[Games em Foco] Os clones do NES no Brasil!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017 Postado por P.A.

Como muitos de vocês já devem saber, no mês de julho a Nintendo anunciou que ia lançar o clássico Nintendinho (NES), numa versão miniatura e com 30 jogos na memória, similar ao que a Tectoy faz por aqui com o Master System e agora também com o Mega Drive.


Intitulado de "NES Classic Edition", o mini-console cabe na palma da mão e vem acompanhado de um controle. Infelizmente o console não possui entrada pra cartuchos, o que limita apenas aos 30 jogos da memória. A versão custa cerca de US$60 nos EUA.

O NES original não foi sucesso de vendas por aqui; apesar disso seus inúmeros clones (intitulados de Famiclones) fizeram a fama do console, não só no Brasil como no mundo todo, já que o Nintendinho 8-bits foi o videogame mais clonado da história.
A Nintendo encontrou inúmeras dificuldades pra entrar no mercado nacional naquela época; até finalmente fechar uma parceria com a Playtronic - uma junção da Estrela com a Gradiente - para que ela fosse sua representante oficial por aqui (similar ao que a Sega faz com a TecToy). Mas até que essa parceria fosse concretizada, inúmeras empresas - incluindo a própria Gradiente - lançaram por conta própria seus clones do videogame e fizeram a alegria do nosso povo.
Nove em cada dez garotos possuíam um clone do Nintendinho naquela época, de acordo com dados do IPMG (Instituto de Pesquisa Museum dos Games)...

Dito isto, vamos relembrar os clones mais famosos do console de 8-bits da Nintendo aqui em terras tupiniquins. Vou citá-los por ordem de lançamento, como sempre faço com minhas listas, pois tenho TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e preciso listá-las assim pro meu dia ficar melhor...



Phantom System

Fabricante: Gradiente
Padrão: 72 pinos 
Lançamento: 1988








O Phantom System foi o primeiro clone do NES. Foi fabricado pela Gradiente, que como dito anteriormente, anos mais tarde se uniria à Estrela pra formar a Playtronic e se tornar a representante oficial da Nintendo no Brasil. Como visto na imagem, a Gradiente não fabricava apenas o videogame como também seus próprios cartuchos...
A história conta que a Gradiente estava prestes a fechar uma parceria com a Atari para lançar um 'clone licenciado' do Atari 7800 no Brasil, mas quando alguns executivos desembarcaram nos EUA para fechar o contrato, eles tomaram conhecimento de um videogame muito melhor que já era febre por lá: o Nintendo Entertainment System.
A Gradiente desistiu da ideia de fabricar um clone do Atari 7800 - vendo o enorme desinteresse dos consumidores com o videogame - e não fechou a parceria com a Atari. A empresa resolveu então lançar um clone não-licenciado do videogame do momento: o NES!
O problema é que a produção já havia começado e as carcaças do Phatom System já estavam prontas para serem usadas pros clones do Atari 7800 (por isso a semelhança com o mesmo).
A solução foi aproveitar as carcaças e jogar fora os controles (que não seriam compatíveis) e substituí-los por uma cópia dos controles do Mega Drive, que ainda nem havia sido lançado mas já era exibido em feiras de games no Japão e estava com lançamento previsto pro mesmo ano. Aja cópia!



Dynavision II

Fabricante: Dynacom
Padrão: 60 pinos
Lançamento: 1989










A Dynacom já era especialista em clones por aqui. Seu primeiro videogame, o Dynavision, era um clone do Atari 2600 e muito popular... Em 1989 a empresa resolveu dar um passo adiante na evolução dos videogames e lançar um clone do NES, e assim surgiu o Dynavision II!
O Dynavision II usava o mesmo padrão do Famicon, com entrada pra cartuchos de 60 pinos. Mas com adaptadores era possível jogar cartuchos de 72 pinos também... A Dynacom optou por manter o controle em formato de manche, similar ao seu primeiro Dynavision. Ela também produzia seus próprios cartuchos não-licenciados.
Seus controles vinham apenas com dois botões (A e B), os botões START e SELECT acabaram ficando no próprio console (juntamente com os botões ON, OFF e RESET), como é possível ver na foto. Os controles do Dynavision II receberam inúmeras críticas, pois o layout dos botões não favorecia a jogabilidade.
Mais tarde a Dynacom lançou uma segunda versão do Dynavision II com os botões START e SELECT já embutidos no controle.



