Princess Maker 2 (PC)

terça-feira, 23 de abril de 2013 Postado por Azrael_I

 
Gênero: RPG/Simulação


Fabricante: Gainax


Lançamento: 1993


Jogadores: 1






"Eight years passed like a dream"

A série Princess Maker pertence a um gênero que era bastante obscuro no Brasil e no resto do mundo Ocidental antes da popularização da Internet: os simuladores de vida real (Life Simulation Game).  Resumidamente, neste tipo de jogo você deve desenvolver um personagem, fazendo-o passar por situações de vida cotidiana (ainda que a "vida cotidiana" em questão seja em um mundo de fantasia) e tomar decisões, aprender, crescer etc. Os primeiros games a terem elementos deste tipo de jogo foram os RPGs e Adventure Texts, ainda que de forma bem primitiva. Hoje em dia, qualquer gamer que se preze já jogou algum jogo com elementos de life simulation; entre os mais populares estão os games das séries The Sims e Harvest Moon, mas a grande maioria dos games hoje, mesmo os que não são RPGs, possuem elementos do estilo (como a série Grand Theft Auto - GTA). Por outro lado, na década de 90 eles eram bem pouco conhecidos por estas bandas, como é o caso de Princess Maker 2, que só se tornou mundialmente famoso após a Internet, sendo que hoje é praticamente uma referência para este tipo de game.

 
Fazedor de Princesa 2

Em Princess Maker 2 (assim como em todos os jogos da série, aliás) o jogador tem como objetivo criar uma filha da infância até a fase adulta; o foco, entretanto, não é no personagem do jogador e sim na filha: o jogador deve organizar a vida da menina, fazendo sua agenda mensal, determinando os lugares que ela pode ou não visitar, com quem falar, cuidando de sua saúde e sua dieta, de seus estudos, trabalhos temporários, descanso e até mesmo controlando diretamente a menina em determinadas partes do jogo. Na verdade, o jogador controla mais a filha do que o próprio personagem, o qual aliás nem sequer aparece, exceto por uma pequena cena na introdução...

 
A tela de Atributos

O fator que mais chama a atenção em PM2 é a quantidade de coisas que podem ser feitas: são mais de vinte atributos (definidos inicialmente pelas escolhas de data de nascimento, tipo sanguíneo etc. no começo do game), sendo que tudo que se faz ou deixa de fazer aumenta ou diminui (quase sempre os dois) vários atributos relacionados com a ação. Na verdade, a quantidade de ações e atributos tem sua razão de ser, uma vez que Princess Maker 2 tem mais de 70 finais diferentes! É possível fazer a filha virar praticamente qualquer coisa, desde criada, passando por guerreira, soldado, artista, escrivã, meretriz, bandida, bobo da corte, artesã, freira... o final mais almejado, obviamente, é o de princesa (da onde vem o nome do game, claro), fazendo a filha se casar com o príncipe. O final não depende apenas dos atributos, mas também das ações e decisões feitas durante o game, que determinarão a personalidade da menina: fazer a filha frequentar mais as aulas de luta e esgrima farão ela tomar gosto por batalhas (e pedir presentes como armas e poder competir nos torneios) e darão mais chance de um final combatente(Guerreira, Cavaleira, Mercenária etc.), comprar livros e fazê-la estudar poesia, protocolo e ciência a deixarão mais inclinada a gostar menos de combates e mais de raciocínio e diplomacia, fazendo um final mais intelectual (PhD, Juíza, Primeira-Ministra etc.), enquanto não fazê-la estudar ou trabalhar e deixá-la só relaxando (Time Off) irá deixá-la mais rebelde e inclinada a finais "Dark Side of the Force"(Meretriz, Dançarina, Ladra etc.); o mais interessante é que nada disso GARANTE que ela seguirá o final mais tendencioso (seja pelas ações ou por escolhas feitas pelo jogador nos atributos iniciais), e na verdade é muito mais fácil a filha conseguir apenas um final normal (como dona-de-casa, solteira, divorciada...) do que um dos finais "épicos"; a única forma garantida além de cheat é manter os atributos necessários no máximo. E mais: embora a escolha de carreira influencie, não chega a determinar com quem a filha irá se casar no final (é possível uma personagem mais combativa se casar com o Príncipe, por exemplo, uma vez que isto depende bastante da popularidade e da amizade com ele) já que ainda pode-se escolher entre os pretendentes (dependendo do que se faz, popularidade e quem ela conhece).

