Perfil: Rare

segunda-feira, 21 de abril de 2014 Postado por Tristan.ccm


Estreia: Jetpac (ZX Spectrum, 1983)


Games mais marcantes: Battletoads (NES, 1991); Donkey Kong Country (SNES, 1994); Killer Instinct (SNES, 1995); Goldeneye 007 (N64, 1997); Banjo-Kazooie (N64, 1998)


Último lançamento: Kinect Sports Rivals (Xbox One, 2014)



A Rare nasceu oficialmente em 1985, mas os irmãos fundadores da empresa, Tim e Chris Stamper, já trabalhavam independentemente com jogos havia dois anos. Sua empresa, inicialmente intitulada "Ultimate Play the Game", desenvolvia jogos para computadores da época (ZX Spectrum e Commodore 64), e chegou a fazer um certo sucesso com jogos como Sabre Wulf e Knight Lore. Porém, como todos sabemos, jogos de computador são muito mais fáceis de piratear, o que levou os irmãos a procurar a Nintendo e ingressar no mercado de consoles domésticos.

No entanto, a Nintendo não se interessou nos jogos da Ultimate. Os irmãos Stamper não se deram por vencidos, e decidiram produzir eles mesmos um jogo para o NES. Após seis meses fazendo engenharia reversa para ver como poderia fazer um programa rodar no hardware do Nintendinho, o resultado foi Slalom, um jogo de esqui que surpreendeu os japoneses. Depois disso, a empresa finalmente ganhou uma parceria com a Nintendo.

A parceria até que rendeu bons jogos como R.C. Pro AM (o ancestral de Rock'n Roll Racing), mas a empresa era pequena e precisava de dinheiro, o que a levou a produzir pérolas como Jeopardy! (baseado num programa de TV americano estilo "Show do Milhão") e Tabbo: the Sixth Sense (um jogo de TARÔ, acreditem!). A Rare entrou no mapa mesmo quando lançou, já no final da vida do NES, o arrasa-quarteirão Battletoads. Muitos dos que já estavam pensando em colocar o velho Nintendinho no fundo do guarda-roupa deram mais algum tempo para o console para tentar derrotar Dark Queen e os níveis insanamente difíceis desse jogo.

Após o sucesso dos sapos, a Rare ganhou muito mais status com a Nintendo. Eles tinham muitos planos para o novo console da empresa, o SNES, e a Nintendo acaba comprando 49% das ações da Rare. Com o dinheiro dos japoneses o céu era o limite, e graças a essa parceira e uma dúzia de computadores Silicon Graphics (a máquina mais potente da época, responsável pelos famosos dinossauros virtuais de Jurassic Park) a empresa revitalizou um antigo personagem da Nintendo, há muito esquecido: Donkey Kong Country foi um divisor de águas, um jogo com um padrão gráfico impressionante. Para muitos, o gorila engravatado foi o responsável pela vitória da Nintendo na "guerra dos 16 bits".

O sapo-guerreiro Zits, o lutador Fulgore, a dupla Banjo e Kazooie e a bela espiã Joanna Dark: personagens que representam a era de ouro da Rare

Inspirados no sucesso de Donkey Kong, e com os jogos de luta das concorrentes Midway, Capcom e SNK fazendo cada vez mais sucesso, a Rare decide entrar no ringue com outro grande sucesso: Killer Instinct era conhecido como "um jogo de N64 rodando num Super Nintendo", tamanha sua beleza gráfica e sonora. Some isso à jogabilidade perfeita e aos combos brutais e temos um sucesso instantâneo.

Então veio a nova geração e a decisão desastrada da Nintendo de insistir com cartuchos enquanto o mundo inteiro já usava CDs. Um a um, todos os parceiros da Nintendo pularam do barco. A Rare decide ficar junto a sua antiga parceira, apesar dos pesares, e literalmente tira leite de pedra com os 512 Mbits do cartucho do N64, produzindo jogos de altíssima qualidade: Banjo-Kazooie rivaliza com ninguém menos que Mario pelo troféu de melhor jogo de plataforma do sistema; Goldeneye 007 provou que os FPS poderiam ser jogados com um joystick (e de quebra provou que, se bem feitos, jogos baseados em filmes podem ser bons);  e Conker's Bad Fur Day foi um tapa na cara de quem achava que os jogos das plataformas Nintendo eram todos infantis, com seu humor quase profano de tão pesado. Apesar de escorregadas como Killer Instinct Gold e Donkey Kong 64, a Rare foi responsável por praticamente a metade dos jogos bons da plataforma.

Na geração seguinte a parceria tinha tudo para continuar, mas o primeiro jogo da Rare para o Gamecube foi o sofrível Star Fox Adventures (o famoso "Zelda de Star Fox"), lançado em 2002. A Rare nem teve tempo de se redimir, pois no mesmo ano a Microsoft compra a parte dos irmãos Stamper na empresa. Isso gerou um impasse, pois a Microsoft tinha acabado de lançar o primeiro Xbox e uma empresa jamais permitiria o lançamento de um jogo seu no console concorrente. Nesse cabo de guerra, a solução foi a Nintendo vendendo sua parte para a Microsoft, porém retendo para si os direitos de Donkey Kong e Star Fox.

A fase atual da Rare, fazendo jogos para Kinect, é uma tristeza para todos os que a conheceram na época do SNES e do N64

Sob a sombra de Bill Gates a Rare afundou lentamente: lançou apenas dois títulos para o primeiro Xbox (um beat'en up que passou despercebido e um remake de Conker que foi muito censurado e criticado), e no Xbox 360 ela continuou patinando: após o fracasso de Perfect Dark Zero e Banjo-Kazooie Nuts & Bolts (duas sequências de sucessos do N64 que ficaram a anos-luz dos originais) ela apostou suas fichas em Viva Piñata, que não teve nem metade do sucesso esperado. Pelo resto da vida do 360 a empresa ficou relegada à série Kinect Sports, que muitos nem consideram games de verdade. Atualmente, com o advento do Xbox One veio o aclamado remake de Killer Instinct, porém os que conheceram a era de ouro da Rare ainda aguardam que a empresa volte aos seus dias de glória.

CURIOSIDADES SOBRE A RARE:

- Muito antes de Killer Instinct a Rare já queria entrar nos jogos de luta: paralelamente ao desenvolvimento de Donkey Kong Country eles queriam fazer um jogo de boxe protagonizado por animais, mas o projeto não foi adiante. No entanto, um dos lutadores foi aproveitado: um crocodilo, que acabou se tornando o inimigo principal dos Kongs, King K. Rool;

- Um dos lutadores de Killer Instinct remete aos tempos da Ultimate Play the Game: Sabrewulf tem o mesmo nome do primeiro jogo de sucesso dos irmãos Stamper, lançado para ZX Spectrum em 1984;

- Mesmo após a venda para a Microsoft a Rare produziu games para os portáteis GBA e DS. Em sua grande maioria eram remakes de jogos antigos da empresa, todos considerados inferiores às versões originais. A única exceção foi It's Mr. Pants, um puzzle bem esquisito e do qual poucas pessoas ouviram falar.



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