BitSystem

Fabricante: Dismac
Padrão: 72 pinos
Lançamento: 1989










O BitSystem pode ser considerado o clone mais parecido com o NES original. Tanto o console como os controles são muito semelhantes, inclusive as entradas dos controles eram as mesmas do original...
Apesar de ser muito semelhante ao NES americano os controles eram baseados no Famicon: os fios dos controles não eram frontais e sim laterais e apenas um dos controles possuía os botões START e SELECT. Mas os controles desse clone possuíam um modo turbo, que não estava presente no original japonês...
Assim como os outros dois clones citados anteriormente, a Dismac também produzia seus próprios cartuchos para o BitSystem.



Super Charger

Fabricante: IBCT
Padrão: 60 pinos
Lançamento: 1990










Esse clone era muito parecido com o Famicon, mudando apenas as cores. O slot também era baseado no modelo japonês com entrada pra cartuchos de 60 pinos. O console tinha um botão EJECT para ejetar o cartucho, uma novidade entre os clones até então.
Os controles são muito semelhantes aos do Famicon: o fio também era lateral e não frontal e novamente apenas um dos controles tinha os botões START e SELECT. Os controles também possuíam um modo turbo, assim como os controles do BitSytem!
Mas um dos piores defeitos do Super Charger era ter seus controles embutidos diretamente no console, igual ao original japonês também. Sendo assim ele não possuía entradas para os mesmos e se algum deles desse problemas, era preciso levar o videogame todo pro conserto.
A IBCT chegou a lançar alguns cartuchos com a marca "Super Charger", mas os cartuchos não eram fabricados por ela e sim importadas da Ásia.



Hit-Top Game

Fabricante: Milmar
Padrão: 72 pinos
Lançamento: 1990






O Hit-Top Game recebeu três versões e todas elas são muito semelhantes com pequenas alterações visuais apenas.
A primeira versão do console tinha controles em forma de manche e eles só possuíam os botões A e B. Os botões START e SELECT ficavam no console juntamente com os botões ON/OFF e RESET. A segunda versão era praticamente idêntica, mudando apenas a cor dos botões de vermelho pra amarelo.
A terceira e última versão mudou os controles de manche pra controles D-Pad e agora com botões START e SELECT, sendo que no console ficaram os botões ON/OFF e o RESET.
A Milmar também fabricava cartuchos de 72 pinos, que eram muito elogiados na época por serem de boa qualidade, mesmo sendo não-licenciados.



Top Game VG-8000 e VG-9000

Fabricante: CCE
Padrão: 60 pinos (VG-8000) e 60 e 72 pinos (VG-9000)  
Lançamento: 1989/1990





Apelidada carinhosamente de "Conserta-Conserta-Estraga", a CCE é uma empresa brasileira em atividade até hoje, e que também resolveu se aventurar no ramo dos famiclones.
A empresa já era conhecida por seus aparelhos eletrônicos e também porque já fabricava clones do Atari por aqui. Há certa divergência sobre o ano de lançamento do seu primeiro famiclone: o Top Game VG-8000 (imagem a cima). Alguns dizem que foi no fim de 89 e outros dizem que foi em 1990...
O VG-8000 era padrão 60 pinos e possuía controles baseados num clone de Atari da própria CCE, o Supergame VG-3000. Com uma espécie de manete no topo e botões nas laterais. Assim como o Super Charger, os controles também eram embutidos diretamente no console, e como dito anteriormente, isso prejudicava demais os donos dos aparelhos quando algum dos controles apresentava problemas. Além do também já citado fato de apenas um dos controles ter os botões START e SELECT.
A fabricação do modelo VG-8000 foi curta, pois ainda em 1990 a CCE passou a fabricar um modelo melhor, intitulado de VG-9000 (imagem acima).
A principal modificação em relação a seu antecessor era seu sistema Double System, com entrada pra cartuchos dos dois padrões (60 e 72 pinos) sem a utilização de adaptadores. Uma tampa móvel era utilizada pra escolher qual slot o jogador desejava usar. Uma novidade sensacional pra época, já que todos os demais clones lançados até então só possuíam um único padrão de cartuchos e só era possível jogar o outro através de algum adaptador.
Além disso os controles não eram mais embutidos diretamente no console e mudaram para um formato menor e com D-pad ao invés da manete... E agora os dois controles possuíam START e SELECT.