Estudando Dança

Na história do game, o personagem do jogador é um cavaleiro que vive num mundo de fantasia medieval (tipo Senhor dos Anéis) que defendeu o reino de uma invasão do Príncipe das Trevas e por causa disso é considerado como um herói em todo o reino (além de receber salário anual, mas sem direito a plano de saúde e FGTS...). É então que um dia os Céus enviam a ele uma menina para que a crie e eduque até os 18 anos e ela escolha como quer viver sua vida. O Deus que envia a criança depende da escolha da data de nascimento, no começo do game, e esta divindade será a patrona da criança (como se fosse um signo do zodíaco) e determinará os atributos iniciais e até uma certa tendência na vida da menina (uma criança nascida sob Marte, por exemplo, começará com bons atributos físicos e inclinação para combates enquanto uma nascida em Vênus tem bônus em atributos sociais e interação). O Deus protetor irá ajudar (discretamente) o jogador na missão de criar a menina, e no final avaliará como o jogador a criou.

Um combate durante o Festival da Colheita

A jogabilidade de Princess Maker 2 pode ser dividida em duas partes: a interação diária (ou mensal) e as aventuras (Adventure) em estilo RPG clássico, à lá Final Fantasy e similares. Toda a jogabilidade é feita através de cliques na tela, com o mouse, de forma semelhante a um AVG normal embora alguns comandos também possam ser feitos no teclado(principalmente na aventuras em RPG). Na tela principal do game são dadas as opções de interação com a filha, sendo que o jogador pode ver os atributos, conversar (conversa de pai e filha, dar dinheiro ou bronca, tudo isto necessário para saber se a está educando direito), organizar a dieta dela, ver seu status e desenvolvimento físico atual, ir ao vilarejo (onde é possível fazer compras, ir ao hospital, à Igreja etc.), ir ao palácio conversar com as autoridades do Reino (necessário para aumentar a Popularidade), equipar armas, roupas, itens, armaduras etc., salvar ou carregar um jogo e por fim organizar a agenda (Schedule) mensal da filha. A parte da Schedule é uma das mais importantes, uma vez que nela deve-se escolher o que a filha irá fazer todo o mês: estudar, trabalhar, partir em uma aventura fora do reino ou descansar, sendo possível escolher até três opções de atividades por mês. Na verdade, a organização da Schedule costuma ser o último passo a ser executado em cada mês, já que uma vez escolhida a Schedule não é mais possível acessar as outras opções até o final do mês (que acontece em tempo de jogo, não em tempo real, só pra deixar claro).

Tela principal; as opções são os oito ícones acima da palavra Schedule

A parte RPG do game acontece quando o jogador escolhe Adventure na Schedule mensal. A filha irá partir sozinha numa aventura fora dos muros da cidade, em uma das quatro regiões (Norte/Geleira, Sul/Lago, Leste/Floresta e Oeste/Deserto), e é nesta hora que o jogador poderá controlá-la para explorar a região em questão, em busca de itens, dinheiro, interação com NPCs secretos (é possível conversar com alguns dos oponentes que aparecem também) e aumento nos atributos (principalmente os físicos). O esquema RPG lembra bastante o de games como Phantasy Star e Dragon Quest. Só é possível comprar itens e equipamentos durante a interação diária normal (seja nas lojas ou com vendedores ambulantes que aparecem de vez em quando), embora alguns possam ser adquiridos (e trocados/usados) durante as aventuras. Um ponto contra é o fato de o botão para acessar o menu de opções durante as aventuras estar quase invisível na tela, e jogadores novatos dificilmente o acharão logo de cara (tem gente que nem sabia que existem opções durante as aventuras); além disso, aqui existem muito poucas opções em comparação com a parte interativa do game.

A parte RPG; acesse as opções clicando na esfera vermelha abaixo dos dois quadrados que mostram a arma e a armadura, no canto direito da tela

Existem ainda muitas outras coisas que podem acontecer, tudo dependendo das interações da filha com as pessoas: ela pode ter uma rival (em qualquer coisa que se destaque, como lutas, dança, pintura etc.), encontrar pessoas que lhe apoiarão (ou atrapalharão: falar com o Jester, por exemplo, auxilia a conseguir o final em que a filha também vira Jester, mas a deixa com má reputação na cidade), vendedores e outros NPCs aleatórios. Dinheiro é uma parte importante do game, e para conseguí-lo é preciso trabalhar (ou partir em Aventuras); à medida que a menina cresce e aumenta seus atributos ela pode conseguir novos empregos com salários melhores e ter aulas em matérias diferentes, que ajudarão (ou não) a melhorar os atributos necessários para o jogador conseguir o final almejado. Como em todo Life Simulation ler os comentários das pessoas, do mordomo Cube (que presta um grande apoio em todo o game) e da própria filha é essencial para saber como a menina está se saindo e o que se deve fazer para melhorar, corrigir ou mesmo piorar (dependendo das intenções do jogador) as coisas. Uma dica: o game tem parâmetros e atributos invisíveis que só podem ser estimados através das conversas (embora possam ser visualizados através de hacking ou de um cheat).

