X-Men (Mega Drive)

domingo, 3 de julho de 2011 Postado por Azrael_I


Gênero: Ação



Fabricante: Sega (junto com uma tal Western Technologies Inc.)



Lançamento: 1993



Jogadores: 1-2 jogadores



"Sometimes... You have to crush your enemies where they live!!!"

Nos anos 90 os X-men já eram uma febre mundial dos gibis e dos desenhos animados; obviamente não iriam ficar de fora dos games! Este é sem dúvida um dos jogos mais bem trabalhados dos mutantes, além de ser um dos mais difíceis...

Os X-men estavam treinando na Sala de Perigo (aquele lugar que eles usam pra treinar seus poderes com simulações), quando alguma coisa saiu errada e a sala ficou fora de controle, colocando os mutantes em situações cada vez mais arriscadas e contra oponentes poderosos (como os vilões Zaladane, Dentes-de-Sabre e Apocalypse). O culpado disso foi Magneto, que enviou um vírus de computador por satélite (Internet via satélite? A Sega previu o futuro!) , e os X-men agora têm que enfrentar os desafios da Sala de Perigo até que o vírus possa ser eliminado pelo Professor Xavier e, claro, ir ajustar contas com Magneto em sua base no Asteróide M.

O game em si é o típico jogo de plataforma, com uma jogabilidade bem razoável, muitos inimigos e alguns daqueles típicos Buracos Of Doom; a maior vantagem, entretanto, é justamente o fato de se poder jogar com os X-men. Estão disponíveis os X-men Gambit, Noturno, Ciclope e, claro, Wolverine (todo game dos X-men que se preze TEM que ter o Wolverine... $$$$ ), cada um com movimentos específicos e poderes próprios. Gambit ataca usando seu bastão (melhor alcance), tem ótimos saltos e dispara suas cartas explosivas (que neste game seguem os adversários); Noturno tem pulos bons, socos fracos, e seu poder de teletransporte é quase ilimitado (sabendo usá-lo, claro); Ciclope tem o melhor salto, socos razoáveis e sua rajada ótica é sua melhor arma; Wolverine tem o pior pulo, seus socos são fortes e ficam melhores ainda quando se usam as garras; além disso, ele também tem o Fator de Cura que regenera sua barra de life (mas demora uma eternidade); o game conta ainda com o profile dos quatro personagens (perdoem a Sega, fãs do Wolverine; ninguém, nem a própria Marvel Comics, sabia ainda que o nome verdadeiro dele é James...). É possível jogar com um ou dois X-men ao mesmo tempo (player 1 e 2, mas obviamente sem ambos poderem escolher o mesmo personagem), além de ser possível trocar de personagem no meio do jogo (apertando pause); esta troca, entretanto, é limitada na maioria das fases a um certo número de vezes, mas ilimitada entre as fases (entre as fases há um mini-estágio na Sala de Perigo, onde é possível trocar de personagem e pegar energia). Por outro lado, se um dos X-men morrer, ele não estará mais disponível até depois da 5ª fase. Cada personagem tem duas barras: uma de vida e uma de poder; isto limita o número de vezes que se pode usar o poder de cada um, mas felizmente a barra de poder se autorrecarrega (a barra de vida do Wolverine é a única que se recarrega sem itens, óbvio...). Além dos quatro, é possível chamar outros X-men para ajudar durante as fases (no mesmo esquema "magia salvadora" típica de Beat n' Up como Golden Axe): Tempestade, Vampira e Arcanjo destroem os inimigos na tela, Homem de Gelo cria rampas de gelo para transpor buracos e Garota Marvel (nome que a Jean Grey usava na época do game) salva dos Buracos of Doom. Alguns inimigos têm meios específicos de serem derrotados (como Juggernaut, que só é ferido na cabeça, e Dentes-de-Sabre, que só pode ser atingido quando se abaixa).

A trilha sonora está espetacular (ou melhor, "Uncanny", heheh)! Fletcher Beasley, compositor da trilha sonora do jogo, disse:

"My inspiration was to create some hard edged rock/electronica tracks that would work well in the game. In part, this was because I listened to music of that era and had played in many rock bands but also because I thought it would work better on the Genesis than to attempt something more organic or orchestral sounding. The Genesis’ synthesizer uses four operator FM synthesis as its sound source. FM sounds best, in my opinion, doing hard edged, distorted sounds or very synthy sounds. It’s not so good at organic sounds. On X-Men, I was attempting to create the sound of distorted guitar on many of the tracks I wrote."

