparece, enquanto criaturas do inferno começam a se teleportar para a base em Phobos, que foi rapidamente dominada pelos demônios. Uma equipe da UAC em Marte é enviada para Phobos para investigar o incidente, mas logo todos são mortos exceto, óbvio, você! Agora, Doom Guy terá que lutar contra hordas intermináveis de demônios para impedir que eles consigam chegar até a Terra!


John Carmack era um jovem programador obcecado por trabalho e que queria sempre entregar algo muito melhor do que o projeto anterior. Ele trabalhou por dias para criar um nova engine pro Doom que deixou todo mundo na Id Software impressionado!
Doom possuía muitas novidades em relação ao seu antecessor, como altura das salas, mapeamento de textura no chão e no teto, fases interativas com plataformas que sobem e descem, degraus, pontes e um dos pontos fortes: a iluminação, que contribuía para dar um visual mais sombrio pro jogo!
Os sprites dos monstros foram feitos de argila e depois escaneados para o computador. E os rapazes soltaram a imaginação para criar as criaturas mais bizarras e inimagináveis... Os cenários eram todos em 3D, mas os sprites dos inimigos e dos objetos eram 2D. Porém quando você girava em torno deles eles iam girando junto, dando uma impressão de 2.5D!

Assim como Wolf 3D, Doom é um jogo de tiro em primeira pessoa que te dá um arsenal variado para enfrentar seus inimigos. Você começa apensa com uma pistola e seus próprios punhos, mas conforme avança pelo jogo você pode encontrar a Shotgun, Machine Gun, uma bazuca, uma arma de plasma e até uma moto-serra (que substitui seus punhos)... E claro, não podemos esquecer da arma mais foda e apelona do jogo: a BFG 9000 (Big Fucking Gun).
Além das armas e munições, existem diversos itens para coletar. Medkits e armaduras, roupas de radiação para caminhar pelos rios tóxicos sem levar dano e até itens que deixam o jogador parcialmente invisível ou invulnerabilidade.

Para progredir nas fases, você deve explorar todas elas muito bem, já que existem muitas passagens secretas pelo jogo e geralmente elas escondem interruptores e cartões magnéticos que abrem portas - que se diferenciam por cores. Você deve percorrer os níveis e encontrar uma porta com a palavra EXIT para pode passar pro nível seguinte.
Algumas fases são bem grandes e labirínticas, assim como eram em Wolf 3D, mas agora a ID acrescentou um mapa que é muito útil para que você possa identificar áreas que já visitou e consiga ter uma noção de onde falta explorar. Acredite, o mapa fez muita falta em alguns levels de Wolfenstein 3D!

Além do modo single player Doom possui dois modos multiplayer que poderiam ser jogados por uma rede local ou pela internet. No modo cooperativo 2 a 4 jogadores se juntam para jogar a campanha. No Deathmatch até 4 jogadores podem se digladiar entre si... O modo Deathmatch surgiu de uma "discussão" entre John Romero e John Carmack para ver quem era o melhor no jogo!

Doom foi o primeiro jogo à possuir o modo Deathmatch, que viria se tornar obrigatório em jogos de tiro!

Devido seu alto grau de violência e referências satânicas, Doom gerou um misto de emoções. Os jovens obviamente adoravam o jogo, mas os pais e pessoas mais velhas repudiavam completamente aquele show de demônios e sangue por todo lado!
E para piorar ainda mais a situação, Doom acabou marcado também por tiroteios em escolas dos Estados Unidos. O caso mais emblemático ocorreu em abril de 1999, onde os garotos Eric Harris e Dylan Klebold (fanáticos pelo jogo) mataram doze alunos e um professor da escola onde estudavam... Os garotos ainda trocaram tiros com a polícia e depois se suicidaram. O caso ficou mundialmente conhecido como "Massacre de Columbine".

Nos anos seguintes, Doom ainda foi portado para diversas plataformas como SNES, Mega Drive 32X, Playstation, Saturn, 3DO, GBA e muitas outras plataformas.



NOTA FINAL: 9,0
APESAR DAS CRÍTICAS E POLÊMICAS, DOOM CONSEGUIU SE SOBRESAIR E SUPERAR SEU ANTECESSOR WOLFENSTEIN 3D COM GRANDES MELHORIAS E JOGABILIDADE FRENÉTICA. DOOM ERA TUDO QUE WOLF 3D TINHA SIDO UM ANO ANTES, SÓ QUE MUITO MELHOR!
Plataforma:


Grim Fandango (PC)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018 Postado por P.A.


Gênero: Adventure/Point-and-click


Fabricante: LucasArts


Lançamento: 1998


Jogadores: 1 player









Os anos 90 foram uma época de ouro pra jogos de Adventures (popularmente conhecidos como point-and-click), e a LucasArts era mestre no gênero. A empresa lançou diversos títulos que são cultuados até os dias de hoje e Grim Fandango é um deles!
A história e o design dos personagens do jogo são baseados no "Día de los muertos", uma data comemorativa mexicana, similar ao Dia de Finados por aqui, só que com muitas comemorações e festas!

O jogo te coloca na pele de Manuel Calavera - também conhecido como Manny Calavera - um agente de viagens do mundo dos mortos que precisa conseguir vender pacotes de viagens para os mortos que vão chegando no Submundo. Os pacotes são baseados na índole da pessoa enquanto viva, e quanto melhor ela for em vida, melhor será seu pacote de viagem para o nono submundo, que pode variar entre ir direto pelo Expresso nº 9 ou ir a pé por todo o caminho... Manny precisa de bons clientes para acumular pontos e finalmente conseguir uma passagem pro seu merecido descanso eterno. Acontece que todos as boas almas acabam indo pro seu rival na empresa - Domino - e Manny acaba ficando apenas com os piores. Intrigado com essa situação, Manny acaba 'roubando' uma cliente premiun, a quase santa Mercedes Colomar. Porém ele foi levado a crer que ela não era premiun e acabou mandando ela ir a pé, no pior pacote de viagens. Desconfiado que está sendo passado pra trás, Manny precisa investigar à fundo a agência de viagens e desmantelar uma rede de corrupção no mundo dos mortos, ao mesmo passo que tem que resgatar a pobre Mercedes Colomar da longa viagem a qual ele a enviou.

