A Evolução dos Games: Consoles Portáteis

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 Postado por Tristan.ccm

Imagine a situação: você tem que fazer aquela maravilhosa viagem pro sítio da sua avó em Pirapora do Mato Dentro, onde não tem piscina, energia elétrica, shopping e, treva das trevas, nada de mulherada pra paquerar. A solução para isso? Leve um game portátil e um bom estoque de pilhas! Afinal, é pra isso que os games portáteis foram feitos: levar a diversão dos games para qualquer lugar. Hoje em dia tem quem diga que os games para celular vão acabar matando os portáteis. Será? Enquanto esperamos a resposta a essa questão, vamos ver como evoluiu essa mania de levar videogames no bolso:

1- Microvision (Milton Bradley - 1979)

Pra você que não leu a série A Era dos Videogames, aí vai uma surpresa: o Game Boy não foi o primeiro! O Microvision teve a honra de ser o primeiro console que podia ser carregado no bolso (desde que esse bolso fosse relativamente grande). O interessante é que os poucos jogos dessa plataforma vinham em cartuchos com a tela do jogo, e o console tinha só 4 botões, sem direcional. Nunca vi nem joguei, mas fico curioso pra saber como se jogava nesse console.

2- Game & Watch (Nintendo - 1980)

Os "relógios com game" marcaram a estréia da Nintendo na produção de jogos eletrônicos, e deram a empresa a certeza que a acompanha até hoje: quem compra videogame quer mesmo é JOGAR videogame (ou você conhece muita gente que vê filmes no PS2?). O único porém é que os Game & Watch não podiam ter o jogo trocado (que nem os "minigames", que fizeram sucesso no Brasil na década de 1980/1990), mas seu baixo custo não impedia que os jogadores comprassem vários.

3- Game Boy (Nintendo - 1988)

O sucesso mundial do console portátil mostrou ao mundo que um aparelho pouco potente, sem cores e com gráficos simples tinha sim vez no mercado. Mesmo cheio de limitações, o Game Boy ajudou a Nintendo quando ela cometeu o erro fatal de não dar um drive de CDs ao N64 (e olha que o Game Boy original já tinha 7 anos de idade sua nova versão, Pocket, era recém-nascida). Sem concorrentes à altura no mercado e sempre se renovando (como a versão Light, que podia ser jogada no escuro, ou a Color, enfim com tela colorida), aliado a jogos carismáticos como Tetris e Pokemón, ele é considerado como um dos consoles de maior sucesso da história.

4- Lynx (Atari - 1989)
Para uns, o melhor portátil de todos os tempos. Para outros, mais um felino anêmico da Atari. A verdade é que o primeiro portátil colorido da história padecia do mesmo mal que matou o Jaguar: o marketing picareta da Atari, que usou a mesma mentira de sempre (ou seja, falar que um console tem mais bits do que ele realmente tem), falando que o Lynx (lince, em inglês) tinha 16 bits quando ele na verdade tinha 8. Os jogos do Lynx eram bons (tinha até Double Dragon), mas ele acabou perdendo terreno por ser caro e literalmente devorar as pilhas. Com isso, foi superado pelo seu principal concorrente:

5- Game Gear (Sega - 1990)
O portátil da Sega era colorido, tinha quase o mesmo hardware do Master System e tinha jogaços como Sonic (em sua primeira aparição portátil) e Batman Forever, mas mesmo sendo melhor que o Game Boy perdeu pra ele, pois usava 6 pilhas (!!!!), tinha tela pequena e era caro demais, a ponto de ser usado por alunos metidos a boyzinho pra fazer sucesso no pátio da escola (tinha um que estudava comigo, odeio ele até hoje!).


6- Nomad (Sega - 1995)

Se o Game Gear é considerado um Master System portátil, o Nomad É o Mega Drive de bolso: ele usava os mesmos cartuchos, tinha entrada para um segundo joystick e ainda podia ser conectado a uma TV. Pena que a Sega ainda achava que a gente podia se dar ao luxo de gastar 6 pilhas por partida (elas nunca duravam mais que duas horas). O mais interessante dessa história é que ainda existe um país que fabrica o Nomad: O BRASIL!!!!!!! Ele existe ainda hoje com o nome de Mega Drive Portátil, vem com 10 jogos na memória mas perdeu o encaixe para cartuchos. Uma pena...