Realmente, ele aproveitou o melhor do sintetizador de som do Mega Drive (chip Yamaha 2612 FM)... mas infelizmente, isto ficou restrito às músicas. Os demais sons do game são tão ruins que é fácil esquecer das ótimas músicas no meio da barulheira de "fíns" e "fóns" que enchem as fases... o barulho dos personagens morrendo é horrível (no mal sentido da palavra).

A parte gráfica está tão caprichada quanto a sonora: os cenários e os personagens são muito detalhados, fazendo os jogadores se lembrarem e identificarem bem as situações e locais dos gibis. Porém, assim como na parte sonora, os gráficos também têm um leve problema: são muito pixelados, a ponto de lembrarem muito alguns jogos da primeira geração do Mega Drive, como Revenge of Shinobi e Streets of Rage. Nada que chegue a atrapalhar, verdade, mas pra um jogo de 1993 podia-se esperar mais do uso do processador gráfico do Mega. Por outro lado, havia muito capricho no jogo: a caixa do cartucho original americano vinha com um pôster com ilustrações e mapas das fases, além de dicas; ê época boa pros games! As seis fases, todas tiradas dos gibis, estão bem caracterizadas e reconhecíveis: Terra Selvagem, Império Shi'Ar, Farol do Excalibur (com aparição até da Espada Espiritual), Mundo de Ahab (da história Dias de um Futuro Esquecido), Dimensão Televisiva de Mojo e Asteróide M, além da tela de seleção de personagens entre as fases, no controle da Sala de Perigo, praticamente uma "Fase de Bônus".

Talvez o detalhe que mais chame a atenção neste game, porém, é a interatividade; X-men para Mega Drive foi um dos primeiros jogos para consoles a usarem o sistema de "romper a 4ª Parede"; basicamente, é quando a história do game requer que o jogador faça algo no mundo real para que o jogo continue (como quando se troca de controle na luta contra Psycho Mantis em Metal Gear Solid, por exemplo). No caso de X-men, isto acontece na fase do vilão Mojo (5ª Fase): após derrotar o chefe de fase, o game vai pedir que o jogador resete o computador, mas não há nada na tela onde isso possa ser feito; a verdade é que o jogador precisa apertar o botão de Reset do próprio Mega Drive! E ainda por cima precisa ser um resete rápido (Soft Reset), apenas um toque no botão do console; se segurar por tempo demais (Hard Reset), o jogo volta ao início (mandando pro brejo todo o tempo e esforço que os jogadores tiveram pra passar da 5ª fase...). Feito o Soft Reset direito, a tela vai ficar preta e em seguida vai encher de código binário (010101010), para em seguida aparecer a mensagem "VIRUS PROGRAM SUSPENDED", uma cut-scene, para finalmente retornar à Sala de Perigo com todos os quatro X-men com a energia cheia, prontos para encarar a última fase; tudo isso só pra eliminar o vírus do Magneto e poder enfrentar o próprio! Parece fácil? Não é, eu garanto... este sistema, embora inovador pra época (só se teve coisa parecida anos depois, em Metal Gear Solid, como eu citei) foi muito criticado por causa dos problemas: além do risco de resetar o jogo (e fazer o jogador tacar o videogame e a cabeça na parede, com certeza...), o sistema tornava o jogo impossível de terminar quando jogado no Sega Nomad (o Mega Drive portátil), já que este console não tem o botão de Reset; o jeito era apelar pro truque de seleção de fases...


NOTA FINAL: 8,0
UM GAME ÚNICO NA HISTÓRIA DO MEGA DRIVE, MOSTROU O POTENCIAL DO CONSOLE, AINDA QUE DEIXANDO A DESEJAR EM ALGUNS DETALHES! DIFÍCIL COMO SÓ UM JOGO BASEADO EM QUADRINHOS SABE SER, UM VERDADEIRO DESAFIO PARA OS FÃS DOS SUPER-HERÓIS MUTANTES.
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