Phantasy Star (Master System)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008 Postado por Azrael_I


Gênero: RPG


Fabricante: Sega


Lançamento: 1987


Jogadores: 1







É nóis na fita! Meu primeiro post aqui como resenhador(pra quem não sabe, eu sou o sd2ioris, que costuma postar nos comentários), e também a primeira resenha de um jogo de Master... Vamos lá!

Muita gente diz que o baixo sucesso do Master System no Japão foi pela falta de RPGs(já que os japas são vidrados nesse tipo de jogo... prova disso é o que houve no lançamento de Dragon Quest 3). Bem, com certeza foi a falta da QUANTIDADE de RPGs, mas não da QUALIDADE. Phantasy Star é considerado uma das maiores revoluções no mundo dos games: foi não só um dos primeiros RPGs para consoles caseiros, mas também um dos primeiros a ter uma protagonista feminina(logo depois de Samus Aran, de Metroid) e o melhor, um dos primeiros jogos a ter perspectiva em primeira pessoa! Foi também um dos maiores jogos lançados para Master System, tanto em duração quanto em tamanho(pra se ter uma idéia, ele tem 512 Kb, o que é 16 vezes o tamanho de todos os outros jogos da época!). Diferente de outros RPGs, além disso, a história se passa num mundo futurista, em vez de medieval(fortemente inspirado em Guerra nas Estrelas/Star Wars, segundo a própria criadora do jogo, Rieko Kodama).

A história se passa no sistema solar Algol, onde existem três mundos habitáveis: Palma, muito semelhante à Terra, mas muito mais avançado tecnologicamente; Motávia, o planeta desértico e Dezóris, o planeta gelado. Algol era governado pelo rei Lassic(La Shiec, no original em japonês), que outrora benevolente, se tornou um frio e cruel ditador após se converter a uma nova e estranha religião, até que uma rebelião se forma, liderada pelo guerreiro Nero. Nero é morto na frente de sua irmã Alis Landale(Alissa Landell, no original), que jura vingá-lo e livrar Algol do jugo de Lassic. Começa então a jornada da jovem e inexperiente guerreira em busca de amigos e armas capazes de enfrentar o ditador e, mais do que tudo, a misteriosa força maligna responsável por tudo isso.

Embora possua apenas um final, o que conta em Phantasy Star é o desenvolvimento do jogo; durante a jornada de Alis, é possível percorrer todo o sistema Algol, ou seja, não apenas um mundo, mas três para explorar! O jogo usa três tipos de visão: visão aérea quando os personagens estão andando, visão de batalha(em que só se vê o oponente e o cenário em que a luta se desenrola) e a visão 3D em primeira pessoa quando se percorre uma masmorra(e são MUITAS). A quantidade e variedade de oponentes é absurda, desde insetos até dragões, o que rende inúmeras batalhas; o único defeito neste sentido é que só se enfrenta um tipo de oponente por vez, e quando aparece em bando, os demais só aparecem como números de HP extras. A jogabilidade em batalha acaba ficando um pouco confusa também, já que você não vê seus personagens, e pode acabar se confundindo na hora de ordenar os comandos. Durante o jogo é possível encontrar mais personagens para seu grupo, armas, itens, veículos que facilitam a movimentação(são quatro: landrover, hovercraft, cavador de gelo e nave interplanetária) além de muitas outras coisas.

Os gráficos são muito bons(para a época, claro). Com cores claras, usando o máximo possível da capacidade do Master, os cenários saltam à vista. Existem ainda imagens em CGs desenhadas no estilo mangá, que acontecem em algumas partes do jogo, o que ajuda a deixá-lo ainda melhor. Os labirintos, entretanto, embora sejam em 3D, acabam se tornando um pouco monótonos. Os sprites dos personagens são razoáveis, exceto o da Alis(ela tem cabelo preto no sprite e castanho claro nas CGs... vai entender).

As músicas são sem sombra de dúvida a melhor parte desse jogo! Os japoneses realmente capricharam, fazendo uma trilha sonora única e impecável para esta obra-prima(a música das masmorras simplesmente não sai da minha cabeça!), gravada em FM. Até mesmo nos dias de hoje são feitos remixes dessas músicas(um dos meus preferidos é o da banda Mega Driver). Uma pena, entretanto, que essa qualidade das músicas só possa ser completamente saboreada na versão japonesa do Master System(que possui o chip Yamaha YM2413); nas versões americana e brasileira, a qualidade das músicas caiu muito(mas mesmo assim continuaram boas, para a época).