O jogo é divido em quatro capítulos, que são equivalentes a quatro anos na Terra dos Mortos.
Grim Fandango é um daqueles jogos com humor na dose certa. A começar pelo personagem principal, que é um canastrão de marca maior que sempre tenta levar vantagem, mas acaba sempre se dando mal... Os textos e os personagens do jogo são muito bem trabalhados e dão uma profundidade à história, tornando-a dramática e divertida sem forçar a barra.

O jogo possui cenários renderizados em 2D, mas personagens e objetos são em 3D, com ótimas animações. Com isso, as máquinas da época não precisavam focar no cenário e centralizavam suas forças na movimentação e no design dos personagens, tornando o jogo mais fluido.

É assim que o mundo dos vivos é representado no jogo!
A música do jogo é muito tranquila (parece um Jazz), que encaixa bem no desenrolar na aventura, dando até um toque cômico. O destaque aqui fica pras dublagens, principalmente pra nós brasileiros. O jogo está todo dublado, coisa comum hoje em dia, mas muito rara nos anos 90. Manny possui um portunhol muito engraçado e com certeza vai te fazer morrer de rir (trocadilho infame)...

Apesar dos point-and-clicks terem uma jogabilidade básica apenas com o mouse, em Grim Fandango a LucasArts resolveu inovar. Você usa apenas o teclado/joystick e move o personagem pelo cenário, que por sua vez move a cabeça na direção de objetos ou personagens que possuem interação... Não ficou ruim e o movimento de Manny com a cabeça indicando pontos de interesse torna tudo mais fácil, mas acredito que o gênero é mais indicado para o mouse.
O jogo tem inúmeros puzzles, como é de praxe em jogos do gênero, e você vai ter que conversar com muita gente e coletar diversos itens para conseguir progredir no jogo. A maioria dos puzzles é bem simples, mas sempre tem um ou outro que vai lhe dar muito trabalho e fazer quebrar a cabeça... E prepare-se para passar inúmeras vezes pelos mesmos locais.

 

Como eu sempre digo sobre Adventures, eles não tem um fator replay. Por mais que o jogo seja divertido, depois que você termina não dá vontade de jogar novamente, pois você já sabe como resolver todos os puzzles e acaba não tendo mais tanta graça assim.
Em 2015, o jogo foi remasterizado e lançado para Ps4, PsVita e PC!



NOTA FINAL: 9,0
GRIM FANDANGO É UM CLÁSSICO QUE SEGUE A CARTILHA DOS - INFELIZMENTE FALECIDOS - ADVENTURES; COM UMA BOA HISTÓRIA, PERSONAGENS ENGRAÇADOS E MUITOS PUZZLES PRA TE FAZER QUEBRAR A CABEÇA!
Plataforma:


Dangerous Dave (PC)

sábado, 23 de julho de 2016 Postado por P.A.

Gênero: Ação / Plataforma


Fabricante: SoftDisk


Lançamento: 1990


Jogadores: 1 player




Dangerous Dave foi um jogo lançado originalmente em 1988 para Apple II, por John Romero (que seria conhecido futuramente por clássicos como Wolf 3D e Doom) para 'acompanhar' um artigo de uma revista da época, conhecida como UpTime. Algum tempo depois, Romero foi contratado pela SoftDisk que pediu a Romero e sua equipe que lançassem dois jogos para acompanhar a edição da revista daquele mês... Com prazo apertado, Romero resolveu portar seu jogo Dangerous Dave para os computadores (o outro jogo foi Catacumb, de John Carmack, também portado do Apple II).
Foi trabalhando na Softdisk que John Carmack, Adrian Carmack, John Romero e Tom Hall se conheceram e algum tempo depois se juntariam para fundarem a id Software e lançarem clássicos que conhecemos o cultuamos hoje.

Não tente pegar todos os itens, pois é impossível!

A história do jogo é digna de um filme... De um filme com Nicolas Cage e Kristen Stewart.
Clyde Cooper, é filho de um cientista da NASA (e essa informação não serve pra nada), que ganhou inúmeros troféus de skate. Você - Dave Perigoso - tem inveja das conquistas do garoto e faz uma aposta com ele pra pegar os troféus pra você. Você acaba ganhando a aposta e consequentemente os troféus, mas Clyde não gostou nada disso (óbvio!!!!) e resolveu esconder os troféus em um esconderijo de um pirata! MAS COMO CARALHOS UM SKATISTA FILHO DE UM CIENTISTA DA NASA CONHECE UM ESCONDERIJO DE UM PIRATA?
Agora cabe à você, enfrentar monstros, lava, água assassina e tudo mais que possa te matar, só pra pegar os troféus que nem eram seus, seu invejoso de merda! 

Dangerous Dave teve fortes influências do maior ícone da Nintendo: Super Mario. O design dos cenários, as warp zones, os inimigos e principalmente e o herói que pula serviram de inspiração.
O jogo contém dez fases e mais quatro áreas secretas (as ditas warp zones), sendo que a primeira fase serve como um tutorial e a dificuldade vai aumentando bastante nas fases finais.
 Os efeitos sonoros são bem simples - típicos da época - que são emitidos apenas pelo speaker do computador.

Ao longo das fases você encontrará dois itens fundamentais para sua jornada de ladrão de troféus alheios: a arma (que eu não preciso explicar pra que serve, pois todos já devem imaginar) e o JetPack (que eu também não vou explicar, pois assim como a arma, acredito que todos saibam sua função... Mas eu poderia ter explicado no tempo em que passei digitando isso aqui). Os tiros da arma são infinitos, mas só podem ser dados um de cada vez, acredito eu, pelo fato do jogo não conseguir processar dois tiros ou mais na tela de uma só vez. Já o combustível do JetPack é limitado e deve ser usado com moderação, pois muitas vezes você precisa dele para alcançar o troféu.

O objetivo do jogo, como já dito, é pegar os troféus espalhados pelas fases. Ao pegá-lo, surge a mensagem "GO THRU THE DOOR!" na parte de baixo da tela, indicando que você pode entrar na porta e ir pro próximo level.

TERRA À VISTA, CABRAL!!!!!!!

