Final Fantasy V (Snes e Playstation)

domingo, 28 de novembro de 2010 Postado por Azrael_I

Gênero: RPG


Fabricante: Square


Lançamento: 1992


Jogadores: 1

"Me and my chocobo just go wherever the trail leads us..."

Eis aqui o meu Final Fantasy preferido de todos os tempos! Podem criar novas tecnologias, gráficos, poderes, sistemas, CGs, e mesmo assim eu acredito que não há como superar a qualidade deste jogo! Chega a ser um imenso contraste (além de ser injusto) que este jogo não tenha sido lançado em sua época para o Snes, devido às idiotices da Nintendo of America; a tradução deste jogo (que seria o Final Fantasy III na versão americana, na época) até havia começado, e quatro tentativas de tradução foram anunciadas, mas todas canceladas, provavelmente pelo anúncio do lançamento de Final Fantasy VI no Japão (detalhei isso melhor no post de FFVI). Isto irritou muito os fãs da série, a tal ponto que Final Fantasy V se tornou nada mais nada menos do que um dos primeiros jogos a ser completamente traduzido pelos fãs (em traduções melhores, aliás, do que muita tradução oficial).


Apesar de quase desconhecido no Ocidente antes da Era da Internet, Final Fantasy V é um dos jogos mais importantes da história da franquia, uma vez que ele foi exatamente o último jogo da saga principal a se passar num mundo medieval (típico com castelos, princesas e dragões); todos os jogos seguintes se passavam em mundos de alta tecnologia à exceção de Final Fantasy IX, que apesar de ser medieval, acabava não passando esse clima aos jogadores, devido aos gráficos e ao contato constante com os artefatos tecnológicos no decorrer do jogo. FFV, apesar de também ter muitos artefatos tecnológicos (como máquinas a vapor e inimigos robôs), passa o clima de fantasia medieval do jeito que os fãs gostam. Hironobu Sakaguchi, criador da franquia, declarou que este era seu Final Fantasy preferido.


Seguindo o tradicional esquema da série, a história de Final Fantasy V não tem nenhuma relação com os jogos anteriores (ou posteriores): no mundo de FFV existem quatro poderosos cristais que controlam os quatro elementos da Natureza; um certo cientista chamado Cid (SEMPRE tem um Cid) desenvolveu máquinas para controlar a energia destes cristais de modo que os três reinos principais do mundo pudessem aproveitar ao máximo esse poder em benefício da humanidade. Entretanto, algo deu errado e todos notam que o vento está diminuindo, o que indica que algo está acontecendo com o Cristal do Vento; é então que o rei do reino de Tycoon avisa sua filha Leena que vai investigar o fenômeno, e chega a tempo apenas de ver o cristal se estilhaçar. Ao mesmo tempo, um viajante chamado Bartz (ou Butz) vê um meteoro atingir o chão, e ao investigá-lo ele encontra Leena (que havia tentado seguir seu pai) e um homem misterioso chamado Galuf, que só consegue se lembrar do próprio nome e de que ele precisa salvar os Cristais. Os três decidem então viajar juntos para investigar o que está acontecendo, e no caminho descobrem que uma força maligna havia sido aprisionada nos cristais décadas antes, e que agora esse Mal estava tentando se libertar, destruindo os cristais. No decorrer da história, juntam-se ao grupo Faris, que é comandante de um grupo de piratas, e Krile, que sabe a identidade de Galuf. Sem que saibam, o destino de dois mundos está agora nas mãos desse grupo que, inicialmente, não têm nada em comum, mas que acabam descobrindo que seus destinos estão ligados há mais tempo que suas vidas (choramings!). Verdade seja dita: Final Fantasy V não tem a melhor das histórias da série (em comparação com FF IV e VI), pois para muitos a história é meio "forçada" ou "genérica", além de "superficial". Mesmo assim, isso não diminui nada a qualidade do jogo (ainda mais se considerarmos a praticamente falta de história dos três primeiros jogos e dos jogos mais recentes...).


