Inindo: Way of the Ninja (Snes)

quinta-feira, 7 de abril de 2011 Postado por Azrael_I

Gênero: RPG/Estratégia


Fabricante: Koei


Lançamento: 1991


Jogadores: 1 jogador


Uma coisa que os jogadores de Snes nunca puderam reclamar foi de ausência de RPGs (ao contrário dos de Mega Drive...). Foram tantos jogos lançados que era difícil achar quais eram bons, enquanto por outro lado muitos foram ofuscados pelo sucesso de outros (principalmente Chrono Trigger e Final Fantasy). É até natural que um game tão fantástico quanto Inindo tenha passado quase despercebido no meio dessa avalanche, mas também é uma pena...

Inindo - The Way of the Ninja (Inindou Datou Nobunaga, em sua versão original em Japonês) foi lançado inicialmente para o MSX2 e outros computadores da época, e teve um remake para Super Nintendo (a única versão lançada nos States) e Windows 98. Como é de praxe dos jogos da Koei, o jogo detalha bem o período histórico a que faz referência (no caso, o período Sengoku, época em que as diversas províncias do Japão estavam em guerra), além de trazer muita informação real sobre os Ninja e Samurai (mas claro, com muita informação fantasiosa também...). Inindo, na verdade, é um spin-off da excelente e longa série Nobunaga's Ambition, mas enquanto Nobunaga's são jogos de estratégia (como Genghis Khan, também da Koei), Inindo é um RPG no estilo de Final Fantasy e Dragon Quest; há uma série de atributos básicos, uma lista de itens e uma tabela de magias e habilidades. Os encontros são aleatórios e as batalhas se passam em uma tela separada (novamente, como em FF e DQ).

A história do game gira em torno de um Ninja do clã Iga que teve sua vila devastada pelo conquistador Oda Nobunaga. Para vingar sua vila, ele deve viajar pelo Japão feudal, recrutando aliados e auxiliando as diversas províncias na guerra. É possível ganhar a confiança dos Daimyo (senhores feudais) e executar trabalhos para eles, como espionagem, sabotagem ou até mesmo lutar em batalhas diretas pelo domínio das províncias. Como na maioria dos RPGs, o jogador evolui a partir de seus níveis (alcançados através de experiência nos encontros com monstros e guerreiros), de suas armas (em geral compradas nas cidades), de seus aliados (conquistados entre uma conversa e outra nas cidades e fora delas, ou até mesmo em duelos) e das habilidades aprendidas em determinadas missões.

Diferente da maioria dos outros RPGs, Inindo não possui um roteiro fixo; o jogador pode passar pelas dungeons, cumprir as missões e aprender as magias e skills na ordem que quiser (existe uma ordem sugerida no decorrer do jogo, mas ela não é obrigatória, o jogador pode fazer o que for encontrando). A exploração no mapa é extensa; pode-se percorrer todo o Japão feudal em busca das quests e dos aliados, ou pode-se passar horas numa única dungeon (algumas são bem cruéis, mesmo que o jogador suba de nível várias vezes). Os encontros com adversários acontecem no mapa ou nas Dungeons, mas às vezes é possível enfrentar alguém nas cidades. Há uma passagem de tempo, e embora não seja obrigatório, é bom ficar de olho no passar dos dias (ponto falho: o mês de Fevereiro tem 30 dias neste jogo...); no final de cada mês, é mostrado o mapa do Japão com as províncias e como anda a guerra. Nas cidades é possível repor as energias, comprar itens e armas, jogar bingo pra ganhar (ou perder) dinheiro, conversar com as pessoas para obter informações e encontrar aliados ou mesmo adversários (estes encontros acontecem nas hospedarias, nas casas de chá ou nos castelos). Em cidades com castelos, é possível ir nos castelos em busca de trabalho (em geral, apenas na primeira quinzena de cada mês); estes trabalhos são necessários para ganhar a confiança dos Daimyo e para ganhar dinheiro, obviamente. Cada possível aliado/rival que o jogador encontra tem um número medidor de afinidade; quanto maior o número, maior a chance da pessoa entrar pro grupo do jogador, e quanto menor o número, maior a chance dessa pessoa atacar para roubá-lo.

Os gráficos da versão de Snes ganharam um belo upgrade em relação às versões anteriores, que por si só já eram muito bons; há muitos detalhes nos mapas e nos sprites dos personagens, que são bastante variados (mas um tanto quanto "genéricos" demais). Os mapas, vilas e dungeons são gigantescos e cheios de labirintos e quebra-cabeças, é possível passar muitas e muitas horas apenas para achar o caminho certo em uma dungeon. Há inclusive cutscenes (também caprichadas) que contam parte da história no game. A parte sonora deixa um pouco a desejar; as músicas são boas, mas enjoam depois de um tempo, e os sons dos combates são cheios de fim-fóns...

A jogabilidade é boa, lembra bastante os demais RPGs do gênero (novamente, como FF e DQ). Na primeira Dungeon é escolhido de forma aleatória o caminho que o personagem principal vai trilhar: Normal ou Magician; isto influencia bastante o desenvolvimento do jogo e os tipos de oponentes. O grupo pode ter até três personagens, o Ninja Iga com que se começa o jogo e mais dois aliados; a ordem pode ser alterada, e sempre que um dos aliados morrer ele pode ser substituído por outro aliado diferente (com habilidades, níveis e magias diferentes) na Inn mais próxima, mas se o ninja Iga morrer o jogo acaba. Além dos combates aleatórios em terceira pessoa, há também batalhas de exércitos como em Nobunaga's Ambition; estas batalhas acontecem sempre que o jogador conseguir emprego com um Daimyo que esteja prestes a atacar outro, e o grupo do jogador atua como um exército (neste caso, é bom o grupo estar com um bom nível). Existe ainda uma "continuação" de Inindo para Playstation 2: Shinobido: Way of the Ninja. Desta vez em 3D, Shinobido tem nome fixo para o protagonista (diferente de Inindo). Na verdade, Shinobido trata-se mais de um prequel do que uma sequência de Inindo.

Apesar de bem obscuro (merecendo uma posição na série dos jogos (quase) desconhecidos...), Inindo é um excelente RPG; devido à liberdade de escolha de missões e rotas, é possível sempre jogá-lo de forma diferente, encontrando pessoas, aliados, cumprindo missões, ajudando um ou outro Daimyo contra Nobunaga (não descobri se é possível ajudar Nobunaga, mas acredito que não, devido à história do personagem) e alterando a história do jogo. Inindo é um jogo bem longo, com possibilidades quase infinitas (embora haja paciência em algumas partes...).




NOTA FINAL: 7,9
UM EXCELENTE RPG, OBSCURECIDO PELOS MUITOS OUTROS RPGS DE SUA ÉPOCA, LONGO, DIFÍCIL, DESAFIANTE E COM MUITA ESTRATÉGIA. IDEAL PRA QUEM ESTÁ CANSANDO DE RPGS DO TIPO "SALVE A PRINCESA E O MUNDO". E PRA QUEM GOSTA DE CULTURA JAPONESA.
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