Os comandos são bem simples: com a seta pra cima você pula e com esquerda/direita move o personagem. O Ctrl atira e o Alt serve pra ativar/desativar o JetPack.
A movimentação do personagem é um pouco travada, creio que propositalmente, para dificultar um pouco o jogo. Por isso, calcule bem seus pulos pra não se arrepender.
É complicado acertar inimigos também, pois eles se movimentam (óbvio!!!!) e é preciso calcular bem o timing pro tiro acertá-los.
Tome cuidado com qualquer coisa do cenário: água, ervas daninha, fogo... Dave é muito sensível e morre pra quase tudo!

Não há um fator replay em Dangerous Dave, até porque as fases finais são muito desafiadoras e provavelmente depois de terminar o jogo, você não vai querer passar por tudo de novo tão cedo.


NOTA FINAL: 7,0
DANGEROUS DAVE É UM CLÁSSICO JOGUINHO DE PLATAFORMA DA VELHA GUARDA. DIVERTIDO ATÉ HOJE, MESMO SENDO BASTANTE DESAFIADOR NAS FASES FINAIS!
Plataforma:


Diablo (PC)

sábado, 5 de julho de 2014 Postado por P.A.

 
Gênero: RPG


Fabricante: Blizzard


Lançamento: 1996


Jogadores: 1 player (ou 4 players online)





Eu realmente gosto da Blizzard. Acho uma das melhores empresas do mundo dos jogos, não apenas pelos ótimos títulos que lança, mas pelo respeito que a empresa mostra com os jogadores. Não é uma empresa mercenária (ouviram EA e Capcom?) e nem lança jogos à rodo sem se preocupar com a qualidade (essa foi pra você Activision); pelo contrário, a empresa é conhecida pela demora até exagerada com que lança seus jogos, vide a espera quase interminável que os fãs de Starcraft e Diablo sofreram até que suas sequências fossem lançadas.
Em 1994 a empresa já havia lançado o que seria um dos seus carros-chefe: Warcraft. Dois anos depois, tivemos o lançamento de outro jogo que viria a se tornar um clássico. Sabendo das limitações da época, a Blizzard fez o que de melhor poderia com Diablo. É um jogo simples, com interface agradável e com ação frenética e que não dá folga ao jogador, sem cut-scenes ou pausas. Você terá que detonar seu mouse durante a descida ao inferno.

Tristram e os poucos moradores que restaram!

A história de Diablo é seu ponto forte e ao mesmo tempo seu deslize.
Tudo começa muito antes do início do jogo. Desde os primórdios, sempre houve a luta entre as forças da luz contra as forças das trevas.  Os três senhores do mal mais fortes (Mephisto, Baal e Diablo) precisavam ser detidos e aprisionados. Para essa difícil tarefa foi criada uma ordem secreta de magos conhecida como Horadrins. Eles conseguiram aprisionar Mephisto e Baal dentro de artefatos mágicos poderosos conhecidos como pedras das almas, mas Diablo conseguiu fugir dos magos. Depois de muitas décadas de procura e de uma violenta batalha, os magos liderados por Jered Cain finalmente conseguiram prender Diablo na última pedra das almas e a enterraram numa caverna em Khanduras. Os magos então construíram um grande monastério e uma rede de túneis sobre as cavernas; e logo uma cidade se formou ao redor do monastério, nomeada de Tristram.
Depois de algum tempo, um poderoso senhor do norte, chamado Leoric veio até essas terras e se proclamou rei. Leoric era muito bondoso e religioso, e trouxe consigo inúmeros cavaleiros, sacerdotes e o arcebispo Lázaro. Diablo que estava adormecido, finalmente acordou e se apossou do corpo do arcebispo, do rei Leoric e de seu jovem filho Albretch.
A cidade ficou numa completa escuridão, e as poucas pessoas que restavam, fugiam para outras cidades.
Agora Tristram estava completamente destruída, e logo o domínio no corpo do jovem Albretch estaria completo e finalmente Diablo estaria livre novamente no mundo dos homens.

Como vocês podem ver, a história de Diablo é muito extensa, interessante e repleta de detalhes! Porém tudo isso que eu escrevi não é mostrado em momento algum para o jogador; a história esta apenas no manual. O vídeo de introdução é simples e não mostra absolutamente nada. O jogador escolhe seu personagem e já é jogado direto na vila de Tristram sem sequer ser informado de nada. Uma lástima!
As informações que o jogador recebe vem de conversas com os poucos moradores que restaram em Tristram (apenas 8 pessoas) e de alguns livros encontrados nos labirintos. 
E se por um lado a história é complexa e repleta de detalhes; o nosso herói vai pelo caminho contrário. Você toma o controle de um herói solitário e corajoso que apenas quer fazer o bem e resolve se aventurar pelos labirintos do monastério. O herói não mora em Tristram ou sequer tem um real motivo pra colocar sua vida em risco. Apenas acordou de bom humor e resolveu tentar arriscar sua vida pra salvar o mundo.

Antes de começar a aventura, o jogador pode escolher entre três classes: o guerreiro, a arqueira e o mago. O guerreiro é o mais forte e resistente, mas é fraco com magias. A arqueira é a personagem mais equilibrada, podendo usar boas magias e ataques normais com seu arco, apesar de não ser tão resistente a porradas como o guerreiro. Já o mago é o mais difícil de usar; apesar de muito forte com magias (óbvio!!!!) ele é um verdadeiro saco de pancadas. Existem diversos equipamentos para você equipar seu personagem - entre espadas, machados, arcos, armaduras, capacetes, anéis, cajados e muitos outros. Existem também livros que ensinam magias aos personagens. Não há uma restrição para usar os equipamentos ou magias, a não ser pela quantidade de pontos no status necessários para cada item, mas se seu personagem tiver os pontos necessários não haverá problemas. Um guerreiro poderá usar uma magia, por exemplo, caso tenha pontos suficientes; assim como o mago poderá utilizar uma espada ou um arco. Claro que nesses casos, não terão a eficácia que se espera; mas é bizarro notar que não há uma restrição para cada classe e cada equipamento ou magia.
Quando isso acontecer, esteja ciente que fudeu muito!

