A Era dos Videogames (Parte 4)

sexta-feira, 18 de julho de 2008 Postado por P.A.

1983 – Que venha o MSX, o computador-console!

Enquanto o mercado americano estava em franca decadência devido à superpopulação de consoles e jogos medíocres, vindos principalmente da Atari; um executivo, não muito famoso na época (Bill Gates), e sua pequena empresa, a Microsoft, anunciavam um acordo com a japonesa Ascii para a criação do padrão aberto MSX, que pretendia ser o VHS dos computadores. O MSX foi uma idéia originalmente bolada por Kazuhiko Nishi, vice-presidente da Ascii, que queria um computador rápido, flexível e barato para fazer frente aos IBM PC, dominantes na época. O padrão 8 bits (ao contrário dos PCs, de 16 bits) foi considerado por questões econômicas e logísticas, e o MSX nasceu com a responsabilidade de ser o “computador pessoal definitivo”.

Assim, os aparelhos do padrão MSX eram equipados com o excelente processador Z-80, da Zilog, chip de som AY-3-8910 da General Instruments, placa de vídeo Texas Instruments com 16 KB de memória, modelos TMS9918 ou TMS 9928 (a mesma utilizada no Colecovision), no mínimo 8 KB de RAM (embora a maioria dos computadores tivesse 16, 32 ou 64 KB), 32 KB de BIOS (Basic), 2 portas de expansão, 1 saída para joystick/mouse e conexão para gravador.
Eles rodavam, é claro, uma versão do Microsoft Basic, e assim como o VHS, qualquer fabricante poderia ter um computador MSX. Apesar de ter um processador de 8 bits, o padrão era conhecido pelo seu alto desempenho, à frente da concorrência. Sua placa de vídeo permitia mostrar até 16 cores simultâneas. Várias gigantes aderiram ao formato, como a Sony, Yamaha, Panasonic, Toshiba, Pioneer, NEC, Fujitsu, Daewoo, Philips e muitas outras, que lançaram versões próprias. No Brasil, o MSX foi fabricado pela Gradiente (Expert), Sharp (Hotbit; foto ao lado) e Dynacom (este era um porcaria, e foi logo descontinuado).

O computador ficou famoso em todo o mundo (menos nos EUA) devido ao seu preço baixo, a conexão com a TV (ao invés dos caros monitores) e aos milhares de softwares desenvolvidos para ele. Os jogos vinham em cartuchos (uma regra nos lançamentos japoneses) ou fitas-cassete (mídia bem aproveitada pela pirataria), que faziam um barulho enorme e eram lentas... Depois, os disquetes substituíram gradativamente as ultrapassadas fitas-cassete! Dois anos depois foi lançada uma versão mais atual do MSX, o MSX 2.0! Mas o MSX seria logo descontinuado por não suportar a forte concorrência com o crescente mercado dos PCs e dos consoles que era liderado pela Nintendo e Sega!

1984 – O crash dos videogames! GAME OVER!

1984 ficou conhecido como um ano negro para o mundo dos games, pois foi neste ano que ocorreu o crash dos videogames! Fato causado pela enorme quantidade de jogos ruins no mercado, sendo que a maioria foi trazida pela Atari, vide o jogo E.T. que era tão ruim, que teve que ser jogado num aterro, pois os cartuchos ficaram encalhados já que não vendiam. Outro fator foi o crescente número de pessoas preferindo comprar PC ao invés de consoles, já que os computadores tinham mais funções!

Um ano antes, do outro lado do mundo, no Japão, a Nintendo lança o Famicom (Family Computer; foto ao lado). Era o início da hegemonia japonesa no mundo dos games, deixando os americanos pra trás... A Nintendo ganha o apoio de grandes softhouses independentes que começaram a fabricar jogos para o console, a primeira delas foi a Hudson! O Famicom já havia vendido 2.5 milhões de unidades até a data do crash!

