True Lies (Mega Drive / SNES)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010 Postado por Azrael_I



Gênero:
Ação


Fabricante: Acclaim/ Beam Software


Lançamento: 1994


Jogadores: 1 player






"For goodness sake, Harry, watch out for the taxpayers. Thir is an election year after all!
"

Quem acompanha a série aqui do Museum "Os Jogos que o Tempo(quase) Esqueceu" deve estar acostumado com as duras críticas que faço aos jogos que são conversões de filmes. Felizmente, toda regra tem exceções... Em 1994, quando Mega e Snes já davam seus últimos suspiros e o Playstation se preparava para tomar a soberania, foi lançado este excelente jogo, que mostrava a capacidade dos dois consoles, e que era possível sim fazer um mesmo jogo para ambos quase sem diferenças, e ainda mais, um conversão respeitável de um filme. Schwarzenegger ainda era o rei dos filmes de ação, e True Lies é uma excelente prova de seu talento como brucutu e ator, e aqui também como personagem de videogame. Tudo isso junto resultou neste jogo pra lá de divertido.

O jogo conta a mesma história do filme homônimo, dirigido por James Cameron (que já havia trabalhado com Arnold antes nos dois primeiros Exterminadores do Futuro e viria a mudar a indústria do cinema com seus próximos filmes, Titanic e Avatar); na história, Arnold faz o papel de Harry Tasker, um agente americano de uma força secreta anti-terrorista (a Omega Force) que esconde sua identidade da família numa teia de verdadeiras mentiras (daí o nome da história, dã), mas acaba envolvendo sua família em seu trabalho por acidente (e por causa de suas mentiras), quando terroristas que estão prestes a lançar um ataque nuclear sequestram sua filha. Resultado: Arnold distribui chumbo quente pra todo lado, nas típicas cenas de tiroteios e explosões, com efeitos especiais de sobra, enquanto tenta salvar sua filha e sua esposa (que antes de descobrir tudo quase ia enfeitando a cabeça dele, por achar que o marido era muito displicente com a família). Trabalhinho de rotina pro "Governator"...

Como não podia deixar de ser, o jogo segue ao máximo possível as sequências do filme, contando inclusive com cutscenes retiradas dele. O jogo é dividido em missões, de acordo com as partes do filme. O estilo e até a jogabilidade lembram muito Metal Gear; não é apenas sair atirando e matando todo mundo, de fato na maior parte das missões é preciso muito cuidado onde atira, para não ferir civis inocentes (em algumas missões, aliás, é importante não atirar para passar despercebido dos bandidos); infelizmente, uma vez descoberto, não tem como evitar o tiroteio como em Metal Gear, nem mesmo se escondendo. Harry conta com um belo arsenal de pistolas, granadas, sub-metralhadoras e outras armas, mas como a munição é limitada o jogador é estimulado ainda mais a não sair atirando aleatoriamente. Além disso, as missões em geral envolvem a procura por um item específico, como chaves para abrir portas ou arquivos de computador (é bom prestar atenção nas dicas que os outros agentes dão pelo monitor que aparece na barra do inventário, na parte de baixo da tela). Mas nada, é claro, se compara com a fase de controlar o jato!

Em termos de som, o jogo também está excelente; os sons de tiros, explosões e gritos das pessoas morrendo estão bem realistas, e as músicas dão aquele clima dos filmes de ação. Só é pena que não conseguiram transportar completamente as músicas do filme (nem mesmo o clássico tango que o Arnold dança), mas fazer o que, tinham que reservar o espaço em disco para a jogabilidade e os gráficos... Falando neles, os gráficos também estão muito bons, com algumas cutscenes (não podia faltar a cena do terrorista voando com o míssil) e muitos detalhes pelos cenários; é fácil identificar os personagens com alguns do filme, e em algumas fases os tiros também alteram um pouco o cenário (como as portas do banheiro, que ficam esburacadas com o tiroteio).

As diferenças da versão do Mega para a do Snes são mínimas; embora a jogabilidade do Snes à princípio pareça facilitada com o controle com mais botões, o Mega provou que seus três botões podiam fazer muita coisa, e a jogabilidade acaba ficando mais fácil no bom e velho Drivo, ainda mais graças à movimentação, que é melhor no console da Sega. Por outro lado, os gráficos e as músicas estão um pouco mais nítidos no Snes (nesta resenha tem fotos de todas as versões; troféu picareta pra quem consgeuir identificar os consoles de cada foto). Além das versões principais para Mega e Snes, True Lies também contou com versões para Game Boy e Game Gear, também com variações mínimas nestas versões para portáteis, dadas as limitações de ambos.

True Lies foi um excelente jogo, que infelizmente chegou meio tarde para a era 16 Bits (não foi culpa de ninguém, o filme é do mesmo ano, e primeiro precisavam lançar o filme pra depois lançar o jogo, né?). O Playstation logo viria a revolucionar o mundo com lançamentos do naipe de Resident Evil, Silent Hill e Metal Gear Solid, e os jogos de ação nunca mais seriam os mesmos. Ainda assim, é um jogo que vale a pena, ainda mais pra quem gostaria de saber de como (a grosso modo) seria uma versão de Metal Gear para Snes e Mega, com menos espionagem e mais ação.


NOTA FINAL: 9,4
UM GAME SIMPLESMENTE EXCELENTE, MUITO BEM TRABALHADO, QUE MOSTROU QUE MEGA E SNES TINHAM O MESMO POTENCIAL (DESDE QUE SUAS EMPRESAS SE ESFORÇASSEM). TÍPICO DOS ANOS 90, ELE MOSTRA BEM O QUE ERAM AS (BOAS) CONVERSÕES DE FILMES PARA JOGOS.
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