Cube ajudando a organizar a Schedule

Graficamente falando, Princess Maker 2 lembra a maior parte dos AVGs da época, como True Love. Entretanto, a quantidade de cenas interativas é muito maior que a média dos AVGs, além das pequenas animações que o game tem (mais ainda o fato de ter as aventuras em RPG, claro), e a beleza dos cenários; destaco os belos cenários das férias. As expressões faciais da filha se modificam não só com o decorrer dos anos, mas também com o estado de humor, saúde e mesmo necessidade (muito calor no Verão, por exemplo). Quanto às músicas, embora um tanto repetitivas, são muito variadas e não chegam a enjoar, mas a pouca quantidade de sons no game pode incomodar os mais aficcionados por detalhes.

 Férias de Verão

A versão feita para DOS de Princess Maker 2 é a mais conhecida por causa de uma tradução inacabada feita pela empresa SoftEgg. Princess Maker 2 também foi lançado para PC-98, PC Engine, Sega Saturn, 3DO, FM Towns e outros, mas todas essas versões nunca foram traduzidas. Alguns anos depois, a Gainax relançou os jogos Princess Maker 1 e 2 com upgrades para Windows, Dreamcast e Playstation 2, em versões chamadas Princess Maker Refine, com gráficos, sons e outros detalhes melhorados (inclusive a inclusão de vozes para os personagens). É interessante notar, entretanto, que depois que a SoftEgg parou de traduzir Princess Maker 2 nunca mais foi anunciada nenhuma outra tentativa de tradução oficial para os games da série (embora existam traduções não-oficiais e incompletas para PM 1, 4 e 5).

Notem as diferenças entre as versões Original e Refine

Qual teria sido a falha? Em uma nota em seu site, a SoftEgg explica com detalhes todos os problemas que tiveram durante a tradução. Basicamente, devido a uma série de atrasos na tradução e falência de companhias anexas, a SoftEgg achou que não deveria mais continuar com a tradução (afinal, o ano já era 2002...um atraso de quase dez anos!) e nunca lançaram a versão completa de Princess Maker 2 em Inglês (embora a própria SoftEgg diga que chegou a dar uma cópia completa da tradução para o criador de Princess Maker, Takami Akai); a versão Beta que é a mais conhecida no mundo foi muitas vezes chamada de "Abandonware" em alguns sites; entretanto, a SoftEgg declara que isto não é verdade e que, embora seja um Beta, a versão em Inglês de Princess Maker 2 ainda é sua propriedade e qualquer download não-autorizado dela é ilegal.

Não existem só lutas; aqui, a candidata a princesa na competição de dança

Existe ainda uma versão de Princess Maker 2 para Super Nintendo, chamada Princess Maker: Legends of Another World (que pra variar também nunca foi traduzida do japonês...). Embora seus gráficos e sua história sejam diferentes, a versão de Snes utiliza a mesma engine. Não há o que reclamar aqui: o próprio Princess Maker 2 utiliza uma versão pouco melhorada do primeiro Princess Maker, o que reduz um tanto o fator "inovação" de PM2.

A versão para Snes

Princess Maker 2  não chegou a causar nenhuma grande revolução nos games, mas é mais do que óbvia a sua influência nos games modernos. Embora seja um game já meio antigo, PM2 ainda é uma referência e chega a ser um grande cult entre os gamers (tudo graças em grande parte à versão Beta da SoftEgg). Chega a ser estranho que, dada a popularidade do Beta lançado pela SoftEgg, não tenha sido feita mais nenhuma tentativa de tradução dos games da série (pô, até Harvest Moon teve novas chances!). Quem sabe quando (ou melhor dizendo, "se") fizerem o sexto game...



NOTA FINAL: 8,8
LONGO, VICIANTE, DESAFIADOR, VARIADO E COM MILHARES DE POSSIBILIDADES; ESTE É PRINCESS MAKER 2, O "GAME REFERÊNCIA" EM LIFE SIMULATION, QUE SÓ NÃO LEVA UMA NOTA 10 POR NUNCA TER SIDO LANÇADA SUA VERSÃO TRADUZIDA COMPLETA.
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