Conker's Bad Fur Day (Nintendo 64)

domingo, 12 de abril de 2009 Postado por Azrael_I

Gênero: Plataforma/Ação/Corrida/Arcade


Fabricante: Rareware


Lançamento: 2001


Jogadores: 1 jogador - Multiplayer

"Now this is what I call a platform game!" - Conker

É difícil achar um jogo mais psicótico que Conker's Bad Fur Day(talvez apenas o jogo PuriLura, mas isso é outra história). O que acontece quando você pega um monte de filmes, mistura tudo no liquidificador, acrescenta um personagem fofinho mas que é também um beberrão desbocado, e transforma tudo isso num jogo? "Um monte de merda" diria qualquer um que nunca jogou Conker's Bad Fur Day, mas ainda bem que não é o caso(apesar do tal monte de merdar ESTAR no jogo!). A receita de CBFD pode parecer tosca, o jogo simplesmente não tem um enredo decente e o próprio Conker está bem longe de ser um "herói" típico. O inacreditável é que o jogo segue apenas sua premissa básica: divertir. Só isso. E, pra isso, não é necessário que o jogo tenha uma historinha à lá J.R.R. Tolkien ou que o herói principal seja algum matador de deuses ou coisa assim, basta apenas SER divertido, e acreditem, este jogo é!

Em Conker's Bad Fur Day - Dia de Maus Pêlos do Conker(por isso que tradução feita pelo Google não presta...) você joga com o Conker, o esquilo fodão, que tenta fazer o papel de herói(aliás, ele nem tenta, o jogo é que o empurra a isso) e, se possível, conseguir uma grana. Após uma noitada com os amigos, Conker acorda perdido e morrendo de ressaca. Em sua tentativa de voltar pra casa e ir pra cama tirar um cochilo(de preferência no colo de sua namorada Berri), ele se depara com um monte de bichos que, sem nenhum motivo em particular, vão complicar sua vida, principalmente um rei pantera com azia que quer transformar Conker em um pé de mesa pra sua mesinha de cabeceira(!!!). No decorrer dos oponentes e fases que enfrenta, Conker vai passar por remakes de uma porrada de filmes: O Exterminador do Futuro, Tubarão, Resident Evil, Drácula de Bram Stoker, O Resgate do Soldado Ryan, O Exorcista, Matrix e vários outros. O jogo inteiro não passa de um remake de um monte de idéias; não só os filmes, a jogabilidade foi toda chupada do Mario 64 e do Banjo-Kazoie, o Conker é praticamente um Tails de uma cauda só(até voar girando a cauda como helicóptero ele faz) e por falar em Tails, tem uma cena que foi toda roubada do Sonic Adventure. Em suma, o jogo parece não ter nada original, mas muito pelo contrário, aproveitando apenas as idéias dos filmes(e tendo, claro, sua ambientação própria), Conker's Bad Fur Day consegue ser um jogo completamente original. Em vez de um monte de fases de plataforma imbecis, em que em todas você tem que fazer exatamente a mesma coisa(como em muitos jogos de Mario e Sonic), em CBFD é preciso muito, mas muito mais trabalho; é como se fosse um monte de jogos em um único jogo: plataforma, tiro em primeira pessoa, shoot n'up, corrida, puzzle... cada fase tem seu conjunto de desafios e em nenhuma você passa pelos mesmos desafios que nas outras. No jogo inteiro acontecem coisas completamente insanas; em uma fase Conker deve pegar uma colméia pra uma abelha chorona e corna(o marido trai ela com uma flor), em troca claro de uma grana, enquanto foge de um bando de vespas furiosas; já em outra deve participar de uma corrida de pranchas de surfe sobre um rio de lava(muito parecida com a fase do Jet Sky de Battletoads, mas bem mais fácil); em outra ele deve conseguir uma bola de merda(?) e pra isso deve participar de uma tourada(!?) enquanto faz uma vaca cagar(!!!); e em outra, o Poderoso Chefão da máfia coloca uma bomba na mão de Conker, que ele deve usar pra passar pra próxima parte ou simplesmente explodir em mil pedaços! Tudo regado a altas doses de violência e muito humor. As CGs são hilárias(apesar de um pouco compridas demais), e todas na mesma estrutura do jogo, ou seja, com muito humor negro, palavrões e sangue pra todo lado.