Graficamente Diablo não é nenhum primor, mas também não faz feio! O jogo possui uma atmosfera sombria, com cenários bem escuros. Além disso, o jogador tem uma visão de cima; no que nós conhecemos por visão isométrica. O sprite do herói é simples, mas tem alguns detalhes legais, como os equipamentos que vão aparecendo conforme você vai se equipando, mas nem todos os equipamentos aparecem no nosso herói. Os inimigos também são simples mas bem diversificados e muito bem animados.
As músicas acompanham o clima sombrio do jogo, e se não chegam a ser um destaque também não comprometem. A dublagem é muito boa e os efeitos sonoros também cumprem bem seu papel. Único ponto negativo é o barulho dos passos do nosso personagem, que acaba irritando depois de um tempo.

Diablo é um jogo muito fácil de ser jogado. O jogador só precisa usar o mouse para dar os comandos pro personagem. Com o clique do mouse você ordena que o personagem se mova até o lugar desejado, converse com pessoas, abra baús e ataque os inimigos. Apertando o TAB você abre um mapa do cenário que vai sendo descoberto conforme você explora o local. O mapa é muito útil e ele fica sobreposto ao jogo; apesar de achar estranho no começo, você logo vai preferir deixar o mapa aberto ao mesmo tempo que avança para saber pra onde ir. Essa foi uma sacada interessante da Blizzard pra driblar as limitações da época e colocar o mapa pra auxiliar o progresso do jogador.

Um bom aventureiro sempre anda com seu mapa!

O personagem tem um cinto com 8 espaços pra que você equipe itens - poções e pergaminhos de magia - e possa usá-los rapidamente sem a necessidade de abrir seu inventário, visto que quando você abre o inventário, o jogo não para e você pode ser atacado por inimigos. Os itens são utilizados através de teclas de atalho do número 1 ao 8. Aprender a usar essas teclas de atalho é fundamental, principalmente nos momentos de sufoco quando precisa recuperar sua energia rapidamente.
O inventário é limitado e muitos itens são grandes e ocupam muito espaço, fazendo com que você deixe alguns itens pra trás. Um ponto negativo é que não dá pra girar os itens pra encaixá-los no seu inventário. Às vezes você tem o espaço necessário pro item, mas não na disposição correta.
Como seu inventário não é muito grande você logo vai sentir falta de algum lugar pra guardar seus itens. Infelizmente não existe lugar algum pra isso; então a solução é jogar tudo no chão da cidade e largar por lá, já que os itens não desaparecem. Você pode largar até seu dinheiro no chão da cidade que ninguém irá te roubar! O povo de Tristram é muito honesto!

O jogo possui 16 níveis (dividos em quatro cenários: a igreja, as catacumbas, as cavernas e o inferno) e sua missão é ir descendo até o último e enfrentar Diablo.
Os labirintos de Diablo estão repletos de inimigos de todos os tipos e o segredo pra ser bem sucedido aqui é não avançar como louco. Explorar com cautela é a solução pra não entrar em uma sala ou dar de cara com um grupo de inimigos. Se você ficar cercado por inimigos certamente irá ter problemas. A inteligência artificial não é muito alta, então um truque básico é ficar em lugares estreitos (como alguma passagem ou porta) e esperar pra ir matando um inimigo de cada vez; eles fazem fila esperando a vez deles!
E é sempre bom explorar todos os levels por completo, para encontrar itens ou equipamentos e claro, ganhar níveis de experiência. Não adianta querer descer correndo pra enfrentar Diablo...

Você vai enjoar de tantas vezes que terá que voltar pra cidade, seja para recuperar sua vida, ou para comprar poções e equipamentos, ou até mesmo reparar seus equipamentos antes que se quebrem. E é sempre bom conversar com o pessoal sempre que descer um andar do labirinto, pois algumas missões surgem conforme você conversa com a galera. Existem dois meios de voltar pra cidade rapidamente: o primeiro e mais prático é usando a magia Town of Portal (você pode aprende-la lendo um livro ou usando um pergaminho). Um portal se abre no lugar onde você usou direto pra cidade e fica aberto até você retornar ao labirinto, depois ele se fecha. O segundo jeito é utilizando alguns atalhos que existem em alguns níveis do labirinto.
E falando em missões, o jogo possui 16 missões (as ditas "Quests"). Apenas duas delas são fixas - enfrentar o arcebispo Lazarus e enfrentar Diablo. As outras 14 quests são aleatórias e podem ou não aparecer pra você e não são obrigatórias e nem influenciam no desfecho do jogo.
Assim como as missões, os mapas de Diablo também são aleatórios. Cada vez que se inicia um novo jogo, os labirintos são escolhidos randomicamente; deixando assim o jogo com uma 'cara nova' sempre que for jogar.
À esquerda seu status e à direita seu invetário!

Você pode salvar seu jogo quando quiser, mas cuidado: Diablo só possui um slot pra save, então cuidado ao salvar pra não se arrepender depois.

No ano seguinte Diablo recebeu uma expansão produzida pela Sierra, intitulada de Hellfire! Foi acrescentado uma nova classe de guerreiro, o Monge. Também foram criados dois novos cenários: a colméia e a cripta. Esses cenários fazem parte de um novo labirinto de oito niveis contendo novos inimigos e um novo vilão: Na-Krul; antigo braço direito de Diablo que se rebelou contra ele. Vale notar que a história dessa expansão foi completamente ignorada pela Blizzard na produção de Diablo II.
Em 1998 Diablo foi convertido para Playstation, numa excelente adaptação feita pela Eletronic Arts. Eu particularmente acho que esse tipo de jogo seja melhor jogado com o mouse; mas é notável que o trabalho de adaptação ficou muito bem feito e a jogabilidade muito bem adaptada para o joystick.


NOTA FINAL: 8,0
DIABLO É UM JOGO QUE SUPEROU AS LIMITAÇÕES DA ÉPOCA. COMO MARCA DOS JOGOS DA BLIZZARD, DIABLO É EXTREMAMENTE VICIANTE! PENA O JOGO NÃO DAR MAIS ENFOQUE À GRANDIOSA HISTÓRIA DO JOGO E DEIXAR ESSE TRABALHO APENAS PARA O MANUAL...
Plataforma:


Spider-Man (PSX / N64 / PC)

sexta-feira, 20 de junho de 2014 Postado por Tristan.ccm


Gênero: Ação


Fabricante: Activision / Neversoft


Lançamento: 2000


Jogadores: 1 player

Eu já disse várias vezes aqui no blog o quanto o Aranha é, para mim, o melhor super-herói: relativamente menos poderoso que seus colegas, ele ainda assim encara desafios incríveis com um senso de humor único, e já derrotou adversários muito mais poderosos que ele (quem além dele derrotaria o Hulk com uma piada?). Além disso, ele ainda conseguiu escapar da sina que muitos super-heróis passam, que é a de receber jogos porcos. Tá certo que alguns são bem mais-ou-menos, mas dificilmente eles rendem as bombas que Superman, Spawn e Homem de Ferro já produziram.

