Mônica no Castelo do Dragão (Master System)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 Postado por Tristan.ccm



Gênero: Ação / Plataforma


Fabricante: Sega / Tec Toy


Lançamento: 1991


Jogadores: 1 player





Se não fosse a Tec Toy a história da Sega no Brasil seria bem diferente. Afinal, o suporte dado pelos brasileiros fez com que o Master System, que no Japão apanhava feito vaca na horta (by P.A.), alcançasse algum sucesso. Ao contrário do NES, representado no Brasil por clones dos mais variados (Phantom System, Dynavision, Turbo Game e afins), o console 8 bits da Sega veio ao nosso país em sua versão oficial e com suporte da Sega.

A parceria com a Tec Toy fez tanto sucesso que jogos em português começaram a aparecer. Após a tradução de Phantasy Star, a empresa decidiu que seria uma boa lançar jogos com personagens brasileiros, porém produzir um jogo do zero no Brasil na década de 1990 estava fora de cogitação. A solução encontrada foi pegar um jogo estrangeiro que fosse relativamente desconhecido por aqui e transforma-lo. O jogo escolhido foi Wonder Boy in Monster Land, conversão do arcade que não estava indo muito bem no exterior e um ilustre desconhecido em terras tupiniquins.

O personagem escolhido para substituir Wonder Boy não poderia ser melhor: Mônica, simplesmente o personagem brasileiro mais famoso dos quadrinhos, que com certeza estava vivo no coração da maioria esmagadora das crianças brasileiras. Sou um dos muitos que tiveram os famosos gibis de Maurício de Souza como primeira leitura da vida. Com isso, aliado a uma campanha massiva de marketing (que incluiu até uma HQ da turminha baseada no game), nasceu o primeiro jogo brasileiro da história.

O enredo era meio forçado: Mônica foi convocada para salvar a Terra dos Monstros do Capitão Feio, inimigo da turminha que invadiu o antes pacato mundo e o encheu de poluição. Para isso, ela depende tanto de sua arma principal, o coelho Sansão, quanto de equipamentos comprados em lojas. A mecânica lembra um pouco o Zelda 2 de NES. Mônica é bem fácil de controlar, porém o alcance de Sansão é bem limitado, obrigando você a se aproximar muito do inimigo para atacar (talvez se desse para arremessa-lo como nos gibis...). Some isso ao fato da defesa da dentuça não ser das melhores e você tem um jogo difícil até mesmo para gamers mais hardcore, imagine as crianças que ganharam isso de natal!

Outra coisa que atrapalhou o jogo foi o fato do Master ter o botão de Start no console. Você coleta ou compra armas auxiliares durante o jogo, mas como faltavam botões no joystick para elas definiram o direcional para baixo como botão de sub-weapons. Juro que nunca mais reclamo do Cima + B de Castlevania, pois nesse jogo a solução foi muito, muito pior! Não é raro você por instinto apertar pra baixo quando um inimigo atira e gastar uma bomba de limpeza à toa! Se tivesse um Start ou um Select no joystick, os programadores teriam com certeza uma opção melhor pra isso.

Mas o sal na ferida, sem sombra de dúvidas, é o fato do jogo não ser nem um pouco intuitivo. Eu cheguei no final com muito custo (se você se tornar ou for um programador de games, por favor, nunca, NUNCA, faça a última fase ser um labirinto que me joga pro começo quando eu erro o caminho, isso não dá!), e enchi o chefe final de coelhadas sem sucesso.Depois de muito insistir, descubro na Internet que eu devia ter feito 6584136 coisas antes daquilo, e guardado minhas magias pro dragão! Ninguém no jogo me falou nada disso, os NPCs são mais inúteis que os de Castlevania 2! Agora volte a 1991 e pense num moleque que alugou o jogo na locadora, sem manual, e jogou na cara e na coragem que nem eu. Frustração manda um abraço! Isso chega a ser pior que o fato do jogo não ter save nem password e você só ter uma mísera vida!

Isso me leva à seguinte conclusão: Wonder Boy in Monster World era um jogo hardcore para jogadores hardcore. Transforma-lo num joguinho para crianças foi uma péssima idéia. Sim, a Tec Toy encheu o rabo de dinheiro com esse jogo e suas sequências, teve até um Master System rosa que vinha com ele na memória, mas o que eu vi ao jogá-lo foi um game difícil, pouco intuitivo e com aquele recurso patético de deixar metade do game num manual de papel, cujo destino ou é a lata do lixo ou o fundo da gaveta. Num jogo cheio de NPCs falando merda, isso é pecado mortal. Se não fosse por isso, com certeza a aventura em 8 bits da baixinha gorducha seria muito mais agradável e nem um pouco frustrante.


NOTA FINAL: 7,5
O PRIMEIRO JOGO DA MÔNICA FOI UM SUCESSO, PENA QUE NINGUÉM ZEROU DEVIDO À DIFICULDADE E À FALTA DE INFORMAÇÃO. QUEM ESCREVEU OS DIÁLOGOS EM PORTUGUÊS DO JOGO MERECE UMA COELHADA!
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