Como não poderia deixar de ser, os gráficos de FFV estão soberbos; embora use o mesmo tipo de gráfico que Final Fantasy IV (que o Tristan falou tão mal aqui no Museum...), eles estão mais limpos e detalhados, com uma infinidade de sprites. Aliás, são tantos sprites que a equipe de produção de Final Fantasy VI não teve dúvidas e reaproveitou quase todos os sprites dos inimigos de FFV... Vemos muitos detalhes, principalmente na roupa dos personagens, e de acordo com o ataque, arma ou magia em questão, os movimentos variam enormemente. Por outro lado, um ponto negativo é que o rosto dos personagens não é mostrado em nenhuma parte (só mais ou menos no manual...), apenas os gráficos SD; até mesmo Final Fantasy IV mostrava o rosto dos personagens na tela de menu, com os gráficos desenhados por Yoshitaka Amano, desenhista tradicional da série. As versões de Playstation e de GBA corrigiram isso.

Agora, a parte que mais empolga em Final Fantasy V é o sistema de Jobs; embora o jogo só tenha a possibilidade de jogar com quatro personagens simultâneos (diferente de FFIV, que permitia até cinco), com este sistema herdado e aperfeiçoado a partir do sistema de Final Fantasy III, o jogador pode usar quase todas as classes de personagem já mostradas nos jogos anteriores (exceto algumas classes como Paladino e Dark Knight, exclusivas do personagem Cecil de FFIV e outras que sofreram mudanças), além de outras novas. À medida que avança no jogo, o jogador ganha mais e mais classes (22 no total,enquanto na versão de GBA teve 4 classes a mais) e pode equipar os quatro personagens com qualquer combinação de classes que achar melhor. O mais legal, entretanto, é que as classes (ou Jobs, como são chamadas) evoluem juntamente com os personagens, o que habilita poderes e habilidades exclusivas de cada classe e aí que vem a diversão: quanto mais evoluir as Jobs, mais habilidades o jogador terá, e melhor ainda, poderá equipar qualquer Job com a habilidade que quiser. Por exemplo, se quiser jogar com um Knight (Cavaleiro) que lance magia, basta equipar um personagem com a Job Knight e, em seguida, a habilidade Dark ou Red (das classes Black Mage e Red Mage), e terá todas as habilidades básicas de Knight (como defender um personagem que tenha pouca energia e equipar armaduras de Knight) mais as magias! Ou então, se quiser um White Mage (Mago Branco) que também faça invocações, é só equipar a Job com a habilidade Summon. São tantas Jobs e tantas habilidades que a quantidade de combinações é imensa (quase infinita), e nunca uma sessão de jogo será igual à outra; o jogador pode experimentar as quests e side quests de diversas formas diferentes, com Jobs diferentes, salvando sempre que quiser (e puder) . Este sistema de Jobs foi tão aplaudido que retornou em alguns jogos posteriores, como Final Fantasy Tatics e Final Fantasy X-2, além de fragmentos deste sistema estarem em quase todos os jogos seguintes, para alegria dos fãs. Embora todos os personagens usem as mesmas Jobs, a roupa de cada Job varia para cada personagem, desde apenas alguns detalhes (como os cabelos que aparecem na roupa de Black Mage) até completamente (como a roupa de Dancer). O sistema de combate é o tradicional ATB (Active Time Battle), em que o tempo flui continuamente tanto para os jogadores quanto para os inimigos durante o combate; neste sistema (incialmente visto no jogo anterior, mas um pouco mais primitivo), o jogador pode ver a ação do próximo personagem a ser controlado na forma de uma barra de tempo, que se preenche de acordo com a velocidade do personagem (velocidade esta que pode ser alterada de acordo com o nível, equipamentos e Job do personagem em questão no momento da batalha). A movimentação é a típica de Final Fantasy: o jogador vê apenas um personagem (o que estiver primeiro na fila de status, normalmente Bartz) em um mapa, e as batalhas acontecem em outra tela, mostrando os quatro personagens e seus HP e MP, o(s) inimigo(s) que estiver enfrentando e o local em que estiverem (como praias, florestas, interior de castelos etc.).