Na estréia do cabeça de teia no 3D, tivemos um jogo totalmente inspirado nos quadrinhos, afinal ele foi lançado 2 anos antes da trilogia do "emo-aranha" de Sam Raimi. Traduzindo: nada de teia infinita e a hilária zoação com os inimigos (duas coisas que felizmente estão de volta nos cinemas). O enredo do jogo (mostrado em quadrinhos no N64 e em CG nas demais plataformas) mostra o Dr. Otto Octavius (a.k.a. Dr. Octopus) numa feira de ciências demonstrando seu novo e revolucionário invento. Na platéia, Peter Parker e J. Jonah Jameson estão cobrindo o evento, acompanhados por Eddie Brock, que quer recuperar seu emprego no Clarim Diário. De repente, um falso Homem-Aranha aparece e rouba o invento. Brock consegue fotografá-lo, mas o falso Aranha destrói sua câmera e ele é humilhado por Jameson por sua incompetência. Com isso, ele se enfurece com o Aranha e seu simbionte aflora, fazendo-o voltar a ser Venom e jurar vingança. Enquanto a polícia lança um alerta geral, ordenando a captura do Homem-Aranha a qualquer custo, o Dr. Octopus vai aos esgotos e libera um gás verde que cobre toda a cidade, para atrapalhar o aracnídeo de escapar da polícia (bela desculpa para a limitação gráfica da época, hein dona Activision!). Agora o Aranha precisa provar sua inocência enquanto tenta descobrir e prender o impostor, tudo isso com um simbionte marombeiro querendo quebrá-lo ao meio. Ô vida dura!

Uma coisa que eu sempre achei genial é como um jogo consegue te ensinar a jogar sem usar um tutorial chato. A primeira fase desse jogo é assim: um banco está sendo assaltado, e o Aranha vai impedir o crime e salvar os reféns. No caminho, a Gata Negra aparece e te dá dicas de como prosseguir, e é nessa fase inicial que você aprende os comandos do jogo. Nada de um tutorial que termina em "agora que você aprendeu como se joga, o jogo começa". Você aprende in-game, e muitos jogos atuais poderiam aprender com ele como se ensina comandos a um jogador.

Os gráficos são o clássico "3D da virada do século", ou seja, a galera do 1080p vai chiar e muito com eles, mas os velhotes como eu saberão perdoar isso. As músicas são bacanas, mas poderiam se bem melhores, mas o que salva o quesito som são as vozes da dublagem, que combinam muito com os personagens. A jogabilidade é perfeita (inclusive com o controle do N64), é extremamente divertido se balançar por aí com a teia e no chão o sistema de luta é extremamente intuitivo, dá até pra arriscar uns combos nos inimigos. Apesar da teia não ser infinita os jogadores "lixeiros" sempre vão achar cartuchos de teia para se recarregar, e serão estimulados a fazer a rapa no cenário graças aos power-ups escondidos (destaque para o que dobra sua energia e te deixa com o uniforme monocromático que o herói usou nos quadrinhos ao ir para a Zona Negativa). Se não bastasse, o gamer cata-piolho ainda pode achar escondidas capas de edições clássicas dos quadrinhos do herói (como a histórica primeira edição e a polêmica revista da morte da Gwen Stacy), bem como uniformes alternativos que podem ser usados no game (tem até o Homem-Vergonha, que durou poucas páginas mas até hoje é lembrado).

A dificuldade do jogo eu achei bem balanceada. Algumas fases são até fáceis se você pega o jeito, enquanto outras são difíceis até demais (perseguir o Venom pela cidade com certeza vai te dar calos nos dedos!). Cada inimigo tem uma forma diferente de ser derrotado, e todas levam o inimigo em consideração, logo os fãs do Aranha não terão dificuldade nos chefes. Exemplo: na hora de enfrentar Rhino quem partir pra porrada vai ter sérios problemas, mas quem usar o cenário vai se dar bem rapidinho, pois nas HQs o teioso sempre se aproveita da burrice do Rhino para derrotá-lo e o jogo respeita isso!

Como fã do Aranha eu sou meio suspeito pra falar, mas acho que até quem não é tão fã assim vai gostar desse jogo, afinal ele é divertido, tem uma ótima jogabilidade (em parte ajudada pela engine de Tony Halk Pro Skater, que ele usa com maestria) e é recheado de vilões clássicos do Aranha. Pra completar, vários outros heróis da Marvel fazem aparições nesse jogo (sim, eles aparecem só pra dar um oi, mas mesmo assim é legal ver o Aranha interagindo com Justiceiro, Tocha Humana e Capitão América num game desses). Considero esse um game ótimo pra quem conhece o Aranha só dos cinemas e quer saber mais sobre o amigão da vizinhança, mas não pôde aproveitar a fase clássica dos quadrinhos e/ou tem problemas com a fase atual que o Aranha passa nas HQs (embora eu não tenha achado Superior Spider-Man tão tuim assim...).

NOTA FINAL: 9,8
CONSIDERADO UM DOS MELHORES JOGOS DO HOMEM-ARANHA, É UM JOGO MUITO DIVERTIDO E GOSTOSO DE SE JOGAR. MESMO SE VOCÊ NÃO É FÃ DO CABEÇA DE TEIA PRECISA JOGAR ESSE CLÁSSICO.

Plataforma: , ,


The Dig (PC)

segunda-feira, 29 de abril de 2013 Postado por Tristan.ccm



Gênero: Adventure / Point-and-Click


Fabricante: LucasArts


Lançamento: 1995


Jogadores: 1 player




A hoje extinta LucasArts brilhou por anos nos PCs com seus jogos de aventura estilo Point-and-Click: Maniac Mansion, Full Throttle e Sam & Max até hoje tem fãs ardorosos (que com certeza estão xingando a Disney até agora por ela ter fechado a LucasArts). A maioria deles ganhou o público graças a um senso de humor bacana e inteligente, afinal quem não se lembra dos famosos duelos de espada movidos a xingamentos de Monkey Island? Ou da hilária morte do hamster de Maniac Mansion? Pois bem, mas nem só de galhofa vivia a LucasArts, ela sabia produzir games sérios. E talvez The Dig tenha sido o mais sério de todos.

