Medal of Honor (Playstation)

sábado, 28 de março de 2020 Postado por P.A.


Gênero: Tiro em primeira pessoa


Fabricante: DreamWorks Interactive


Lançamento: 1999


Jogadores: 1-2 players versus





Medal of Honor foi lançado em 1999 pela DreamWorks Interactive (atual DICE Los Angeles) que era dirigida por ninguém menos que Steven Spielberg. Ao ver seu filho jogando Goldeneye no N64 ele decidiu que queria lançar no mercado um jogo de tiro em primeira pessoa ambientando na II Guerra Mundial.
Na época Spilberg havia trabalhado na produção do filme "O resgate do soldado Ryan" e a ambientação da segunda guerra lhe agradava muito. Apesar das semelhanças o jogo não é baseado no filme, como muita gente afirmava.

MoH é ambientado nos eventos finais da II Guerra Mundial; você começa um dia antes ao famoso Dia-D.
No jogo entramos na pele do tenente Jimmy Patterson, agente da OSS (Office of Strategic Services), uma espécie de CIA da época. Você é um exército de um homem só; e sozinho vai ser incumbido de variadas missões como: roubar documentos importantes, plantar explosivos em determinados locais, eliminar soldados da Gestapo, buscar informações sobre armamentos dos inimigos como o gás mostarda, sabotar a bomba atômica, e muito mais.  Tudo isso matando todos os alemães que encontrar pelo caminho!
Todas as missões são neste formato: invadir um local, cumprir os objetivos e dar o fora!
A história é contada através de vídeos reais da segunda guerra, que apresentam co-relação com suas missões durante as fases, apesar do nosso personagem ser fictício.Um biefring de cada missão em um pequeno vídeo com imagens reais da guerra e um biefring em texto antes de cada fase te dará informações importantes sobre o que você precisa fazer.


Os controles me deixaram um pouco desconfortável no começo; fazia muito tempo que havia jogado e não lembrava muito bem que era dessa forma e acho que o fato de jogar os FPS atuais com jogabilidade mais ágil me deixou mal acostumado. De qualquer forma, não foi preciso muito tempo pra me acostumar, apesar de continuar achando que a jogabilidade da época - que até poderia ser muito boa naquela momento - acabou envelhecendo mal. O controle do Playstation tem tantos botões quanto os controles atuais, e inclusive passou a ter analógicos na versão do PSone. Mesmo assim o sistema de mira 'atrasa' o gameplay, já que você precisa segurar o R2 pra surgir a mira na tela e então usar os direcionais ou analógico pra apontar pros inimigos e só então apertar o X para disparar.
Claro que é muito fácil reclamar disso agora que temos jogos com jogabilidade muito mais fluídas e, novamente frisando, na época talvez era o que dava pra fazer e estava ótimo. Mas é nítido que qualquer um que vá jogar novamente um jogo de tiro do passado vai acabar estranhando bastante.
Tentar acertar inimigos sem mirar também é muito difícil, é bem mais fácil se arriscar levar uns tiros mas tentar mirar corretamente do que tentar acertá-los sem mirar.

Ainda sobre o gameplay tem mais dois pontos que me deixaram bastante incomodado.
Na época não havia 'roda de armas' nem qualquer tipo de menu, então um botão servia pra trocar de armas e você tinha que ir passando até chegar na arma que você queria usar. O problema é que como as granadas não possuíam um botão próprio, elas acabavam entrando nessa salada de armas... E em muitos momentos lá estamos nós trocando de armas buscando a melhor arma pra determinados momentos, no calor da batalha, e surge a granada/molotov, atrasando sua vida. E vamos combinar é muito difícil matar algum inimigo na granada; além do que não compensa o tempo perdido até você chegar na granada, jogá-la e mudar pra outra arma você vai ficar vulnerável demais e facilitará a vida do inimigo. Com toda essa dificuldade, eu terminei o jogo praticamente sem tentar me arriscar a usar a granada depois da terceira missão...
O botão triângulo por exemplo serve pra pular. Só que ele é completamente desnecessário; se o pulo não estivesse presente no jogo não faria falta alguma. Por que não colocar o triângulo como o botão único pra lançar a granada?

"Aqui está meu passaporte... Meu nome é Ronaldinho Gaúcho e eu juro que sou paraguaio!"

O segundo - e pior - ponto que me deixou bastante incomodado com o gameplay é a reação do nosso personagem ao levar tiros. Toda vez que levamos um tiro o personagem olha um pouco pra baixo...
É difícil explicar em texto, seria muito melhor numa vídeo análise, mas vamos lá: imagine que sua mira está no centro da tela, como habitual. Cada tiro que você leva, sua mira desce um pouquinho. Agora imagine um inimigo te fuzilando - e isso acontece com muita frequência, principalmente contra inimigos em casamatas com metralhadoras montadas. A cada tiro do fuzilamento seu personagem vai olhar mais e mais pra baixo, até que você só vai estar vendo seus pés. Desnecessário dizer que você praticamente ficará sem reação e morrerá, já que não conseguirá olhar pro inimigo, mesmo o jogo possuindo um botão pra centralizar a mira no meio instantaneamente. Eu entendo eles tentarem fazer o personagem ter uma reação ao levar um tiro, mas fazer ele olhar pra baixo PRA CADA TIRO é ridículo e torna o jogo irritante!