A trilha sonora composta por Nobuo Uematsu consiste de 56 músicas; Uematsu originalmente disse que seria preciso mais de 100 músicas, mas conseguiu reduzir bem o número... Um álbum com dois discos foi lançado junto com o game, contendo 67 músicas. Em 1992 foi ainda lançado o álbum Final Fantasy V: 5+1 com cinco músicas a mais e mais uma versão da música "Matoya's Cave" (do Final Fantasy original de Nes), versão esta que inicialmente seria lançada com os games de Snes. Uma coleção de arranjos, Final Fantasy V Dear Friends; um disco com 13 músicas, Piano Collections Final Fantasy V; e uma pequena série de remixes, Final Fantasy V: Mambo the Chococobo, foram todas lançadas em 1993. Além de tudo isso, muitas das canções originais foram incluídas em Final Fantasy Anthology Soundtrack, nos Estados Unidos, junto com a versão que foi lançada para Playstation. Além disso ainda, no tour musical Dear Friends - Music From Final Fantasy, a música Dear Friends (que é de FFV e dá o título do tour) foi a escolha de Uematsu para refletir o apoio dos fãs (mais detalhes sobre a trilha sonora de FFV no artigo do Wikipédia ,onde tem inclusive um trecho de Dear Friends).


Final Fantasy V, mesmo nunca tendo chegado ao Ocidente para o Super Nintendo, teve duas versões que foram convertidas para o Inglês; a primeira foi a conversão feita para Playstation, que contava com dois novos vídeos para a abertura e o encerramento do game, vídeos estes que finalmente mostravam o rosto dos personagens, mas o jogo em si não sofreu alterações (a Square-Enix lançou uma edição limitada de 50 mil cópias que incluía um despertador de Final Fantasy junto com o CD do jogo...); a segunda conversão, feita para Game Boy Advance, contava com melhorias nos gráficos (embora não tivesse os vídeos da versão de Playstation), quatro novas Jobs, uma nova Dungeon, um novo chefe opcional (que foi desenhado por Tetsuya Nomura, desenhista de monstros do jogo original), um bestiário, função de save rápido, tocador de músicas e equipamento adicional. Em Abril deste ano, o produtor Shinji Hashimoto (atual responsável pela série) disse que ainda estava indeciso devido a "questões técnicas" se seria viável uma conversão de Final Fantasy V para Nintendo DS (assim como aconteceu com FFIII e FFIV); em Junho ele disse que está considerando uma conversão para o Nintendo 3DS, mas que está "esperando para ver como será a recepção do console para tomar uma decisão". Tá certo. Os fãs que fiquem na torcida, roendo as unhas e arrancando os cabelos, torcendo para não acabarem chupando o dedo de novo...


Em 1994, a Square lançou um OVA que dava sequência à história de FFV, simplesmente entitulado Final Fantasy, no Japão, produzido pelo estúdio de animação Madhouse (o mesmo que lançou grandes sucessos, como Hajime no Ippo, Beyblade, Tenjou Tenge e Sakura Card Captor). A empresa Urban Vision traduziu e lançou o anime (em dois VHSs) nos Estados Unidos sob o nome de Final Fantasy: Legend of Crystals, mesmo o jogo nunca tendo sido lançado antes! Seria engraçado, se não fosse trágico...


Final Fantasy V é um jogo que continua a divertir players no mundo inteiro. Ao contrário de seu antecessor, que focava mais na história e menos em todo o resto (como disse o Tristan), FFV dava mais atenção à jogabilidade e diversão e deixando a história quase que em segundo plano, mas conseguia fazer isso sem banalizá-la; seus personagens, longe de serem "superficiais", têm apenas sua história pouco contada, embora seja profunda; quem joga sempre fica com um pouco de gosto de "quero mais", para saber mais sobre os personagens, seu mundo, seu passado e seu futuro. Agora, uma questão intrigante: os posts sobre Final Fantasy IV e VI vieram antes deste... estaria o Museum se igualando à Nintendo of America?! NÃÃÃÃAÃÃÃÃÃÃÃÃÕOOOOO!!!!(hehehe, zuera, os outros dois só foram resenhados primeiro porque são mais conhecidos, e também porque eu queria caprichar neste post... vale lembrar que, diferente da Nintendo, a gente cumpre nossas promessas).


P.S.: Eu ia fazer aquele lance de "descubra a que jogo pertencem as fotos", mas tá ramdom demais... e algumas tão óbvias demais.


NOTA FINAL: 10
INJUSTIÇADO POR ALGUNS, AMADO POR MUITOS, ESTE É O GAME QUE É A CARA DE FINAL FANTASY: DIFÍCIL, COM MUITA EXPLORAÇÃO E SIDE QUESTS, LONGO E MUITO BEM TRABALHADO. PERFEITO, EXCETO PELA NOVELA QUE FOI PARA OS FÃS PODEREM JOGÁ-LO...


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