O enredo é uma ficção científica da melhor qualidade, coisa digna de um livro de Arthur C. Clarke: cientistas descobrem que um gigantesco asteroide chamado Átila está em rota de colisão com a Terra, e rapidamente traçam um plano para evitar uma catástrofe. Uma equipe de astronautas é enviada no ônibus espacial Atlantis com a missão de implantar explosivos nucleares para desviar o asteroide de sua rota. Os três astronautas escolhidos foram Boston Low (dublado por Robert Patrick, o inesquecível vilão de Exterminador do Futuro 2), comandante da missão, acompanhado pelo geólogo e arqueólogo Dr. Ludgen Brink e por Maggie Robbins, uma repórter especialista em linguística. A missão é um sucesso, os explosivos surtem efeito e a Terra está a salvo.

Aproveitando o fato de ainda terem algumas horas disponíveis após a missão estar cumprida, eles decidem fazer uma sondagem no asteroide para colher dados. Ao investigar um canion, eles encontram uma câmara geometricamente perfeita, aparentemente artificial, e ao investigá-la eles acidentalmente acionam um estranho dispositivo. É nesse momento que o asteroide revela ser, na verdade, uma nave espacial alienígena, que leva os três astronautas a seu planeta de origem. Investigando esse novo mundo, um acidente mata o Dr. Brink, que é revivido por um estranho cristal encontrado pelo comandante Low. E é em torno desses cristais, cujos efeitos demonstram serem nefastos à medida que o jogo se desenrola, que a trama segue, com você comandando Boston Low pelo planeta desconhecido e aparentemente hostil.

A jogabilidade era bem diferente dos point-and-click tradicionais, não há uma lista de verbos: para falar com alguém basta clicar na pessoa (ou usar uma espécie de tablet no inventário, se ela estiver longe), e para usar um objeto basta abrir o inventário e clicar nele, clicando depois no local. O problema é que isso não torna o jogo mais fácil, pelo contrário, os puzzles são bem complicados e alguns não são nada intuitivos (eu levei três dias pra montar aquela bendita tartaruga!). Abrir portas sempre requer um puzzle que envolve figuras geométricas, e ser um professor de matemática não me ajudou em nada neles.

Os NPCs desse jogo, embora raros, são de grande ajuda, desde que seu inglês esteja em dia. E acredite, você vai precisar de muita ajuda, pois é bem fácil se perder nesse planeta. Havia momentos em que eu esquadrinhava cada canto da tela em busca de um ponto clicável, sem saber pra onde ir ou o que fazer, e esse é com certeza um dos pontos fracos do jogo. Em matéria de som eu também acho que o jogo poderia ter sido melhor, pois a trilha sonora é imersiva demais, lembrando mais uma trilha de filme que de jogo. Isso não é ruim, mas as músicas de The Dig dificilmente estarão na playlist do seu MP3. No quesito gráficos, o jogo é bem bonito pra um game de PC de 1995, com uns efeitos 3D interessantes, e esse é um ponto forte do game.

Se tem algo que fez o jogo perder, na minha opinião, alguns pontos preciosos foi o fato de você nunca morrer. Eu sei, não se trata de um Super Metroid ou de um Dead Space, mas a temática de "explore um planeta hostil cheio de cristais from hell" combina com passar um aperto de vez em quando, e games menos sérios da LucasArts tinham Game Over (experimente esquecer de encher a piscina de Maniac Mansion, por exemplo). De que adianta o jogo querer me fazer sentir num planeta estranho onde a raça dominante desapareceu misteriosamente se eu estou mais seguro nele do que na Terra? Até mesmo em momentos do fim do jogo onde Boston poderia ter morrido isso não acontece, ele automaticamente se esconde ou dá um golpe mortal no inimigo. Isso não torna o jogo ruim, mas me fez sentir como se eu estivesse usando algum cheat de invencibilidade, e tirou parte da diversão do jogo.

Porém, mesmo esses defeitos não fazem com que The Dig deixe de ser um grande game. O enredo muito bem estruturado, aliado à acessoria de grandes nomes do cinema (George Lucas e Steven Spielberg, só pra começar) fazem com que esse jogo valha a pena. Se o protagonista do jogo não fosse imortal, e se o final não fosse tão "conto de fadas",  talvez The Dig tivesse se tornado a maior experiência imersiva já vista em um game até então. Mas mesmo assim não deixa de ser um dos maiores games da já saudosa LucasArts.


NOTA FINAL: 8,8
THE DIG, APESAR DOS PESARES, É UM GRANDE JOGO. MESMO QUEM NÃO CURTE SCI-FI VAI ADORAR SE PERDER NUM MUNDO ALIENÍGENA, ENQUANTO TENTA DESCOBRIR COMO VOLTAR PRA CASA.
Plataforma:


Princess Maker 2 (PC)

terça-feira, 23 de abril de 2013 Postado por Azrael_I

 
Gênero: RPG/Simulação


Fabricante: Gainax


Lançamento: 1993


Jogadores: 1






"Eight years passed like a dream"

A série Princess Maker pertence a um gênero que era bastante obscuro no Brasil e no resto do mundo Ocidental antes da popularização da Internet: os simuladores de vida real (Life Simulation Game).  Resumidamente, neste tipo de jogo você deve desenvolver um personagem, fazendo-o passar por situações de vida cotidiana (ainda que a "vida cotidiana" em questão seja em um mundo de fantasia) e tomar decisões, aprender, crescer etc. Os primeiros games a terem elementos deste tipo de jogo foram os RPGs e Adventure Texts, ainda que de forma bem primitiva. Hoje em dia, qualquer gamer que se preze já jogou algum jogo com elementos de life simulation; entre os mais populares estão os games das séries The Sims e Harvest Moon, mas a grande maioria dos games hoje, mesmo os que não são RPGs, possuem elementos do estilo (como a série Grand Theft Auto - GTA). Por outro lado, na década de 90 eles eram bem pouco conhecidos por estas bandas, como é o caso de Princess Maker 2, que só se tornou mundialmente famoso após a Internet, sendo que hoje é praticamente uma referência para este tipo de game.

