Pit-Fighter (Mega Drive)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011 Postado por Azrael_I

 

Gênero: Luta


Fabricante: Atari Games


Lançamento: 1991


Jogadores: 1-2 (até 3 no Arcade)







"Yeah!!!"

Digitalização. A maioria dos gamers pensa que Mortal Kombat foi o primeiro jogo de videogame a usar a tecnologia de captura de imagens, entretanto não é bem assim; este tipo de tecnologia (que consiste em usar fotos, vídeos e frames de pessoas, cenários e objetos reais e adaptar para um game, em vez de desenharem os gráficos) já era usado ainda na época do Nintendo 8 Bits, mas de forma precária (mesmo para a época, quando CDs e LaserDiscs já existiam, poucos jogos digitalizados bons foram lançados; notórios são alguns destes lançados para o Sega CD, como o horrível Make My Video INXS), principalmente no Japão, nos famosos games do tipo AVG para computadores; nos consoles, games digitalizados raramente faziam sucesso (ainda mais quando tinham a qualidade do Hong Kong 97...). Nos Arcades (máquinas de fliperama) essa tecnologia já estava um pouco mais avançada, era possível até mesmo ver pequenos filmes nos games; foi então que a Atari Games, como sempre costuma fazer, resolveu ousar e fazer um game inteiro com imagens digitalizadas. Foi assim que nasceu Pit-Fighter, lançado para Arcade e surpreendentemente bem adaptado poucos meses depois para Mega Drive.

O game em si não tem exatamente uma história; os jogadores devem competir num torneio de lutas clandestino com um dos três personagens disponíveis, o wrestler Buzz, o kickboxer Ty (que eu sempre achei o rosto parecido com o do meu pai!) e o Karateca Kato, enfrentando todo tipo de lutador e brigão de rua em arenas e ringues improvisados em diferentes lugares até poder lutar com o campeão Masked Warrior (o estilo lembra bastante os filmes do Van Damme, como O Grande Dragão Branco e Leão Branco Lutador Sem Lei). Tudo muito simples exceto por um detalhe: NÃO TEM REGRA ALGUMA NESSA PORRA!!! Nas lutas vale fazer absolutamente QUALQUER COISA contra seu oponente: socar, chutar, dar voadoras, cabecear (a cabeçada do Buzz tira life pra caralho!), cotoveladas, bater no oponente caído no chão, jogar mesas, barris, motos (!!!) e o que mais tiver no cenário contra seu oponente (na falta disso dá pra jogar até mesmo o amigo!) ou arremessar o próprio oponente (é legal demais jogar um oponente contra outro) e até mesmo tomar um "doping" pra deixar seu personagem mais forte e durão. Todos os personagens costumam fazer algum tipo de provocação ou cumprimento, mas é absolutamente permitido bater neles nesse momento (destaque aqui vai para o cumprimento do Kato, o mais demorado, que costuma deixá-lo indefeso na pior hora possível... fazer o que, Karate começa e termina com cumprimento!)

O gráfico de Pit-Fighter é o que costuma chamar a atenção, à primeira vista; obviamente isto é por causa que o jogo inteiro é composto de imagens digitalizadas. A começar pela abertura, um pequeno filme animado que mostra o treinamento dos três personagens jogáveis, a animação gráfica para os personagens foi feita através do processo de Tela Azul (ou Chroma Key, a mesma tecnologia usada nos efeitos especiais do Chapolin...). Até os menores detalhes do game são digitalizações (um destaque vai para uma pequena TV digitalizada, no cenário do bar, que fica mudando as imagens), e até mesmo a plateia que fica torcendo é composta de pessoas digitalizadas! Existem muitos cenários, sendo que cada fase tem um cenário próprio: bares, restaurantes, armazéns, porto, metrô... existem muitos oponentes, para todos os gostos. Os cenários e plateia digitalizados às vezes parecem ligeiramente com recortes animados de jornal ou gibi (afinal, a conversão das imagens para game retirou grande parte da qualidade), mas a maior parte disso é proposital; este efeito não chega a ser ruim (afinal, efeito parecido foi usado em filmes recentes, como Sin City), mas pode afastar à primeira vista jogadores novatos e que nunca ouviram falar de Pit-Fighter. Os movimentos dos personagens estão ótimos, com muitos detalhes, é fácil distinguir os movimentos de todos os personagens. No Arcade, a tela se aproxima e se afasta conforme a distância entre os personagens (como em Samurai Shodown), mas isto não pôde ser convertido pro Mega; a tela não fica parada, mas não há a mesma noção de profundidade.

A parte sonora não é nada excepcional. No quesito músicas; digamos simplesmente que as músicas de Pit-Fighter cumpram sua função (meu destaque pessoal vai para a música da primeira fase do Mega, que eu não canso de escutar). Os efeitos sonoros, por sua vez roubam a cena (ou o som): estão bastante realistas, os sons dos golpes, dos objetos quebrando e, principalmente, as vozes; assim como aconteceu com os gráficos, todos os efeitos sonoros e vozes também foram digitalizados de vozes reais. Graças ao processador sonoro do Mega Drive, a conversão das vozes do Arcade foi praticamente perfeita (respeitando o limite dos 16 Bits, óbvio), as vozes estão bem claras e limpas (principalmente as do Masked Warrior: "You Die!").

A jogabilidade é sem sombra de dúvida a melhor parte de Pit-Fighter e a parte que mais interessa aos fãs! Diferente de outros games de luta como Street Fighter e Mortal Kombat, a jogabilidade de Pit Fighter lembra mais jogos do tipo Beat n'Up (tipo Streets of Rage e Final Fight), sendo possível percorrer toda a tela do ringue da fase, de um lado pro outro, pra cima e pra baixo (só não é possível sair do ringue, que é limitado pela plateia). Que se danem os gráficos e os sons, a jogabilidade de Pit-Fighter por si só já vale o jogo inteiro!
Como foi dito, é possível fazer praticamente tudo no cenário da luta; socar, chutar e pular são os comandos básicos, e através de combinações de botões é possível fazer efeitos diferentes: apertando chute + pulo o personagem dá uma voadora, ->-> e ele esquiva rolando, apertando soco + chute seu personagem levanta alguma coisa do cenário (qualquer objeto ou mesmo outro personagem) e apertando os três botões juntos o personagem acerta um ataque especial nos oponentes (seguido de uma comemoração, o que pode deixar o personagem vulnerável se ele errar o golpe). É possível usar armas que aparecem em algumas fases, como facas, shurikens, bastões ou simplesmente quebrar algum objeto nos inimigos; em algumas fases aparece ainda a Power Pill, que por alguns instantes torna o personagem mais forte e resistente aos ataques (mas não invulnerável; pior, a Power Pill pode ser pega por um dos oponentes, assim como qualquer arma no cenário! Boa sorte se o Chaimain Eddie ou o Warrior pegar a Power Pill...). É possível até fazer os oponentes atacarem uns aos outros (só quem é bom no jogo consegue)! Em algumas fases é possível até mesmo quebrar partes do cenário, como na fase que tem carros. Mas o detalhe mais legal é que a torcida também pode entrar na porrada! Se o personagem fica muito tempo próximo da plateia, ele é empurrado pelos torcedores, ou às vezes um homem ou uma mulher com uma faca, ou um gordão com um porrete tenta atacar o personagem; da mesma forma, é possível atacar esses torcedores e ROUBAR A ARMA DO CIDADÃO pra usar na luta! Enfim, é tanta coisa possível de se fazer que nem cabe no post...

Antes mesmo de Mortal Kombat e Street Fighter, os jogadores já faziam fila nos fliperamas para jogar Pit-Fighter, e com razão: mais do que um mero game de luta, Pit-Fighter é também um game de cooperação. No modo 2 players (ou mesmo 3 players, na versão de Arcade), os jogadores devem enfrentar fase a fase um junto com o outro, enfrentando os oponentes que aparecem; em cada fase aparece um oponente pra cada jogador, portanto convém muito ajudar a manter o amigo vivo... pelo menos até a penúltima fase, onde os jogadores sobreviventes devem se enfrentar até a morte! Depois de vencer os dois oponentes da penúltima fase (dois Chainman Eddie de uma vez, mesmo no modo 1 player!), há uma luta extra caso tenha mais de um jogador, e os jogadores devem lutar um contra o outro pra ver quem vai enfrentar o Masked Warrior. Pois é, contra o chefe final, só deve haver um... Além disso, a cada duas fases há uma "fase de bônus" chamada Grudge Match, onde os players também lutam um contra o outro (no caso de apenas um jogador, ele vai enfrentar um clone de seu personagem) numa partida amistosa pra ganhar mais alguns pontos.

Pit-Fighter é um game difícil, e a conversão pra Mega não mudou isso. Enquanto no Arcade as vidas dependiam das fichas (uma mísera vida pra cada ficha), no Mega cada jogador começa com apenas três continues e nada de vidas! Pra piorar, a energia NÃO SE RECARREGA em momento algum do game, então o jogador tem que lutar o melhor que puder e ser atingido o mínimo possível, ou nem sequer vai chegar nas fases mais avançadas, muito menos no chefe final (felizmente, as Grudge Matches não gastam energia, cada jogador tem direito a três Knockdown em todas). No Mega Drive foi criada também uma tela de opções, onde é possível escolher o modo de jogo (normal ou pratice, onde se joga apenas numa Grudge Match, bom pra uma luta rápida com um amigo), Sound Test e nível de dificuldade para cada personagem (pra terem uma ideia da dificuldade, o game tem até oito níveis de dificuldade, sendo que o nível normal é 3); bom pra quem gosta de bancar o bonzão e dizer que joga melhor que o outro, é a chance de provar.

Após a versão inicial para Arcade, Pit-Fighter recebeu conversões para uma porrada de consoles: Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64, Mega Drive, Master System, Sinclair ZX Spectrum, Super NES, PC (DOS), Atari Lynx, Game Boy, Tiger, além de um beta para o Atari 7800 (que ninguém sabe por que nunca foi terminado) e recentemente foi portado para GameCube, Playstation 2, XBox e uma nova versão para PC. A versão de Mega, embora tenha gráficos um pouco mais embaçados e bem sprites menores que a de Arcade (além de só poder contar com dois jogadores simultâneos) conseguiu entretanto ser a mais bem sucedida de todas, se estabelecendo como um grande clássico do Drivo. Por outro lado... a versão de Snes é considerada até hoje uma das piores conversões já feitas de um game, com gráficos muito piores, som pra lá de piorado e jogabilidade horrenda (talvez valha até uma postagem separada, só pra terem uma ideia de como o Pit-Fighter de Snes é ruim... até perdôo o P.A. pelo seu comentário sobre Pit-Fighter nas piores capas, a versão de Snes merece todos os xingamentos!).

Em 1993, foi anunciada a sequência de Pit-Fighter pela edição 49 da revista EGM (a mesma que lançou a lenda de Sheng Long em Street Fighter, anos depois...), com fotos mostrando Kato, Buzz e Ty junto com novos personagens chamados Connor (karateca), Tanya (patinadora[?!?]) e Chief (ex-guarda-costas), além de novos oponentes chamados Helga e Jay-Jay; até hoje ninguém tem certeza se essa sequência realmente foi planejada ou se as fotos foram uma montagem bem feita (lá atrás, na série "Os Jogos que o Tempo (quase) Esqueceu", eu prometi que ia explicar sobre a "quase-continuação" de Pit-Fighter. Como disse na resenha de Final Fantasy V, aqui no Museum cumprimos nossas promessas!).

Com certeza, a carreira de Pit-Fighter teria durado ainda mais se não fosse o lançamento de Street Fighter 2 em 1991 (mesmo ano da versão de Mega de Pit-Fighter), e com o lançamento de Mortal Kombat no ano seguinte, Pit-Fighter praticamente já era uma relíquia. Seus fãs, entretanto, continuam fiéis até hoje, reverenciando-o como o primeiro game totalmente digitalizado que foi bem-sucedido. Então, escolha seu lutador favorito (eu sempre escolhia o Kato por causa da dificuldade e do Karate), suba no ringue e desça a porrada! UFC pra quê? PIT-FIGHTER COMANDA, PORRA!



Obs.: Coloquei imagens de quase todas as versões aqui; Troféu Cata-Piolho pra quem conseguir identificar todas!


NOTA FINAL: 8,8
SUCESSO NOS ARCADES, COM UMA CONVERSÃO EXCELENTE E DIVERTIDA PRO QUERIDO DRIVO, TEVE UMA CURTA CARREIRA, O QUE BASTOU PARA CONSOLIDÁ-LO COMO UM DOS GRANDES CLÁSSICOS DO MEGA DRIVE. E QUEM NÃO CURTE VAI TOMAR PILÃO DO BUZZ...
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