Diddy Kong Racing (N64)

terça-feira, 30 de outubro de 2012 Postado por Tristan.ccm

Gênero: Corrida


Fabricante: Rareware


Lançamento: 1997


Jogadores: 1 a 4 players versus

Após um bom tempo sem postar aqui no blog (entre outras coisas, eu tive um monte de problemas e estava escrevendo um livro, aguardem que logo trarei novidades a respeito), estou de volta. Bem, agora vamos ao review:

O senso comum nos diz que a melhor das homenagens é a cópia, afinal ninguém copia o que é ruim. Vendo o sucesso que Mario Kart 64 estava tendo, a Rare decidiu criar seu próprio jogo de "corrida com trapaças", e decidiu colocar nele seus personagens mais famosos... ou não! Afinal, na época do lançamento do jogo o plantel da Rare era bem limitado, pois os únicos personagens da empresa que podiam participar de um jogo como esse eram os da franquia Donkey Kong: os sapos guerreiros de Battletoads já haviam caído no esquecimento, assim como os lutadores de Killer Instinct após o péssimo jogo lançado um ano antes.

Outro problema: o gorilão já fazia parte do plantel do "concorrente", e a Rare não quis repeti-lo. Sobrou para o seu sobrinho Diddy Kong. Além disso, um jogo só com a família Kong iria ficar sem graça, e a Rare decidiu incluir personagens de jogos que ainda estavam só em planejamento, como Conker e Banjo, que só ganhariam jogos próprios anos depois. Alguns, como Bumper e Pìpsy, nasceram e morreram nesse game. Isso foi um problema, pois o carisma desses personagens aparentemente aleatórios era pouco maior que zero.

Mario Kart 64 era um jogo tacanho de tão simples: um campeonato de kart com 16 pistas, e só. Diddy Kong Racing decidiu ir além, tornando-se um dos primeiros jogos de corrida a ter um enredo mais elaborado: o perverso Wizpig invadiu a outrora pacata Timber's Island, tomando-a do elefante-gênio Taj. Para reaver a ilha, seus habitantes desafiaram Wizpig para uma corrida, escolhendo seu campeão, Drumstick, para enfrentá-lo. Porém, o plano falha: Wizpig derrota Drumstick e o transforma num sapo. Diddy Kong e os demais moradores da ilha decidem enfrentar Wizpig, enfrentado os desafios impostos por seus aliados nas várias pistas de corrida espalhadas pela ilha. Sim, o enredo do jogo é totalmente dorgas, mas foi uma inovação. Pena que, com raras exceções, jogos de corrida nunca precisem de enredos altamente elaborados.

Além do enredo, outra inovação foi nos veículos: além do kart, nesse jogo existem corridas de aviões e de hovercrafts, cada um com suas particularidades: o avião é muito rápido e passa por cima de qualquer coisa, mas se bater com ele o atraso vai ser monstro; enquanto o hover anda muito bem tanto na terra quanto na água, mas é lerdo e ruim de curva que só ele! Isso gera uma verdadeira bagunça no modo multiplayer, que permite misturar os três veículos numa mesma corrida. Imaginem a treta!

Jogo de corrida como esse tem que ter power-ups, e os de Diddy Kong Racing vem dentro de balões. No entanto, o "fator surpresa” aqui foi esquecido, pois basta decorar a cor dos balões para saber o que tem dentro de cada um: vermelhos dão mísseis, verdes dão óleo para fazer os outros rodarem, laranjas são escudos que te deixam invencível por alguns segundos, azuis dão turbos e os listrados dão um ímã que atrai o veículo da frente. Para compensar, é possível acumular até três power-ups iguais, multiplicando o efeito que eles têm ao serem lançados. Isso seria muito bom se o jogo fosse apenas um game de corrida, mas atrapalha e muito nas missões: cada um dos "mundos" desse jogo tem quatro pistas, e vencendo as quatro pode-se enfrentar o chefe do local. Mas vencer o chefe não é tudo: você tem que fazer as quatro pistas DE NOVO, mas dessa vez deve coletar 8 moedas de prata espalhadas pelo cenário (a maioria delas fora da trajetória ideal), e ainda por cima vencer a corrida! Se não bastasse isso, depois é preciso vencer o chefe DE NOVO para, só depois, destravar o modo de campeonato. Eu sei que a Rare tem tara por colecionismo in-game (quem não se lembra das famosas Kremcoins de Donkey Kong Country?), mas ficar procurando moedas num jogo de corrida não dá!

Para muitos, Mario Kart 64 comete o pecado de ser simples demais, tanto nos gráficos quanto no conteúdo. Na minha opinião, Diddy Kong Racing foi pelo caminho oposto e se deu muito mal: seus gráficos são bonitos, sua trilha sonora é ótima e as corridas são desafiadoras, mas desisti do jogo quando percebi que ele tentou enfiar elementos de plataforma num jogo de corrida. Se o objetivo aqui fosse ganhar as corridas e nada mais, ele seria o melhor jogo de corrida do N64, mas Diddy Kong Racing quis inventar e perdeu a mão. Ao fazer os gamers abandonarem a trajetória para buscar uma moeda escondida, o jogo igualmente perdeu posições e ficou pra trás, perdendo terreno para outros que, como seu principal concorrente, só queriam saber de acelerar e mais nada.


NOTA FINAL: 7,0
DIDDY KONG RACING É A PROVA DE QUE, PELO MENOS NOS JOGOS DE CORRIDA, MENOS É MAIS. SEU REMÉDIO PARA O GÊNERO FOI TÃO FORTE QUE ACABOU POR ENVENENÁ-LO, IMPEDINDO-O DE SER MELHOR DO QUE REALMENTE FOI.
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