A jogabilidade é um pouco difícil; embora não seja empedrada ou monótona como a maioria dos RPGs da época(entre eles Final Fantasy e Dragon Quest), ela é confusa, sendo comum errar um comando com tantas opções e muitas delas repitidas(mas nada que atrapalhe muito, já que mesmo as batalhas páram quando é a sua vez de escolher as ações dos personagens). Os labirintos são o cúmulo da dificuldade, dando dores de cabeça por não existirem mapas no jogo(mas é possível achar os mapas das masmorras em alguns sites; mesmo com mapas, é fácil se perder em alguns deles); eu mesmo já fiquei dias tentando encontrar a saída de alguns... além disso, as batalhas costumam ser difíceis; é impossível avançar no jogo sem fazer seus personagens subirem alguns níveis(mas existe tempo de sobra, quando se perde num labirinto). Existem ainda muitas missões a se cumprir, quebra-cabeças para desvendar, mistérios a resolver, armadilhas, passagens secretas nos labirintos... eu desafio qualquer um a descobrir o segredo para tornar visível o castelo de Lassic sem olhar em resenhas. A menos que se faça tudo da maneira correta, não dá pra vencer o jogo(e quando eu digo tudo, é TUDO mesmo!), e mesmo com uma resenha BOA o desafio é de enlouquecer. A própria equipe de testes da Tec Toy(responsável por lançar o jogo no Brasil) declarou que levou três MESES para terminá-lo!! É coisa de louco... ou de deixar qualquer um louco. Por sorte, existem cinco slots para se salvar o jogo, que pode ser salvo a qualquer momento em qualquer lugar. Uma outra coisa muito legal é a interatividade: é possível conversar com alguns monstros e evitar a batalha! É claro, isto se o seu personagem falar a língua do monstro(existe uma magia de tradução, mas apenas um certo personagem a possui).


Em 2003 foi lançado um remake de Phantasy Star para Playstation 2; chamado de Phantasy Star Generation 1, este jogo foi lançado apenas no Japão e tem todas as qualidades mas nenhum dos defeitos do Phantasy Star original. Gráficos e músicas melhorados(como se já não fossem bons!), CGs animadas e o que é melhor, a imagem dos personagens nas batalhas(o que elimina os defeitos de jogabilidade), este jogo tinha tudo para ser um verdadeiro sucesso... se tivesse sido lançado alguns anos antes, e de preferência, a nível mundial. Chegou a ser sucesso no Japão(tanto que fizeram um remake de sua continuação, Phantasy Star 2), mas infelizmente nunca foi lançado no Ocidente. No site Phantasy Star Cave existe uma comparação entre os gráficos das duas versões, a original para Master, e o Remake para Play 2!

Bem, com a alta qualidade de suas músicas, de seus gráficos e todas as suas inovações, Phantasy Star foi um jogo muito à frente de sua época, que conta com uma legião de fãs até hoje(eu, inclusive). É um jogo terrivelmente difícil, que em algumas partes até pode enjoar, mas quem começa dificilmente consegue parar até conseguir realmente zerá-lo(e ver as lindas CGs do final; acreditem, vale a pena). A história do jogo é um quesito à parte; embora ela tenha começo, meio e fim, ela é apenas a ponta do iceberg para o que vem por aí... O lançamento do Phantasy Star original foi esperado com grande alvoroço, em todos os lugares que ele pisou(inclusive no Brasil, onde ganhou uma versão em Português em 1991); embora hoje em dia muitos fãs repudiem a tradução feita pela Sega of America(existe até um grupo que retraduziu a versão japonesa e lançou a rom na net), ele cumpriu bem seu papel(foi inclusive lançada uma raríssima versão para Mega Drive, idêntica à do Master). Se a Sega tivesse mantido esse padrão em seus jogos, talvez o Master System não tivesse afundado, ou talvez o Mega Drive tivesse vencido a lendária batalha contra o Super Nintendo. Não é à toa que a Sega hoje em dia tenha virado apenas uma produtora de games e não tenha mais um console próprio.



NOTA FINAL: 9,2
UM GRANDE JOGO, QUE MARCOU SUA ÉPOCA E INOVOU OS JOGOS COMO NENHUM HAVIA FEITO ATÉ ENTÃO.



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4 comentários:

leandro moraes disse...

Só uma ressalva: O Mega drive ganhou a batalha contra o super nintendo. Ele teve mais consoles vendidos, principalmente por causa dos jogos de esporte.

PS realmente é um grande jogo, Texto bem legal.

Alex Ossale disse...

Há certas conexões do meu cérebro que só se ativam quando vejo a capa do Phantasy Star. É, de fato, um jogo transcendental

MarCel disse...

Belo post garoto! Apenas como ressalva esse jogo é muito, mas muito difícil mesmo. Lembro que eu possuía um manual na época que tinha todos os mapas, itens, etc (era um detonado completo) e mesmo assim eu chegava a ficar dias perdidos em dungeons. Se eu fosse definir esse jogo em poucas palavras eu falaria que ele é o Rei de todas as Dungeons. Um jogo muito bom! Ai, ai nostalgia

Anônimo disse...

nossa ja se passaram mais de 11 anos que eu não jogo esse jogo eu me lembro que levei 4 anos para zerar ele sem nenhuma ajuda sem tutorial,
não tinha dinheiro para essas coisas não lutei muito e consegui.
pra mim em questão foi o melhor jogo de rpg já lançado joguei todas as edições superiores 2,3 e 4 para megadrive. zerei todas menos o 3 que eu digo e a versão mais dificil por existir muitas maneiras de alcançar o final se não me engano bem existem multiplos finais para este jogo.
só vendo este topico me deu ate vontade de começar a jogar novamente.

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