 
Fazedor de Princesa 2

Em Princess Maker 2 (assim como em todos os jogos da série, aliás) o jogador tem como objetivo criar uma filha da infância até a fase adulta; o foco, entretanto, não é no personagem do jogador e sim na filha: o jogador deve organizar a vida da menina, fazendo sua agenda mensal, determinando os lugares que ela pode ou não visitar, com quem falar, cuidando de sua saúde e sua dieta, de seus estudos, trabalhos temporários, descanso e até mesmo controlando diretamente a menina em determinadas partes do jogo. Na verdade, o jogador controla mais a filha do que o próprio personagem, o qual aliás nem sequer aparece, exceto por uma pequena cena na introdução...

 
A tela de Atributos

O fator que mais chama a atenção em PM2 é a quantidade de coisas que podem ser feitas: são mais de vinte atributos (definidos inicialmente pelas escolhas de data de nascimento, tipo sanguíneo etc. no começo do game), sendo que tudo que se faz ou deixa de fazer aumenta ou diminui (quase sempre os dois) vários atributos relacionados com a ação. Na verdade, a quantidade de ações e atributos tem sua razão de ser, uma vez que Princess Maker 2 tem mais de 70 finais diferentes! É possível fazer a filha virar praticamente qualquer coisa, desde criada, passando por guerreira, soldado, artista, escrivã, meretriz, bandida, bobo da corte, artesã, freira... o final mais almejado, obviamente, é o de princesa (da onde vem o nome do game, claro), fazendo a filha se casar com o príncipe. O final não depende apenas dos atributos, mas também das ações e decisões feitas durante o game, que determinarão a personalidade da menina: fazer a filha frequentar mais as aulas de luta e esgrima farão ela tomar gosto por batalhas (e pedir presentes como armas e poder competir nos torneios) e darão mais chance de um final combatente(Guerreira, Cavaleira, Mercenária etc.), comprar livros e fazê-la estudar poesia, protocolo e ciência a deixarão mais inclinada a gostar menos de combates e mais de raciocínio e diplomacia, fazendo um final mais intelectual (PhD, Juíza, Primeira-Ministra etc.), enquanto não fazê-la estudar ou trabalhar e deixá-la só relaxando (Time Off) irá deixá-la mais rebelde e inclinada a finais "Dark Side of the Force"(Meretriz, Dançarina, Ladra etc.); o mais interessante é que nada disso GARANTE que ela seguirá o final mais tendencioso (seja pelas ações ou por escolhas feitas pelo jogador nos atributos iniciais), e na verdade é muito mais fácil a filha conseguir apenas um final normal (como dona-de-casa, solteira, divorciada...) do que um dos finais "épicos"; a única forma garantida além de cheat é manter os atributos necessários no máximo. E mais: embora a escolha de carreira influencie, não chega a determinar com quem a filha irá se casar no final (é possível uma personagem mais combativa se casar com o Príncipe, por exemplo, uma vez que isto depende bastante da popularidade e da amizade com ele) já que ainda pode-se escolher entre os pretendentes (dependendo do que se faz, popularidade e quem ela conhece).

Estudando Dança

Na história do game, o personagem do jogador é um cavaleiro que vive num mundo de fantasia medieval (tipo Senhor dos Anéis) que defendeu o reino de uma invasão do Príncipe das Trevas e por causa disso é considerado como um herói em todo o reino (além de receber salário anual, mas sem direito a plano de saúde e FGTS...). É então que um dia os Céus enviam a ele uma menina para que a crie e eduque até os 18 anos e ela escolha como quer viver sua vida. O Deus que envia a criança depende da escolha da data de nascimento, no começo do game, e esta divindade será a patrona da criança (como se fosse um signo do zodíaco) e determinará os atributos iniciais e até uma certa tendência na vida da menina (uma criança nascida sob Marte, por exemplo, começará com bons atributos físicos e inclinação para combates enquanto uma nascida em Vênus tem bônus em atributos sociais e interação). O Deus protetor irá ajudar (discretamente) o jogador na missão de criar a menina, e no final avaliará como o jogador a criou.

Um combate durante o Festival da Colheita

A jogabilidade de Princess Maker 2 pode ser dividida em duas partes: a interação diária (ou mensal) e as aventuras (Adventure) em estilo RPG clássico, à lá Final Fantasy e similares. Toda a jogabilidade é feita através de cliques na tela, com o mouse, de forma semelhante a um AVG normal embora alguns comandos também possam ser feitos no teclado(principalmente na aventuras em RPG). Na tela principal do game são dadas as opções de interação com a filha, sendo que o jogador pode ver os atributos, conversar (conversa de pai e filha, dar dinheiro ou bronca, tudo isto necessário para saber se a está educando direito), organizar a dieta dela, ver seu status e desenvolvimento físico atual, ir ao vilarejo (onde é possível fazer compras, ir ao hospital, à Igreja etc.), ir ao palácio conversar com as autoridades do Reino (necessário para aumentar a Popularidade), equipar armas, roupas, itens, armaduras etc., salvar ou carregar um jogo e por fim organizar a agenda (Schedule) mensal da filha. A parte da Schedule é uma das mais importantes, uma vez que nela deve-se escolher o que a filha irá fazer todo o mês: estudar, trabalhar, partir em uma aventura fora do reino ou descansar, sendo possível escolher até três opções de atividades por mês. Na verdade, a organização da Schedule costuma ser o último passo a ser executado em cada mês, já que uma vez escolhida a Schedule não é mais possível acessar as outras opções até o final do mês (que acontece em tempo de jogo, não em tempo real, só pra deixar claro).

