[Games em Foco] ROMhacking

terça-feira, 14 de dezembro de 2010 Postado por Tristan.ccm

Quem nunca jogou um game ou viu um filme até o final e pensou coisas como "isso podia ter sido feito de outro jeito" ou "se fosse eu, o final tinha sido outro"? Afinal, é da natureza humana modificar algo para nosso próprio proveito. E com os games, isso não poderia ter sido diferente, e sendo eles essencialmente programas de computador, modificá-los não é tão difícil para quem sabe alguma linguagem de programação. Surgiu, assim, o ROMhacking.

Mas o que é ROMhacking?










Traduções, como essa de Chrono Trigger, são a forma mais comum de ROMhacking

É toda e qualquer modificação feita num jogo. Existem, basicamente, três tipos de ROMhacking:

- Tradução: jogos que nunca saíram do Japão ou, o que é mais comum, nunca ganharam uma versão em português, ganham um novo idioma. Isso acontece com mais frequência em RPGs, com o intuito de facilitar a vida dos jogadores que não sabem inglês ou então para tornar jogáveis os JRPGs que não foram lançados no Ocidente.

- Retradução: geralmente é feita em jogos que foram traduzidos de forma oficial, mas o trabalho é considerado de baixa qualidade pelos fãs. Acontece muito nas traduções do japonês para o inglês, mas já há casos de retraduções brasileiras (um exemplo famoso é a de Phantasy Star, do Master System).

- Mods: é a modificação das características originais de um jogo, e pode ou alterar sua dificuldade (como os mods de Final Fantasy VI já citados aqui no blog pelo Azrael) ou introduzir novas fases e/ou personagens. Alguns mods alteram tanto o jogo original que acabam por criar um jogo totalmente novo (o caso mais famoso é o de Counter-Strike, que surgiu como um mod de Half-Life).

O ROMhacking é pirataria?

Oficialmente, sim. Modificar o código-fonte de um jogo fere a Lei de Direitos Autorais (no Brasil, é a lei 9610 de 19/02/1998), mesmo que isso seja feito sem fins lucrativos. Além disso, os hacks usam personagens cujos direitos pertencem às softhouses.

Então ninguém pode fazer ROMhacking?











Mônica na Terra dos Monstros, do Master System (esq.), um hack oficial de Wonder Boy in Monster Land (dir.)

Não necessariamente. Pela lei, se o detentor dos direitos autorais autorizar a modificação, sem problemas. Aliás, isso já foi feito, tanto no Brasil quanto nos EUA: a Nintendo achou que a versão japonesa de Super Mario 2 não agradaria o mercado americano, e decidiu lançar nos states uma versão do game Doki Doki Panic com a turma do Mario no lugar dos personagens originais. No Brasil, a Tec Toy usou o ROMhacking para criar games com personagens brasileiros, como a série de games da Turma da Mônica (todos eram hacks da série Wonder Boy) e o game do Geraldinho, personagem criado pelo saudoso cartunista Glauco (era um hack de Teddy Boy). Até mesmo o Chapolim Colorado ganhou um game com essa técnica (um hack de Ghost House, do Mega Drive).

E os hacks não-oficiais? São bons?












Nem sempre o ROMhacking é um bom negócio...

Assim como nos games "originais", nem todos. Existem traduções que acabam dando problema: a de Terranigma, além de incompleta, buga todos os outros diálogos, e exite uma tradução de Zelda Link to the Past que trava uma estátua na última dungeon e torna impossível terminar o jogo. No mundo dos mods, exite um Sonic para SNES (!!!), que na verdade é um hack do game Speedy Gonzales, totalmente descaracterizado: Sonic ataca os inimigos com socos, não vira "bolinha" e tem que salvar vários Marios de jaulas. Porém, existem alguns que merecem sua atenção. Segue abaixo três exemplos de hacks bem feitos e divertidos:

1- Sonic 1 Megamix (Mega Drive e Sega CD)


Uma modificação do jogo original que adiciona elementos e personagens de outros jogos. Além de Sonic, Tails e Knuckles (esses dois últimos, só na versão de Sega CD), aqui podemos jogar com Shadow the Hedgehog (de Sonic Adventure 2) e com Mighty the Armadillo (de Knuckles Chaotix), cada um com habilidades próprias: Mighty tem uma espécie de inventário que permite guardar itens como escudos e botas de velocidade, enquanto Sonic e Shadow podem usar o Homing Attack (apertanto pulo no ar, eles voam pra cima do inimigo mais próximo). Além disso, os escudos famosos do game Sonic 3 (trovão, fogo, etc.) estão presentes, mas há monitores com o rosto do Eggman que causam dano. O jogo é uma ótimas pedida para aqueles que, como eu, ficaram com água na boca de ver o novo Sonic 4 mas não tem um Xbox 360 ou um PS3.

2- Zelda's Birthday (N64)


Um hack criado para comemorar os dez anos de Ocarina of Time (daí o nome), ele foi feito quando descobriu-se uma ROM debug de Master Quest (a versão "hard" de Ocarina que vinha com Wind Waker). Aqui, Link precisa ajudar Saria a recuperar o presente de aniversário da princesa Zelda, que foi roubado. Se você acha que Master Quest era difícil, Zelda's Birthday vai te mostrar que ele era bem facinho! Imagine passar por uma floresta infestada de aranhas gigantes, plantas carnívoras, bichos que cospem nozes e até mesmo um lobisomem... DESARMADO!!!!!!! E isso só pra pegar a espada! Eu ainda não zerei, mas digo a vocês que jamais joguei um Zelda tão complicado quanto esse!

3- Street Chaves (PC)


Quem nunca assistiu Chaves pelomenos uma vez na vida? Hoje a gente pode até achar bobeira de tanto que foi repetido esse programa, mas quando você era criança e ele era novidade, aposto que você ria, e muito. Agora, o tal de CyberGamba que fez esse hack teve uma ideia de gênio! Uma das vantagens é que ele roda direto, sem emuladores. As músicas foram tiradas de um vinil lançado anos atrás com músicas inspiradas no seriado, e os cenários são os mesmos que estamos acostumados: casa do Seu Madruga, Pátio da Vila, etc. Embora alguns não o considerem um hack, ele usa como base lutadores de games famosos (ver o Prof. Girafales dando um "Tiger Robocop" não tem preço!), para gerar um dos mais engraçados games de luta já feitos.
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Bem, essa foi a minha contribuição ao Games em Foco. Se você conhece algum hack que seja legal ou que mereça ser esquecido, use os "Comentários" abaixo e dê sua opinião!
Nota: Agradeço ao portal PO.B.R.E., ao site da Revista Game Sênior e ao Douglas, dono da comunidade oficial do Project64 no Orkut pelas informações e suporte recebidos para essa matéria.
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