Turbo Game

Fabricante: CCE
Padrão: 60 e 72 pinos
Lançamento: 1991








Em 1991 a CCE resolveu lançar seu terceiro famiclone, intitulado de VG-9000T ou Turbo Game. Talvez seja o mais famoso ou que mais tenha vendido dos três... E esse foi o famiclone que eu ganhei do meu pai quando criança.
O Turbo Game era praticamente idêntico à versão anterior - o VG-9000 - com a única diferença sendo seus controles. Devido à muitas críticas quanto a fragilidade dos controles anteriores, a CCE lançou um modelo mais resistente pro Turbo Game, imitando os controles do Mega Drive, só que invertido. O controle possuía dois botões turbo também...
E por experiência própria, posso dizer que realmente eram resistentes, mas o direcional era terrivelmente duro, tão duro que chegava a doer o dedo quando jogávamos. Tanto que meu pai comprou um controle em forma de manche pouco tempo depois e ele acabou se tornando nosso controle favorito...
Vale lembrar que a CCE também fabricava alguns cartuchos no padrão de 60 pinos.



Dynavision 3

Fabricante: Dynacom
Padrão: 60 e 72 pinos
Lançamento: 1991










A Dynacom continuava forte no ramo dos clones e em 1991 lançou a terceira versão do seu Dynavision. O console era muito similar à segunda versão, com a mudança apenas nas cores e no padrão dos cartuchos, que imitando o Top-Game passou a ser Double System.
Os controles intitulados de Turbo Jet Control, ainda eram em forma de manche, mas agora com mais botões espalhados na base e no topo (um total de 8 botões). Além disso o controle possuía uma entrada de fone de ouvido.
Uma coisa legal nessa versão era que os botões do console eram sensíveis ao toque.
Em 1992 a Dynacom lançou o Dynavision 3 Radical e em 1995 o Dynavision 3 Action. As três versões eram praticamente idênticas, com pequenas alterações como posição das entradas AV e RF, assim como controles intitulados de TCP-1 e até a pistola laser que acompanhavam os novos modelos.



GenieCom

Fabricante: NTD Eletrônica
Padrão: 72 pinos
Lançamento: 1992








O GenieCom deve ser o clone mais 'curioso' dentre todos. A primeira e mais marcante característica desse clone em relação aos demais é que ele vinha com um Game Genie (o pai do Game Shark) embutido, para ativá-lo era só utilizar a alavanca que fica à direita no console. Ele vinha com um livrinho de códigos pra usar nos jogos, mas há alguns relatos de que apesar de alguns funcionarem muito bem, em outros casos o uso dos códigos bugava o jogo.
Outra característica marcante do console eram duas pequenas antenas que vinham com o aparelho. Uma era ligada atrás do console e outra no adaptador RF para que você pudesse conectar o videogame na TV sem usar cabos!
Além disso ele possuía um botão EJECT, que só havia aparecido no Super Charger até então.
Seu controle era bem grande e pesado em relação aos controles da época, inclusive do NES original. Assim como outros clones, os controles possuíam entrada pra fones de ouvido e botões turbo... Porque não bastava usar cheats, ainda precisava do turbo! 
O GenieCom não teve cartuchos próprios como outros clones dessa lista.



HandyVision

Fabricante: Dynacom
Padrão: 72 pinos
Lançamento: 1993










Talvez o mais bizarro clone da Dynacom dentre todos que ela lançou. Apesar de ser vendido como portátil, o HandyVision não era, pois não tinha um visor e com isso necessitava ser conectado à uma TV. Assim como o GenieCom, bastava ligar uma antena atrás da TV e ela se conectaria com a antena do aparelho sem a necessidade de cabos. Apesar disso o aparelho possuía uma entrada RF caso o usuário preferisse...
O aparelho vinha com direcional, botões START, SELECT e RESET além dos botões de ação e dois botões turbo. Assim como entrada pra fones de ouvido e até uma entrada lateral pra conectar um segundo joityck, podendo ser até uma pistola laser. Ainda possuía um botão EJECT, que ficava na parte de baixo (na cor amarela), como é possível ver na foto acima.
O console semi-portátil poderia funcionar com pilhas, mas também possuía uma entrada para fonte externa caso o usuário não quisesse ficar comprando pilhas sempre que necessário, já que deveria ser muito gastão nesse quesito.



Top System

Fabricante: Milmar
Padrão: 60 e 72 pinos
Lançamento: 1994










 Em 1994 a Milmar resolveu lançar um sucessor do seu Hit-Top Game, e assim surgiu o Top System. Diferente do seu antecessor, o novo famiclone agora possuía o sistema 'double system', podendo assim rodar jogos de 60 e 72 pinos sem a necessidade de adaptadores.
O console era inspirado no Phantom System, que por sua vez era inspirado no Atari 7800. Seus controles por outro lado, eram inspirados nos controles do PC Engine/TurboGrafx da NEC.
Devido ao lançamento tardio, o Top System não fez muito sucesso pois nessa época os consoles de 16-bits já estavam se popularizando por aqui e os consoles de 8-bits estavam perdendo espaço.
De acordo com informações da internet, esse foi o último aparelho da Milmar, que depois disso deixou de lado a fabricação de videogames e aparelhos eletrônicos e passou a fabricar barcos e lanchas. Uma mudança radical!