O jogo possuí 7 missões e 24 fases com os mais diversificados objetivos.
Além das fases normais de tiro, uma novidade aqui são as fases de espionagem, onde você tem que apresentar documentos pros guardas pra poder passar por eles e matar generais pra conseguir documentos deles que são de patentes mais altas e lhe garante acesso contra soldados melhores graduados.
Os níveis são quase lineares; existem alguns caminhos laterais ou bifurcações mas no geral o jogo mantém sua linearidade colocando os objetivos em linha reta pra você conclui-los e terminar a fase. Apesar disso, em algumas fases pode ser que você chegue ao final sem ter completado todos os objetivos, seja porque não viu onde está aquele documento que era pra ter pego ou esqueceu de colocar a bomba em um caminhão inimigo.
Apertando START durante o jogo você pode ver seus objetivos na fase. Não termine a fase sem completar todos os objetivos, pois sua missão irá falhar.

Como praticamente todos os jogos dessa geração, os gráficos não envelheceram tão bem. Na minha opinião, essa geração (de transição do 2D pro 3D) é a que pior envelheceu. Até pra época os gráficos já eram quadradões, imagine olhando pra eles agora. Mas no geral os cenários são até que bem feitos e com boa variedade e as armas também tem seus caprichos e são reproduzidas fielmente baseadas nos seus modelos reais.
O time de desenvolvimento teve que ser criativo pra superar as limitações da época. Para não deixar o jogo pesado e ainda aproveitar da melhor maneira a limitada paleta de cores, eles decidiram fazer todas as fases a noite ou em lugares fechados.

As animações de combate são bem diversificadas; eles realmente capricharam aqui. Tiros no capacete fazem ele voar pra longe e deixar a cabeça do inimigo vulnerável; atire nos braços e inimigos vão segurá-los por uns segundos; nas pernas eles ficam numa perna só; até de joelhos esperando o tiro de misericórdia eles podem ficar. Alguns levantam as mãos pra se render, mas logo atacam você. Ratos traiçoeiros!
Os inimigos reagem de formas diferentes as granadas também, às vezes correm, outras tentam chutar elas pra longe e alguns até se sacrificam se jogando em cima da granada pra salvar um companheiro por perto. Mas nada supera o pastor alemão saindo correndo com uma granada na boca!
Os soldados também se escondem nos cantos pra atirar contra você de uma cobertura segura... Isso parece bobagem hoje, já que todos os jogos fazem isso atualmente, mas quantos jogos você se lembra onde os inimigos faziam isso em 1999? Pois é...

A música do jogo é muito bem orquestrada e parece até de um filme; dando o ar correto pro clima de guerra que você vivencia no jogo. Os efeitos sonoros são muito bons também, como os sons característicos de cada arma e até os soldados falando em alemão. Além de sons de tiroteios, alarmes e soldados alemães gritando ecoando pelo lugar te dando a sensação de estar realmente num ambiente hostil como de qualquer guerra.

Infelizmente, alguns bugs estão presentes no jogo. Ás vezes o personagem fica preso em algum canto, e nem sempre você vai conseguir sair sem ter que resetar o console. Teve uma vez que a fase simplesmente não carregou completamente, ficando um cenário todo preto e não tive outra alternativa senão resetar e começar a fase de novo.
Também houve momentos em que eu tomei tiros de inimigos através das paredes!
Mas no geral essas falhas são escassas; mesmo assim são coisas que acabaram passando batido pela equipe de desenvolvimento.

O jogo apresenta uma curva de dificuldade que aumenta bastante ao progredir no jogo; as fases iniciais possuem poucos inimigos e eles vem no máximo em duplas; mas conforme avança no jogo logo vai se deparar com grupos de até quatro inimigos que vem te fuzilando sem piedade (fazendo seu personagem olhar pra baixo e te impedindo de mirar corretamente neles).
As fases com casamatas com certeza lhe farão morrer várias vezes até que você decore o local de todas elas e já chegue atirando contra o inimigo sem dar chance dele fuzilar você!

Menu de Pausa com os objetivos da missão

Ao finalizar cada fase, é mostrado algumas informações entre elas uma classificação de até três estrelas. Matar todos os inimigos e terminar com mais de 75% de vida lhe garante três estrelas. E isso não serve apenas pra massagear seu ego, pois melhores classificações ajudam a liberar personagens jogáveis no multiplayer. Tem até um Velociraptor (obrigado Spilberg!) como selecionável especial!
O Multiplayer é um divertido X1 contra um amigo. Dá pra escolher o personagem, seu armamento e o mapa onde vão se confrontar. Enjoa fácil é claro, mas é divertido e serve com um PLUS do jogo single-player!  

O massacre de Columbine ocorreu pouco tempo antes do lançamento desse jogo e afetou sua finalização. Vendo as inúmeras críticas que jogos de tiro estavam recebendo pelo terrível acontecimento, a equipe desenvolvedora resolveu retirar todo o sangue de Medal of Honor, afim de torná-lo menos violento.


NOTA FINAL: 8,0
A REAÇÃO DO PERSONAGEM AOS TIROS TALVEZ SEJA O PIOR PROBLEMA DO JOGO, MAS NEM ELA CONSEGUE APAGAR O BRILHO E O TOQUE CINEMATOGRÁFICO DE STEVEN SPILBERG AO PRIMEIRO MEDAL OF HONOR!
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