Consoles Cancelados (IV)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008 Postado por Tristan.ccm

Infinium Phantom, o console fantasma


Toda empresa do mundo dos games precisa avaliar cada detalhe de um console que pretende lançar. Um detalhe muito importante é a mídia na qual os jogos serão gravados: vale mais a pena investir numa mídia nova ou é melhor investir em algo mais tradicional? Não é nada fácil responder essa pergunta, vejam só: a Nintendo investiu na tradição ao apostar nos cartuchos e o N64 não decolou, já a Sony quis inovar com o Blu-ray no PS3 e viu a Microsoft ultrapassa-la.

O pessoal da Infinium também deve ter feito a mesma pergunta, e creio que, em meio à discussão de qual mídia utilizar em seu console, um dos executivos deve ter pedido a palavra e soltado o verbo: ”Querem saber duma coisa? Não vamos usar mídia nenhuma nessa p*%%@”. Sua idéia era semelhante ao que ocorre hoje em dia com a XBox Live Arcade ou a WiiConnect24: baixar os jogos pela Internet e gravá-los num HD interno, num sistema que ele batizou de VPGN (na verdade, uma conexão comum de banda larga).

Esse é o Phantom. Sentiu falta do joystick? Continue lendo!


Era uma ótima idéia: sem mídia física, distribuição, manuais, lojas, etc., os jogos do Phantom ficariam extremamente baratos, e como o jogador teoricamente teria de usar os servidores VPNG, a pirataria seria impossível. Só que tem um detalhe: num console “comum”, você pode dar um pulo numa locadora e alugar um game por um dia ou dois para testar e ver se ele é bom, e se for você compra. Como fazer isso se a Infinium monopolizava tudo? E tem mais: caso o HD interno ficasse cheio, o que o gamer faria? Será que eles iam fazer que nem no Virtual Console do Wii (deletar o jogo e baixa-lo de novo, de graça)?

O sistema usado por Microsoft e Nintendo nos dias de hoje funciona porque os jogos baixados são, em sua maioria, clássicos das gerações passadas, que todo mundo conhece e gosta. Porém, no Phantom você faria isso com games que não conhecia, e a empresa não garantia que a grana investida poderia voltar pra você se o game não fosse bom. Some isso ao fato do pessoal da Infinium fazer um monte de promessas falsas quanto ao lançamento do console (a data era anunciada, estourava, anunciavam outra, estourava de novo...) e temos um console sem crédito algum. Afinal, como a imprensa especializada poderia falar de algo que ela nem sabia se existia direito?

E tem mais! Ninguém sabia do joystick do Phantom: inicialmente, a Infinium disse que qualquer joystick de PC serviria nele, depois veio com um tal de LapBoard, um teclado e mouse embutidos e sem fio que serviria de controle (embora 9 em cada 10 gamers odeie jogar no teclado). Foi aí que descobriram o primeiro podre da Infinium, pois essas notícias mais as especificações denunciaram que o Phantom nada mais era do que um PC que rodava apenas jogos. Se eu tenho um PC e ele roda jogos, pra quê diabos eu precisaria de outro?


Beyond Good and Evil, assim como um monte de jogos para PC, poderiam ser jogados no Phantom. Se coubessem em seu HD, é verdade!


Se isso tudo não bastasse, a Securities and Exchange Comission (SEC, uma espécie de CADE americana) aplicou sanções a Timothy Roberts, ex-presidente da Infinium. Os caras descobriram que, dos 62,7 milhões de dólares perdidos pela empresa, só 3,5 milhões haviam sido usados no desenvolvimento do console! (Será que o cara embolsou o resto?). Isso detonou o que restava da credibilidade da empresa, que cancelou seu console, mudou de nome para Phantom Entertainment e tenta sobreviver hoje com o LapBoard, prometido mas ainda não lançado. Nunca um console teve um nome tão merecido, pois o Phantom sempre foi um fantasma. Azar de quem acreditou nele.


Conhece outro console desses? Escreva para nós e saiba tudo sobre ele!
Na próxima, mais uma fera à solta no mundo dos games: Atari Panther.


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