Tela principal; as opções são os oito ícones acima da palavra Schedule

A parte RPG do game acontece quando o jogador escolhe Adventure na Schedule mensal. A filha irá partir sozinha numa aventura fora dos muros da cidade, em uma das quatro regiões (Norte/Geleira, Sul/Lago, Leste/Floresta e Oeste/Deserto), e é nesta hora que o jogador poderá controlá-la para explorar a região em questão, em busca de itens, dinheiro, interação com NPCs secretos (é possível conversar com alguns dos oponentes que aparecem também) e aumento nos atributos (principalmente os físicos). O esquema RPG lembra bastante o de games como Phantasy Star e Dragon Quest. Só é possível comprar itens e equipamentos durante a interação diária normal (seja nas lojas ou com vendedores ambulantes que aparecem de vez em quando), embora alguns possam ser adquiridos (e trocados/usados) durante as aventuras. Um ponto contra é o fato de o botão para acessar o menu de opções durante as aventuras estar quase invisível na tela, e jogadores novatos dificilmente o acharão logo de cara (tem gente que nem sabia que existem opções durante as aventuras); além disso, aqui existem muito poucas opções em comparação com a parte interativa do game.

A parte RPG; acesse as opções clicando na esfera vermelha abaixo dos dois quadrados que mostram a arma e a armadura, no canto direito da tela

Existem ainda muitas outras coisas que podem acontecer, tudo dependendo das interações da filha com as pessoas: ela pode ter uma rival (em qualquer coisa que se destaque, como lutas, dança, pintura etc.), encontrar pessoas que lhe apoiarão (ou atrapalharão: falar com o Jester, por exemplo, auxilia a conseguir o final em que a filha também vira Jester, mas a deixa com má reputação na cidade), vendedores e outros NPCs aleatórios. Dinheiro é uma parte importante do game, e para conseguí-lo é preciso trabalhar (ou partir em Aventuras); à medida que a menina cresce e aumenta seus atributos ela pode conseguir novos empregos com salários melhores e ter aulas em matérias diferentes, que ajudarão (ou não) a melhorar os atributos necessários para o jogador conseguir o final almejado. Como em todo Life Simulation ler os comentários das pessoas, do mordomo Cube (que presta um grande apoio em todo o game) e da própria filha é essencial para saber como a menina está se saindo e o que se deve fazer para melhorar, corrigir ou mesmo piorar (dependendo das intenções do jogador) as coisas. Uma dica: o game tem parâmetros e atributos invisíveis que só podem ser estimados através das conversas (embora possam ser visualizados através de hacking ou de um cheat).

Cube ajudando a organizar a Schedule

Graficamente falando, Princess Maker 2 lembra a maior parte dos AVGs da época, como True Love. Entretanto, a quantidade de cenas interativas é muito maior que a média dos AVGs, além das pequenas animações que o game tem (mais ainda o fato de ter as aventuras em RPG, claro), e a beleza dos cenários; destaco os belos cenários das férias. As expressões faciais da filha se modificam não só com o decorrer dos anos, mas também com o estado de humor, saúde e mesmo necessidade (muito calor no Verão, por exemplo). Quanto às músicas, embora um tanto repetitivas, são muito variadas e não chegam a enjoar, mas a pouca quantidade de sons no game pode incomodar os mais aficcionados por detalhes.

 Férias de Verão

A versão feita para DOS de Princess Maker 2 é a mais conhecida por causa de uma tradução inacabada feita pela empresa SoftEgg. Princess Maker 2 também foi lançado para PC-98, PC Engine, Sega Saturn, 3DO, FM Towns e outros, mas todas essas versões nunca foram traduzidas. Alguns anos depois, a Gainax relançou os jogos Princess Maker 1 e 2 com upgrades para Windows, Dreamcast e Playstation 2, em versões chamadas Princess Maker Refine, com gráficos, sons e outros detalhes melhorados (inclusive a inclusão de vozes para os personagens). É interessante notar, entretanto, que depois que a SoftEgg parou de traduzir Princess Maker 2 nunca mais foi anunciada nenhuma outra tentativa de tradução oficial para os games da série (embora existam traduções não-oficiais e incompletas para PM 1, 4 e 5).

Notem as diferenças entre as versões Original e Refine

Qual teria sido a falha? Em uma nota em seu site, a SoftEgg explica com detalhes todos os problemas que tiveram durante a tradução. Basicamente, devido a uma série de atrasos na tradução e falência de companhias anexas, a SoftEgg achou que não deveria mais continuar com a tradução (afinal, o ano já era 2002...um atraso de quase dez anos!) e nunca lançaram a versão completa de Princess Maker 2 em Inglês (embora a própria SoftEgg diga que chegou a dar uma cópia completa da tradução para o criador de Princess Maker, Takami Akai); a versão Beta que é a mais conhecida no mundo foi muitas vezes chamada de "Abandonware" em alguns sites; entretanto, a SoftEgg declara que isto não é verdade e que, embora seja um Beta, a versão em Inglês de Princess Maker 2 ainda é sua propriedade e qualquer download não-autorizado dela é ilegal.

Não existem só lutas; aqui, a candidata a princesa na competição de dança

Existe ainda uma versão de Princess Maker 2 para Super Nintendo, chamada Princess Maker: Legends of Another World (que pra variar também nunca foi traduzida do japonês...). Embora seus gráficos e sua história sejam diferentes, a versão de Snes utiliza a mesma engine. Não há o que reclamar aqui: o próprio Princess Maker 2 utiliza uma versão pouco melhorada do primeiro Princess Maker, o que reduz um tanto o fator "inovação" de PM2.

A versão para Snes

Princess Maker 2  não chegou a causar nenhuma grande revolução nos games, mas é mais do que óbvia a sua influência nos games modernos. Embora seja um game já meio antigo, PM2 ainda é uma referência e chega a ser um grande cult entre os gamers (tudo graças em grande parte à versão Beta da SoftEgg). Chega a ser estranho que, dada a popularidade do Beta lançado pela SoftEgg, não tenha sido feita mais nenhuma tentativa de tradução dos games da série (pô, até Harvest Moon teve novas chances!). Quem sabe quando (ou melhor dizendo, "se") fizerem o sexto game...



NOTA FINAL: 8,8
LONGO, VICIANTE, DESAFIADOR, VARIADO E COM MILHARES DE POSSIBILIDADES; ESTE É PRINCESS MAKER 2, O "GAME REFERÊNCIA" EM LIFE SIMULATION, QUE SÓ NÃO LEVA UMA NOTA 10 POR NUNCA TER SIDO LANÇADA SUA VERSÃO TRADUZIDA COMPLETA.
Plataforma: