River City Ransom (Nes)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011 Postado por Azrael_I



Gênero: Beat n' Up/RPG


Lançamento: 1989


Fabricante: Technōs


Jogadores:
1-2







"BARF! "

Como eu disse na série Perfil, cada empresa tem seu mascote. A Technos, empresa (hoje falida) que criou o game Double Dragon, também tem (ou melhor, tinha) o seu: trata-se de Kunio-kun, um estudante que luta para proteger sua escola e seus amigos dos valentões e divulgar os esportes entre os jovens (um dos mascotes mais politicamente corretos de todos os tempos). Mas Kunio-kun não é exatamente o tema deste post, e sim seu terceiro game, lançado para Nes no Japão com o nome de Downtown Nekketsu Monogatari e relançado na Europa com o nome Street Gangs e nos EUA como River City Ransom; este foi, inclusive, o primeiro game lançado para um console pela American Technos Inc., subsidiária da Technōs japonesa, e nada melhor do que começar com um game do personagem que se tornaria o mascote da empresa, em grande parte justamente por causa do sucesso deste jogo (talvez eu faça um Perfil do Kunio-kun depois; afinal até o Goemon ganhou um...).
Kunio/Alex é o de camisa branca

Em River City Ransom, a escola River City High foi tomada pelas gangues de rua controladas pelo vilão Slick, que também domina as demais escolas de River City. Controlando Alex (nome americanizado do Kunio-kun neste game) e seu amigo Ryan (Riki no Japão), os jogadores devem descer a lenha nas gangues, enquanto lutam para libertar as escolas e resgatar Cindy (Mami no Japão), a namorada de Ryan que foi sequestrada por Slick (erro clássico dos vilões dos games: raptar a namorada de um dos heróis. POR QUE eles sempre fazem isso, sabendo que os heróis vão ir atrás deles totalmente p... da vida?!).

Riki/Ryan o de camisa azul

Diferente de outros Beat n'Up, River City Ransom segue um padrão de jogo não-linear similar ao de um RPG "normal" (tipo Final Fantasy); os jogadores são livres para explorar toda River City em busca de dinheiro, itens, armas, técnicas e experiência, além de descanso em hotéis e saunas e comida em restaurantes (para recuperar energia). É possível - e até necessário - ir e voltar várias vezes pelas vizinhanças para ganhar dinheiro e experiência, além de ser necessário comprar técnicas que tornam o personagem mais rápido e mais forte; os itens, experiência dinheiro e demais são possíveis de conferir em um inventário. Este sistema "semi-RPG" é combinado com o de um Beat n'Up normal; em vez de batalhas por turnos (novamente, como em Final Fantasy), as batalhas são em tempo real como em qualquer outro Beat n'Up (Streets of Rage, Final Fight, etc.). Além de soco e chute, é possível desferir voadoras (pra pular é preciso apertar os botões de soco e chute juntos), aprender novos ataques nas lojas, além de usar as várias armas que aparecem: bastões, correntes, soqueiras, pedras, latas de lixo, ou até os próprios oponentes (como se fosse um bastão). Falando em oponentes, este é outro diferencial em River City Ransom: enquanto na maior parte dos Beat n'Up os oponentes são fracos (excetuando-se os chefes), em River City até o inimigo mais fuleiro é capaz de matar sozinho os jogadores (os malditos ainda por cima atacam de surpresa), e eles nunca vêm sozinhos... A dificuldade do game é capaz de assustar o jogador mais viciado em games de pancadaria. Mesmo quando o personagem já está bem evoluído, com uma barra de energia alta e vários golpes, o jogo continua desafiante.

Enchendo o tanque; dar porrada dá uma fome de leão!

Os gráficos não impressionam muito, devido ao estilo SD (Super Deformed) usado para fazer os personagens (lembrando que este é um game criado no Japão, onde o SD é bem popular); embora bonitos e detalhados, os cenários acabam sendo meio repetitivos em algumas partes e várias vezes você se pergunta "eu já não andei por aqui antes?". Isso piora devido ao fato de que realmente é preciso percorrer várias vezes a mesma área para obter experiência e dinheiro. Embora no game seja dito que existem um total de nove gangues, a cara dos oponentes não varia muito, e só dá pra diferenciar uma gangue da outra pela cor de suas roupas. Os sons por sua vez impressionam menos ainda; como o game é contínuo, a maior parte do tempo toca a mesma música da primeira parte do jogo, até mesmo nas partes finais... Na parte da música, o que destaca mesmo é a presença da música-tema de Double Dragon (aliás, os próprios Dragons fazem uma ponta em River City Ransom, como vilões)! Os sons gerais por outro lado estão bons, com destaque para os sons das armas.

Os Double Dragon (chamados Twin Dragon, na versão americana).

Por ter sido criado no Japão, este game passou para o Ocidente com muitas mudanças. Além dos nomes dos personagens (não apenas dos principais, mas até dos inimigos normais), houveram várias mudanças na história e nos gráficos, principalmente dos personagens; na versão japonesa, todos usam uniforme escolar japonês (tipo a roupa do Yusuke Urameshi do anime Yuyu Hakusho), enquanto na versão ocidental os gráficos foram redesenhados para jeans e camiseta. Além disso, na versão japonesa haviam três níveis de dificuldade (ligeiramente mais fáceis que os dois níveis da versão americana), e na versão japonesa existia ainda um terceiro modo de jogo, em que era possível golpear o colega (os fãs de Double Dragon estão familiarizados com este sistema: 2 Players-A e 2 Players-B). Em ambas as versões, é possível continuar o jogo de onde parou através do sistema de passwords, mas a versão japonesa vinha com suporte para o acessório Turbo Files, que permitia salvar o game, em vez de usar longas passwords.













As versões japonesa e americana, respectivamente

Tanto a história quanto o estilo e aparência SD de River City Ransom lembram muito outro belo Beat n'Up do Nes: Mighty Final Fight. Existem muitas diferenças, óbvio, mas as semelhanças saltam à vista: evolução dos personagens, ação, gráficos SD... À princípio, River City Ransom pode parecer ligeiramente inferior a MFF, mas ele tem uma vantagem, que é obviamente a possibilidade de se jogar em dois (justamente a maior ausência de MFF). Como não podia deixar de ser este jogo teve vários ports: para Sharp X68000, Pc Engine e, mais recentemente, para Game Boy Advance e Wii Virtual Console; todas essas versões vieram com mudanças, seja gráficos melhorados, jogabilidade, músicas e até mesmo cutscenes.

Cutscene da versão para X68000

Embora seja uma sequência do jogo Renegade (Nekketsu Kouha Kunio-kun, na terra do sushi), River City Ransom é bem pouco parecido com o primeiro game da saga de Kunio-kun (afinal, Renegade não era SD e tinha uma história ligeiramente mais adulta), mas isto foi feito justamente de propósito, afinal já existem muitas histórias de guerras entre gangues e o SD sempre foi um gênero em alta no Japão; os jogos seguintes a Renegade foram então feitos no formato SD para diferenciar a franquia. Enfim, apesar dos pesares, River City Ransom continua sendo um bom clássico do Nintendinho 8 Bits, e um dos melhores games da série do Kunio-kun, excelente pra se jogar num final de semana com um amigo ou parente, ou até mesmo sozinho.

Fora da minha cidade, bando de bullies!


NOTA FINAL: 8,5
OUTRO CLÁSSICO BEAT N'UP DO NES 8 BITS, QUE ASSIM COMO MUITOS DE SUA ÉPOCA DIVERTIRAM JOGADORES DE VÁRIAS GERAÇÕES, PROVA MAIS UMA VEZ QUE O QUE VALE PARA OS GAMERS É A DIVERSÃO, AINDA MAIS SE FOR EM GRUPO.
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