Mesmo assim, a Nintendo, temendo a concorrência com a “gigante” Atari, tenta vender sua comercialização para a mesma, que se recusa! Então a Nintendo resolve introduzir o console no mercado americano por conta própria, com novo design e nome: Nintendo Entertainment System ou NES! Era o console que salvaria o mercado dos games...

O Nintendinho 8 bits, com novo nome (NES) e novo design!


Porém, não foi nada fácil convencer os lojistas a vender o console (pois os mesmos ainda estavam com a “pulga atrás da orelha”, devido o crash)... Por isso, a Nintendo teve que concordar em recomprar todos os consoles que não fossem vendidos! A empresa ainda inventou R.O.B., um robozinho utilizado para chamar a atenção e auxiliar suas vendas, e a Power Glove, uma luva utilizada nos jogos quer permitia ao jogador uma sensação de realidade virtual ao mover os dedos e a mão. Logo depois uma pistola utilizada em vários jogos do NES fez muito sucesso e mais periféricos foram lançados durante sua vida útil!
Abaixo, relembre alguns clássicos do console da Nintendo:



1) 1942 da Capcom; 2) Donkey Kong ganhou uma versão no NES; 3) Battletoads - clássico da Rare; 4) Double Dragon; 5) Ninja Gaiden; 6) Castlevania - nascida no MSX, a série se tornou mais popular com ótimos jogos no NES; 7) Megaman e seus ótimos e repetitivos populares jogos no NES; 8) Contra - um jogo cheio de ação; 9) Dragon Quest - a principal rival da série Final Fantasy; 10) Final Fantasy II - a mais bem sucedida série de RPG; 11) Metal Gear em sua primeira versão; 12) Metroid - estrelado por Samus; 13) Super Mario Bros - um marco no mundo dos games; 14) Super Mario Bros 3 - o melhor de todos e o jogo mais vendido até hoje; 15) Bomberman; 16) Legend of Zelda - a primeira aparição de Link em um jogo "revolucionário"!

No final das contas, o NES dominou 90% do mercado da era 8 bits até o início dos anos 90, quando surgiu a 5ª geração de consoles! O NES pode ser considerado como o console mais bem sucedido da história, junto com Playstation e Game Boy! O NES também pode ser considerado como o console mais “clonado”, já que é possível encontrar inúmeros clones dele por ae, até hoje, como o Polystation!

1986 - A Atari tenta retomar o mercado do games com o Atari 7800!

Com o fracasso do Atari 5200 e o iminente sucesso do NES, a Atari já começava a ficar desesperada. Através de uma extensiva pesquisa com usuários, a empresa procurou saber o que eles queriam em um console de videogame. O resultado foi o Atari 7800 (foto ao lado), que tinha mais memória e um processador e placa de vídeo mais potentes do que os utilizados pelos seus irmãos mais velhos, além de um joystick de excelente qualidade. O Atari 7800 foi mais uma tentativa de retomar o mercado que já tinha sido seu, e estava mudando para mãos japonesas...

A Atari, como forma de intimidar a concorrência, permitiu aos usuários jogar os clássicos do 2600 (inclusive, todos os periféricos do console lançado em 1977 eram compatíveis com ele) no 7800 sem a necessidade de um adaptador externo! Com isso, eles marketearam o console como sendo o que mais possuía jogos... E até que ele possuía bons games!
Mas era tarde para a Atari, já que os jogos de 8 bits de segunda geração já chegavam ao mercado através do NES. Ninguém mais queria saber de Pole Position ou Asteroids; e sim de Mario, Zelda e Castlevania. Os executivos da companhia americana demoraram para perceber a ameaça japonesa, e o novo paradigma imposto pelos japoneses, que a partir de então, passariam a dominar o mercado de jogos com suas mentes criativas e repletas de novas idéias.

O Atari 7800 morreu em 1988 por absoluta falta de suporte, e no final, nem se quer passou perto do NES ou do Master System!

Fim da 4ª parte! Clique Aqui e confira a 5ª Parte!


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