ProSystem-8

Fabricante: Chips do Brasil
Padrão: 72 pinos
Lançamento: 1994










A Chips do Brasil era uma empresa de eletrônicos voltada pro ramo de cartuchos e principalmente joysticks pra diversos consoles (NES, Master System, Mega Drive e SNES) que eram intitulados de PRO e mais pra frente de Super PRO. Os controles tinham inúmeros botões turbo programáveis e até botões de câmera lenta.
Mas em 1994 a empresa resolveu lançar seu próprio famiclone, o ProSystem-8! Assim como o Top System, o ProSystem também chegou um pouco tardiamente... Mesmo assim não foi problema pra empresa que concentrava seu maior faturamento com os joysticks!
Seu design era inspirado do Super Famicon e seus controles eram únicos, com seus muitos botões turbo, marca registrada da empresa.



Dynavision 4

Fabricante: Dynacom
Padrão: 60 e 72 pinos
Lançamento: 1995






E a Dynacom pegou gosto pela coisa mesmo e não parava de lançar famiclones... O Dynavision 4 foi lançado em 1995, ano em que os consoles de 16-bits já estavam presentes em muitos lares brasileiros. Mas isso não pareceu preocupar muito a Dynacom, que lançou mais três modelos do Dynavision 4: Action, Advance e Radical (assim como aconteceu com o Dynavision 3).
O console tinha um visual mais compacto inspirado no Megavision, que era um clone do Mega Drive da própria Dynacom... E assim como seu antecessor também era 'double system'. A novidade aqui ficava por conta do botão Eject...
Seus controles eram os famosos Turbo Pad Control (TPC-1).



Dynavision Xtreme

Fabricante: Dynacom
Padrão: 60 pinos
Lançamento: 2005









Depois de um hiato sem lançar famiclones, eis que a Dynacom ressurge em 2005 com seu Dynavision Xtreme. Numa época em que consoles como Playstation 2 e Game Cube já eram realidade e sonho de consumo dos jogadores, o Xtreme até que conseguiu um bom número de vendas, provavelmente pras famílias de baixa renda onde os pais não tinham condições de comprar o videogame do momento e optavam por presentear os filhos com um videogame mais em conta...
Essa versão ficou muito popular por aqui por ser sorteada naquela roleta do "Bom Dia & Cia", que popularizou cenas bizarras como da Maísa gritando "Preysteichon! Preysteichon! Preysteichon!" pra debochar da cara de um dos participantes e também por marcar o jovem Yudi como o garoto que dava Playstation... Apesar da roleta quase nunca parar no Playstation 2 (eu não lembro de nenhuma vez pra ser sincero), e o participante acabava ganhando um maravilhoso Dynavision Xtreme!



Wii Vision

Fabricante: Dynacom
Padrão: 60 pinos
Lançamento: 2007











Como eu disse, a Dynacom não parava mais de lançar famiclones. Em 2007 ela lançou o Wii Vision, que imitava o nome e o design do Nintendo Wii.
O seu grande diferencial eram os controles sem fios; uma características marcante para um famiclone.. Mas não para os consoles daquela geração, como o próprio Wii!
O console também vinha com 111 jogos na memória e mais um cartucho com 106 jogos.
Dizem as lendas que o Wii Vision não ficou muito tempo no mercado, pois a Nintendo ameaçou processar a Dynacom pelo plágio descarado do seu Nintendo Wii, o que fez com que a Dynacom tirasse o videogame de circulação. A Dynacom lançou então duas versões com nomes diferentes para evitar o processo..
Apenas intitulados agora de Dynavision Black/White, os consoles mantiveram o design do Wii Vision, mas a mudança de nomes foi suficiente para evitar o processo e a Dynacom pode continuar vendendo seu mais novo famiclone sem maiores problemas.
Talvez esses tenham sido os últimos famiclones da Dynacom, que fechou as portas em meados de 2010/2011.



Xplay Vintage

Fabricante: Xplay
Padrão: 60 pinos
Lançamento: 2009/2010















Talvez um dos últimos famiclones lançados por aqui. O Xplay Vintage ainda pode ser encontrado em lojas de varejo como Americanas e Magazine Luiza... O videogame é barato, custando na faixa de 80 temers.
O console é bem pequeno e vinha acompanhado com dois controles e uma pistola, e apesar da entrada pra cartuchos de 60 pinos ele já vinha com 101 jogos na memória.
Relatos de usuários constam que tanto console como controles eram de qualidade bem duvidosa e quebravam com facilidade.
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