7- Neo-Geo Pocket Color (Neo-Geo - 1999)
Assim como o primeiro Game Boy, o Neo Geo de bolso era em preto e branco. Como essa era a única coisa em comum entre eles (o Neo Geo Pocket não vendeu nada), decidiram lançar uma versão colorida pra ver se a coisa melhorava. E não é que deu certo? OK, eu sei, ele não vendeu tanto assim, mas era econômico (usava só 2 pilhas e elas duravam 40 horas), tinha ótimos jogos como King of Fighters, Samurai Shodown 2 e até mesmo Sonic, e ainda por cima podia ser conectado a um Dreamcast.

8- Game Boy Advance (Nintendo - 2001)
Quando todo mundo pensava que o Game Boy não tinha mais pra onde evoluir, recebemos uma atualização que era quase um novo console: dois botões a mais, gráficos melhorados, conexão com o GameCube e ainda por cima era compatível com todos os jogos anteriormente lançados (coisa em que ele foi pioneiro, e hoje é quase lei). O console até hoje faz sucesso, e convive numa boa com seu sucessor, o DS. E assim como seu "antecessor", não pára de evoluir, com as versões SP (com tela iluminada) e Micro (menor e com a possibilidade de mudar a capinha, como nos celulares). E por falar em celulares:

9- N-Gage (Nokia - 2003)
Ao ser lançado, causou frisson semelhante ao que a Microsoft causou ao anunciar o primeiro XBox, mas hoje gera uma dúvida semelhante à de um antigo comercial de biscoitos: ninguém sabe se ele foi um console ruim de falar ou um celular ruim de jogar! Apesar de ter sido anunciado como "a fusão entre um celular e um Game Boy", o N-Gage só não teve menos jogos que o Microvision, tinha pouca memória para coisas que não fosses jogos (ele tinha MP3, Bluetooth, rádio FM e GPRS), custava no lançamento extratosféricos R$ 1700,00 e sua pegada era horrível. Depois dele, jogos em celular, só em Java, nada de cartões!

10- DS (Nintendo - 2004)
A Nintendo aposta no retrô já faz algum tempo, e talvez isso tenha começado com o DS: suas linhas remetem aos Game&Watch do início desta matéria. Além disso, ele aposta em uma jogabilidade única, inspirada nos Palmtops, tem jogos que talvez jamais fossem possíveis em outra plataforma, possui vibração (através do acessório Rumble Pack), e é compatível com os jogos de Game Boy Advance. Pra mim, é o melhor portátil da atualidade.

11- PSP (Sony - 2005)
O Playstation de bolso tem uma tela enorme e que reproduz imagens semelhantes ao console de mesa. Ele também têm várias outras funções (MP3, vídeo, Wi-fi, etc.) e é o único portátil a usar mídia ótica e a ter um direcional analógico. Apesar de, no papel, ser muito melhor que o DS, não fez tanto sucesso quanto ele: os discos UMD gastam muita bateria (a ponto de já existir o PSP go, que vem sem drive de disco) e trazem ao portátil as odiosas telas de Loading. Por isso, não é raro ver ex-donos de PSP comprando DS.

12- Dingoo (Shenzhen - 2009)

O ovo de colombo chinês está no topo da cadeia evolutiva dos portáteis por um motivo: ele roda, via emulador, praticamente TODOS OS JOGOS DE TODOS OS CONSOLES JÁ LANÇADOS, PORTÁTEIS OU NÃO!! Se liga na lista de consoles que ele emula: Atari 2600, Odyssey 2, NES, SNES, GBA, Master System, Game Gear, Mega Drive, ColecoVision, NeoGeo, Neo Geo Pocket, ZX Spectrum, PC Engine, Commodore 64, Arcade (CPS1, CPS2 e MAME), MSX, Game Boy, Game Boy Color e até mesmo PlayStation 1! E ainda tem mais emuladores sendo desenvolvidos. Eu nunca joguei, mas assim que eu juntar grana suficiente (e não é muita, pois custa cerca de R$ 400,00) vou tratar de arranjar o meu!