Sem dúvida nenhuma, entretanto, o mais divertido do jogo é o personagem principal. Sem essa de esquilo bonzinho; Conker pode até ser fofinho, peludinho e com olhos de fazer inveja ao gato de botas do Shrek, mas ele está muito mais para Capitão Nascimento do que para Tails. Em sua jornada para casa(paródia de E.T.? Não, é de Um Dia de Fúria mesmo... ) e para obter sua grana, Conker não tem o menor receio em atropelar o que estiver em seu caminho. Conker pode até ajudar uns e outros no meio de suas missões, mas também não hesita em usá-los a seu favor quando lhe convém. Por exemplo: em uma missão, ele precisa ajudar um bebê dinossauro a nascer(a cena dele chocando o ovo é impagável!) só que ele não faz isso por pena ou coisa assim, ele precisa sacrificar o bebê dinossauro em um ritual pra abrir uma das portas da fase! Claro, isto é totalmente anti-ético, mas e daí? Dane-se, a intenção do jogo não é fazer sentido, é sim divertir e ser engraçado.

Os gráficos do jogo estão pra lá de excelentes. Algumas fases têm cenários tão realistas que você praticamente se sente num filme animado. As músicas também são ótimas, com destaque para a ópera cantada pelo chefe Great Mighty Poo. Já a jogabilidade não é muito boa em algumas fases, não só por causa do péssimo controle-monstro do N64, mas por causa do jogo mesmo; a mira em primeira pessoa é difícil de controlar(ainda mais se usa o teclado, no emulador), e andar em cima de passarelas estreitas em outras fases é pedir pra passar raiva; prepare-se com um bom estoque de vidas, principalmente nas fases que tem abismos, os inimigos podem até não te matar, mas as quedas inevitavelmente vão. Por outro lado, em outras fases, a jogabilidade fica muito macia, excelente; pena que não conseguiram deixar assim no jogo inteiro. Outro aspecto meio chato do jogo é que algumas CGs são meio compridas, e até mesmo a parte inicial demora pra engrenar; não chega a ser um problema, já que a maioria das CGs são bem divertidas, mas acaba sendo muito enrolado. A vantagem é que dá pra pular as CGs, mas só depois de zerar o jogo.

Como eu disse antes, a maior qualidade de CBFD é que simplesmente não existe tédio no jogo inteiro(exceto talvez em algumas CGs). É uma salada de vários jogos em um só; as primeiras fases são muito parecidas com Mario e Banjo, já a fase na Idade da Pedra lembra mais Zelda(com direito, inclusive, a uma montaria! Pena que não tenha espada...) e a fase da guerra é como se fosse um Metal Slug em 3D(e sim, tem um tanque pra dirigir!!!). Tem ainda a fase da corrida na lava, a fase estilo Resident Evil e, claro, a fase que parodia Matrix! Essas e muitas mais fazem este jogo até hoje ser considerado um dos mais originais e versáteis já feitos, já que tem fases para quase todos os gostos. Além de tudo isso existe ainda um modo Multiplayer com vários modos , à lá Goldeneye, Team Fortress e outros. Mesmo que você por acaso enjoe de jogar o jogo normal(só se for louco), ainda dá pra se divertir bastante com os amigos no modo Multiplayer. Em 2000 foi lançado um remake para o XBox chamado Conker: Live e Reloaded; é basicamente o mesmo jogo, a única alteração óbvia é a parte gráfica, mas houve uma melhora no Multiplayer, que agora é Online. Se antes já era divertido, imagine então jogar com pessoas do mundo inteiro!

Ah sim, pra não dizerem que só elogiei, vai aqui um defeito sério do jogo: a censura nas falas. Todos os palavrões aparecem censurados com o famoso barulhinho(Pii!), e as falas nos balões são substituídas por aquele recurso dos gibis, tipo "What a f$#@, son of a &*%$#@"! Pow, o jogo é só para maiores, tem um monte de cenas de violência explícita, além de insinuações sexuais, e os produtores vêm censurar umas palavras?! Esses americanos são mesmo uns retardados...




NOTA FINAL: 8,9
UM JOGO EXCELENTE? NÃO. ULTRAMEGAFODÁSTICO! TRABALHO DE QUALIDADE DA RARE, BEM AO ESTILO DE BATTLETOADS: FASES VARIADAS, SOM ANIMAL E MUITA PSICOSE!
Plataforma:


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