Phantasy Star 2 (Mega Drive)

domingo, 2 de novembro de 2008 Postado por Azrael_I



Gênero: RPG


Fabricante: Sega


Lançamento: 1989


Jogadores: 1 player






Feliz Aniversário pro Mega Drive(ainda que eu esteja um pouco atrasado...)! Então, como presente pra ele, vamos resenhar um de seus primeiros sucessos, continuando a saga de Phantasy Star.

Phantasy Star 2 é o segundo jogo da série de RPG mais famosa da Sega. A história dele se passa mil anos após os incidentes de Phantasy Star. Desta vez, o protagonista é um homem, mas que tem a mesma missão que Alis: salvar o Sistema Algol da Dark Force, o poder maligno que ameça todo o universo. Embora seja um jogo da mesma série, a intenção aqui foi fazer um jogo completamente diferente do Phantasy Star original, embora tenha-se aproveitado muita coisa do primeiro jogo. Algumas mudanças foram boas, mas outras, entretanto, acabaram por deixar este jogo num ranking inferior ao primeiro, mesmo sendo mais moderno e lançado para um console superior.

A história começa no planeta Motávia. Outrora desértico, o planeta agora é regido por um super-computador chamado Cérebro-mãe, que regula todas as funções do planeta, principalmente o clima e a quantidade de animais, bem como tudo o mais que o povo de Motávia precisa, o que na verdade acaba por torná-lo um povo de preguiçosos. Os habitantes de Palma, por sua vez, vivem tranquilamente em suas torres de marfim enquanto que os habitantes de Dezóris estão muito ressentidos pelos danos que as minas de metal dos palmianos causaram à superfície de seu planeta, tornando-o todo cheio de imensas crateras. Entretanto, Cérebro-mãe teve uma espécie de pane e começou a produzir todo tipo de monstros, além de mergulhar Motávia numa seca como não acontecia há séculos, tornando a vida no planeta muito difícil. É então que surge o protagonista Rolf Landale, descendente direto de Alis; Rolf é um agente do governo que tem estranhos sonhos sobre uma garota enfrentando um demônio. Sem que ele saiba, essa garota é Alis, sua ancestral que salvou Algol séculos antes, e agora era Rolf quem teria que fazê-lo. No decorrer do jogo ele descobre que, aparentemente, Cérebro-mãe está tentando destruir Algol, mas parece haver mais alguma coisa maior por trás disso(e há).

É impossível não comparar Phantasy Star 2 com o primeiro jogo, uma vez que um é a sequência direta do outro. Mas a verdade é que existem poucas semelhanças; os gráficos de Phantasy 2 só estão melhores no jogo em si, mas as CGs não sofreram nenhum upgrade, além de serem muito poucas. Pra piorar mais, não existem mais labirintos 3D, a perspectiva nas dungeons é exatamente a mesma que no mapa normal. Pra piorar ainda MAIS, a visão de batalha é mostrada numa tela preta, em vez de num cenário, tornando as lutas bem aborrecidas. É claro que houveram melhoras; graças à capacidade do Mega Drive em relação ao Master System, os gráficos estão mais limpos e bonitos, menos pixelados. Outra vantagem é que agora você não só vê seus personagens, mas também vê quantos inimigos está enfrentando em vez de apenas números, além de poder enfrentar mais de um tipo de oponente, o que acaba tornando as lutas mais difíceis; a frequência com que aparecem inimigos também é bem alta, e mesmo fazendo seus personagens subirem bastante de nível, as batalhas continuam difíceis. A jogabilidade também sofreu um up, tornando o jogo mais agradável de jogar; os menus estão mais claros e objetivos, o número de itens, armas e magias também aumentou. A única coisa que diminuiu foi o número de veículos, sendo que agora você conta com apenas o Jet Scooter, uma espécie de barco(e que é extremamente difícil de conseguir!). Também é possível viajar entre os planetas, mas desta vez apenas em dois, Motávia e Dezóris; infelizmente, não dá para andar pelo planeta Palma, desta vez.


A qualidade musical também continua excelente. Graças mais uma vez à capacidade do bom e velho Drivo, temos mais uma vez uma excelente trilha sonora. Desta vez não houveram diferenças entre as versões japonesa e ocidentais, e embora não seja tão marcante quanto a do primeiro jogo, está muito boa e agradável. Meu destaque desta vez vai para a música das represas.

A dificuldade do jogo aumentou(como se já não fosse bem alta...). É considerado um dos RPGs mais difíceis de todos os tempos, seus labirintos atingem graus de dificuldade absurdos, sendo quase intransponíveis sem mapa. Da mesma forma que no primeiro jogo, existem ainda complicados quebra-cabeças que são muito difíceis de serem resolvidos sem um walkthrough(meu desafio desta vez é tentarem descobrir como chegar no Climatrol sem resenha). Tanto é assim que a versão americana vinha com um livro oficial de dicas(não lançado na versão brasileira), com mapas e informações para torná-lo mais fácil, mas houveram muitas reclamações por causa dos spoilers, e esta prática foi abolida. Um detalhe que facilita bastante é o fato de não se começar o jogo sozinho; você começa com dois personagens, Rolf e Nei, e encontra mais seis personagens no decorrer do jogo, cada um com armas e habilidades próprias, sendo que cada um é necessário em alguma parte do jogo. Alguns itens só podem ser obtidos com a habilidade de Shir de roubar itens das lojas, ao passo que Hugh tem excelentes técnicas contra biomonstros, mas é fraco contra máquinas, e Kain é bom contra máquinas mas fraco contra monstros. Saber onde e quando usar cada personagem é um fator decisivo em certas partes do jogo.

Se Phantasy Star foi uma revolução entre os RPGs, Phantasy Star 2 foi uma revolução no enredo dos
jogos. A abordagem é muito mais madura, e conta com elementos narrativos bem adultos(mas não no sentido sexual). Muitos dos nuances do complexo enredo de Phantasy Star 2 são estudados até hoje; referências ao Marxismo e ao Comunismo podem ser facilmente encontradas, além de questões sobre ética, política, suicídio e moral. Há ainda semelhanças com outro sucesso dos RPGs, Final Fantasy VII, entre elas a chocante morte de uma das personagens principais, e o final: os membros do grupo precisam lutar numa fria batalha final e o resultado desta não é mostrado, deixando livre ao jogador a interpretação do ocorrido. Antes que venham a acusar PS2 de plágio, não esqueçam que ele foi lançado 8 anos antes de FFVII... Existem muitas situações realmente únicas em Phantasy Star 2, mas a que mais se destaca é o triste fim de um dos filhos mais queridos de Algol, um de seus planetas.

Assim como aconteceu com Phantasy Star, Phantasy Star 2 também recebeu um remake para Playstation 2 chamado Phantasy Star Generation 2, lançado em 2005, como parte da coletânea Sega Ages. Phantasy Star 2 nem de longe foi tão inovador quanto o primeiro jogo. Entretanto, foi um excelente jogo que também marcou sua época e inaugurou muito bem o gênero no Mega Drive, tão carente de RPGs(como os japas gostam), ele continua um desafio para qualquer um que ouse jogá-lo. Sua bela história, sua jogabilidade, seus gráficos(muito bons para a época, embora inferiores aos de PS1), e seu enredo muito bem trabalhado são suficientes para colocarem Phantasy Star 2 no rol que ele merece: um clássico.



NOTA FINAL: 8,7
EMBORA NÃO TÃO INOVADOR QUANTO O PRIMEIRO, É UM ÓTIMO RPG, COM UMA BOA E DIFERENTE TRAMA.
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